Alegações são hoje apresentadas no julgamento do caso Apple-Samsung

A Apple pede 2,5 mil milhões de dólares em danos à Samsung num confronto entre as duas empresas sobre patentes.

Um caso de violação de patentes entre a Apple e a Samsung Electronics vai ter hoje as alegações iniciais num tribunal da Califórnia, após cada lado ter passado a segunda-feira a chegar a acordo sobre o júri de 10 pessoas.
A selecção do júri demorou até pouco depois das 16 horas locais de ontem. O tribunal já tinha concordado em deixar que cada empresa gastasse até 1,5 horas cada para apresentarem as suas alegações iniciais e para ambas o fazerem no mesmo dia, por isso tornou-se óbvio à hora de almoço que a audição dos argumentos teria de esperar para terça-feira.
O júri vai ouvir argumentos da Apple de que a Samsung começou a copiar deliberadamente o design do seu iPhone e iPad no lançamento de produtos concorrentes. A Samsung vai argumentar que os seus produtos não são meras cópias dos dispositivos da Apple e que alguns produtos da Apple violam patentes de tecnologia que detém para certos aspectos das redes 3G.
“Se for finalmente escolhido como jurado, este será um caso muito interessante”, disse Lucy Koh, juíza do Tribunal Distrital dos EUA em San Jose, aos jurados quando a sessão de segunda-feira se iniciou.
O que ela não disse, mas ficou claro durante o dia, era como interessantes e variados eram os próprios potenciais jurados.
Havia o criptólogo naval aposentado com um filho que conduz carros de corrida, o iraniano entregador de pizzas cujos hobbies incluem a política libertária, o engenheiro com mais de 125 patentes em seu nome, e a mulher que dirige uma credenciada instituição pré-escolar, que não tem um telemóvel e não quer ter nada a ver com os media sociais.
Foi, em suma, um típico exemplo do tipo de pessoas que é fácil de encontrar no norte da Califórnia.
No coração de Silicon Valley, também é fácil encontrar pessoas com profundas ligações à indústria de tecnologia, e os potenciais jurados não eram diferentes.
Um deles, um funcionário da Apple, foi dispensado porque admitiu que gostaria de ver o seu patrão ganhar o caso, enquanto outro disse que o seu filho trabalhou na Apple – no departamento jurídico, o que levou alguns risos ao tribunal. Também ele foi dispensado após falar da longa história entre os membros da família e a Apple e disse sentir que a empresa “foi trazida para a minha família”.
As perguntas feitas aos potenciais jurados eram destinadas a descobrir qualquer preconceito que pudessem ter sobre as empresas ou o sistema de patentes, que alguns vêem como responsável pelo aumento recente no número de acções judiciais com grandes nomes. Havia outras questões a investigar sobre a especialidade em qualquer das áreas relacionadas com o caso ou de relações comerciais com a Apple, Samsung ou a criadora do Android, a Google, e a sua subsidiária Motorola Mobility.
À hora do almoço, a Apple informou que planeia opor-se à inclusão de um funcionário da Google que trabalhou num projecto de interface do utilizador, mas Koh disse que iria negar esse apelo.
“Ele disse que seria justo e imparcial”, afirmou Koh, observando que apesar do seu emprego na Google, ele era um grande comprador de produtos da Apple. O designer disse ao tribunal possuir dois iPads, um Galaxy Tab 7, um iPod Touch, um MacBook Air, um Mac Mini e um Mac Pro e que usa um MacBook Pro no trabalho.
“Você é bom para a economia”, disse Koh quando ele terminou a sua lista de gadgets.
Questionado várias vezes sobre se ele acreditava que poderia razoavelmente julgar o caso com base nas provas apresentadas e nada mais, ele disse que sim a cada vez.
“A sua credibilidade, no que me diz respeito… Eu acredito nela”, disse Koh.
Várias horas mais tarde, quando chegou o momento de escolher as 10 pessoas que compõem o júri, os advogados da Apple tentaram novamente tirá-lo do júri por causa do seu emprego na Google, mas Koh recusou novamente.
A decisão significa que a Apple tem de usar uma das suas prerrogativas na escolha do júri – a capacidade de remover um potencial jurado sem contestação pela outra parte. Assim, o programador da Google não deverá eventualmente fazer parte do júri.




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