“Projectos de consolidação no sector público têm de estar prontos em quatro meses”

O CEO da Outsystems, Paulo Rosado, considera que a exigência exclui, à partida, todos os fornecedores apenas interessados em tirar partido de iniciativas de TIC na administração pública.

Para o plano de consolidação das TIC e dos custos inerentes ter sucesso, será necessário haver muita transparência, diz Paulo Rosado, CEO da Outsystems. Na sua opinião, exigir que os projectos estejam prontos em cerca de quatro meses excluiria qualquer empresa, interessada em apenas ter benefícios próprios.
Em entrevista para o Computerworld, o responsável explica que a plataforma Agile tende a evoluir para facilitar a mobilidade das aplicações. Durante o último evento anual da empresa, o NextStep 2012, apresentou a versão 7.0 da plataforma.
Além disso, o responsável revela a intenção de a empresa contratar mais trabalhadores e que o canal da empresa está em expansão, mas também em correcção.

Computerworld – Quantos colaboradores estão a pensar contratar durante 2012?
Paulo Rosado – Temos actualmente 160,  poderemos chegar aos 200.

CW – Esse incremento será feito com que objectivo?
PR – Sobretudo para suportar o crescimento gerado. Para o suporte a clientes e para a formação das suas equipas.

CW – As contratações serão em Portugal ou no estrangeiro?
PR – Cá e em mercados internacionais.

CW – Qual é vossa estratégia para cloud computing?
PR – Quando instalamos a nossa plataforma nos nossos clientes, os departamentos de TI tornam-se prestadores de  serviços de cloud computing. Tanto facilitando a criação de aplicações, como na manutenção das mesmas, até num ambiente híbrido com recurso à plataforma da Amazon, diponibilizado quando o cliente precisa. A partir daí já não há negócio para a Ousystems se tornar prestador de serviços de cloud computing.

CW – Estão a equacionar oferecer outros serviços de PaaS como aqueles baseados na plataforma da Amazon, usando estruturas de outros fornecedores?
PR – Sim, por exemplo no Brasil com fornecedores locais. Mas só as PME acabam por usar os serviço com a plataforma da Amazon. As grandes empresas precisam sempre de alguém a quem pressionar, quando ocorre um problema.

África não é estratégica para a Outsystems

CW – Os mercados africanos que lugar ocupam nas prioridades da vossa estratégia?
PR – Quando um parceiro de cá, concretiza um negócio, ou se estabelece lá, damos o nosso suporte. Mas hoje não são estratégicos só para nós. Não têm ainda volume suficiente e nem a maturidade com a qual as eficiências que oferecemos são valorizadas.

CW – No Brasil…
PR – No mercado brasileiro existe falta de competências, não há tantas pessoas qualificadas como o necessário. E assim  quando as empresas precisam de aumentar a produtividade a nossa oferta acaba por ser muito interessante. As empresas brasileiras estão cheias de sistemas legados!

CW – Que outros países são interessantes?
PR – Já estamos nos Estados Unidos, na Austrália, Singapura, Holanda… a África do Sul pode ser interessante com parcerias, como plataforma para a atingir todos os outros países africanos. Como fazem as empresas sul-africanas.

CW – A vossa estratégia de internacionalização tem uma abordagem mista, tanto se baseia em parcerias, com na presença directa, correcto?
PR – Nos Estados Unidos é muito difícil entrar com uma estratégia de canal, sobretudo no software empresarial: a maior parte é produzida nos Estados Unidos, e a cultura predominante é que qualquer start-up do meio, ou pequena empresa tem de estar lá estabelecida. Os clientes querem falar directamente com o fornecedor. Não existe um canal de VAR como aqui. Lá, esses revendedores distribuem produtos da IBM,  entre outros fornecedores. Nós precisámos de montar uma estrutura sofisticada.

CW –  E nos outros países?
PR – Na Austrália, as empresas já estão mais habituadas a fazer as aquisições através de canal. E em Singapura as organizações compram mesmo através da Internet. O mercado brasileiro é muito parecido com o dos Estados Unidos. Há muitas marcas locais, algumas parcerias são interessantes, mas sem apoio local não se consegue estar.

