Caso Oracle-HP pode mudar parcerias

O processo judicial ainda não terminou, mas a decisão do juiz James Kleinberg poderá ter efeitos importantes no sector das TIC.

A decisão do juiz James Kleinberg não conclui o confronto judicial entre a Oracle e a HP. Mesmo assim, segundo vários analistas, a deliberação do Tribunal Superior de Santa Clara pode levar a maiores cuidados entre as empresas de TIC nas parcerias que estabelecerem.
“Embora a situação entre a HP e a Oracle pareça extraordinária, espero que a deliberação ponha muitas empresas a terem mais cuidado na elaboração de acordos com parceiros”, afirmou Charles King, da Pund-IT. “A decisão do juiz a favor da HP com base no acordo relacionado com a contratação de Hurd pela Oracle foi surpreendente”, disse King.
“E parece de facto enfatizar o valor da especificidade retórica”. O analista Ray Wang, da Insider Associates, também disse que a decisão constitui um aviso para as outras empresas.
“Nunca mais se vai ver um negócio como este novamente”, disse Wang. “Haverá sempre uma data de início e uma data de fim”, para os acordos. Na verdade, por trás das expressões muitas vezes vagas de lealdade em anúncios de parceria entre os fornecedores de tecnologia, muitas dessas parcerias são explicadas em grande detalhe, diz o analista Evan Quinn, da Enterprise Strategy Group.
“Se explorássemos, em profundidade, a grande maioria desses contratos, você encontrará uma boa quantidade de linguagem jurídica”, incluindo termos que regem quanto tempo vai durar a parceria e os procedimentos para renová-la, disse Quinn. Isto é especialmente verdadeiro nos acordos de software, particularmente propícios a acusações quando algo corre mal num cliente comum, explicou.
Para os utilizadores do software Oracle em Itanium – a HP estima que sejam 84% das empresas que usam a plataforma –, a decisão Kleinberg pode ser um sinal de esperança num cenário preocupante no geral, de acordo com Quinn. A sensatez no mundo dos negócios exige que a Oracle faça um esforço honesto, mesmo só para as versões de software  abrangidas pela decisão, considera.
“Eu não acredito que se volte para a sua equipa de tecnologia de base de dados e (digamos) coloque os seu cinco piores engenheiros a preparar software para o Itanium”, diz Quinn. Ao mesmo tempo, “a Oracle tem sido muito descarada sobre a sua insatisfação em relação ao Itanium”, acrescentou.
E Quinn acredita que a indústria como um todo está a afastar-se de processadores associados a um fabricante, como o Itanium, e para plataformas x86 normalizadas. “Algumas dessas combinações entre servidores e chipsets relativamente proprietários estão fora de moda”, considera.




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