Google e Microsoft lutam para dominar casa e chegar ao trabalho

A nova batalha travada pelas empresas é pelo domínio na sala de estar – e isso pode trazer implicações no sector das TI, admite Preston Gralla, colunista da Computerworld.

A Microsoft e a Google não estão a competir apenas nos motores de busca, suites de produtividade ou aplicações e serviços baseados na cloud. A próxima batalha entre ambos será para ver quem vai dominar a sala de estar – e o resultado terá implicações surpreendentes também para o sector das TI.
Em Fevereiro, surgiram rumores a respeito de um dispositivo da Google que faria “streaming” de música dentro de casa a partir de um serviço da empresa baseado na nuvem e em altifalantes wireless da própria empresa. O jornal The New York Times (NYT) revelou que o aparelho estava a ser desenvolvido há um ano, e que a Motorola Mobility o iria fabricar.
A música não é o único objectivo da Google: o produto também deve ser capaz de fazer “streaming” de vídeo. Esta é apenas uma parte das ambições da empresa em relação ao lar; uma pessoa ligada ao projecto contou ao NYT que a empresa deseja controlar todos os aparelhos de uma casa (televisores, altifalantes e até mesmo lâmpadas) – e ligá-los à Internet.
A Microsoft tem interesses semelhantes. Num texto num seu blogue, no ano passado, Frank  Shaw, executivo de comunicação corporativa da empresa, falou sobre um mundo no qual as pessoas poderão utilizar o Kinect, a Xbox e o Bing para interagir com a TV e outros aparelhos de entretenimento através de gestos e de comandos de voz. A Xbox já é capaz de realizar “streaming” de música e de vídeo, pelo que a Microsoft já possui uma certa vantagem em relação à Google – e essas ambições vão também muito para lá da sala de estar.
Vida na nuvem
O interesse vai para lá de simplesmente vender dispositivos como a Xbox ou o equipamento de “streaming” da Google. Ambas as empresas querem que se viva na nuvem, e não querem que apenas lá se armazenem músicas, mas todas as informações da vida pessoal. Se aquelas empresas vão controlar as luzes e o uso da electricidade, são necessárias informações sobre quando a iluminação será ligada ou desligada automaticamente, por exemplo. Se as empresas se encarregam da programação da TV, é preciso que saibam qual o tipo de interesses do utilizador, para que possam fazer sugestões de novos programas e gravar programas favoritos quando o utilizador estiver ocupado. E tudo isso será armazenado, juntamente com músicas, documentos pessoais e outras informações, numa nuvem particular.
O que tem isto a ver com o sector das TI empresariais? A chamada “consumerização” dos produtos de TI mostra que já não existe uma divisão clara entre a tecnologia pessoal e profissional. Se as pessoas utilizam o iPad em casa, também farão o mesmo no trabalho, não apenas para jogar Angry Birds, sendo que assim esses utilizadores esperam suporte para questões como problemas ao aceder ao email ou à rede corporativa no iPad. Isto já é uma realidade e será cada vez mais comum no futuro. Ao armazenar cada vez mais informações na nuvem, a linha turva entre trabalho e casa será ainda mais ténue, e mais significante. Esta é uma das razões pela qual a Microsoft e a Google se estão a esforçar tanto para conquistar a lealdade dos consumidores em casa: é uma maneira de fazer com que eles também a levem para o trabalho.
(Computerworld/IDG Now!)




Deixe um comentário

O seu email não será publicado