CW – Como está a evoluir a facturação internacional face ao negócio nacional?
PR – Varia de trimestre para trimestre. Em termos de clientes estamos quase a ter mais clientes no estrangeiro. Entre os novos clientes, já são mais os internacionais.

CW – Que ajuda achava útil ter da parte da AICEP ou do Governo na vossa internacionalização?
PR – Nenhuma! O que precisamos não pode ser oferecido pelo Governo. Mas necessitamos de um país com boa reputação, de apoio ao empreendedorismo, ágil e capaz de comercializar a marca “Portugal”.

Consolidação na administração pública é decisão necessária

CW – Qual é a sua opinião sobre os planos de consolidação das TIC na Administração Pública?
PR – Era uma decisão que se impunha. Deve haver grande transparência no processo, na escolha das tecnologia e na selecção dos fornecedores. Sem racionalização não vamos poupar dinheiro, e o plano até pode ser um tiro pela culatra.

CW – A transparência servirá só para promover a concorrência?
PR – Para isso e para promover processos rápidos. As decisões têm de ser públicas e justificadas. Os projectos de consolidação têm de estar prontos em quatro meses. Essa exigência exclui logo as empresas interessadas em estar no sector público apenas para proveito próprio.

CW – O negócio da Outsystems no sector público quanto representa na facturação global da empresa?
PR – Não é muito importante. Mas temos cerca de 30 projectos no sector público.

CW – Em que medida esperam expandir o vosso número de parceiros – 59, actualmente?
PR – Estamos a expandir para aumentar a rede, mas ao mesmo tempo estamos a “corrigir”,  para ficarmos com os parceiros que nos interessam mesmo.

CW – Que percentagem da facturação deverão investir em investigação e desenvolvimento?
PR – Geralmente investimos entre 15 a 25%, mas como este ano devemos apostar mais noutras áreas, comerciais e de suporte… Investiremos no mínimo 15%.

CW – Como poderá a vossa plataforma Agile evoluir. Em que áreas poderão melhorá-la?
PR – Continuamos focados em facilitar o desenvolvimento de aplicações e no suporte às mudanças que os clientes querem fazer nelas. A mobilidade é um factor importante. Os padrões de utilização de tablets e outros dispositivos móveis trazem coisas novas que antes não eram possíveis. As empresas estão a tentar perceber quais são os desafios inerentes.

CW – Qual é a vossa percepção sobre esses desafios?
PR – A mobilidade traz uma melhoria num aspecto que até agora era suficiente: recebíamos um email solicitando a resolução de um assunto e remetíamos isso para quando estivéssemos sentados à frente do PC. Com os dispositivos móveis deixamos de aceitar esperar tanto tempo para resolver esses assuntos. Tentamos resolver logo. Há maior imediatismo.

CW – E o que poderão acrescentar mais à plataforma?
PR – Continuaremos com iteracções daquilo que já temos. Há ainda muitas instituições a investir em projectos desenvolvidos de forma incompreensivelmente lenta, caros e com muitos poucos resultados.

Agile tem novo componente

A Agile Platform 7.0 traz um componente novo – o LifeTime – concebido,  para gerir o ciclo de vida das aplicações.
Oferece, segundo um comunicado da Outsystems, “um maior controlo no desenvolvimento das mesmas sem interferir na simplicidade operacional”.
O LifeTime permite  assim, promete o fabricante, simplificar o esforço e o risco associado no processo de criação de uma aplicação.  O processo de publicação é totalmente automatizado e a ferramenta possibilita usar apenas uma consola para monitorizar e gerir todo o portefólio de aplicações. O modelo de segurança inerente, permite partilhar actividades operacionais, mantendo “total controlo”.
Na nova Agile Platform 7.0, o suporte para as aplicações “multi-tenant”, foi significativamente melhorado: garante aos programadores uma experiência simplificada na criação de aplicações que requerem o isolamento total de dados, assegura um comunicado da empresa. “As novas funcionalidades permitem que as equipas de desenvolvimento se foquem apenas na criação de aplicações simples (“single tenant”), de valor acrescentado, deixando que a Agile Platform faça toda a gestão das necessidades de segregação de dados”, explica o documento.
O desenvolvimento em Java foi simplificado: todas as novas funcionalidades da Agile Platform serão suportadas em Java e .Net, simultaneamente.




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