Microsoft saiu do Taguspark mesmo com oferta de edifício

Empresa inaugurou hoje novas instalações no Parque das Nações, em Lisboa, para ter uma maior aproximação aos clientes.

A Microsoft inaugurou hoje as suas novas instalações em Lisboa, o fim de um processo regular que a leva a avaliar a ocupação de edifícios e a mudar (ou não) a sua localização. No caso do Taguspark, onde estava sedeada desde o início do século, foi mesmo proposta a criação de um novo edifício para a empresa se manter no concelho, segundo declarou em Julho passado o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, a principal accionista do parque de ciência e tecnologia.
Segundo a acta da Assembleia Municipal de 25 de Julho, Isaltino Morais declarou ter servido de “intermediário numa situação” em que já sabia que a Microsoft podia sair do Taguspark.
A empresa, explicou, “de cinco em cinco anos, faz uma avaliação em todo o mundo sobre os edifícios que ocupa, as rendas que paga, etc. e consulta o mercado para saber se deve ou não mudar, consoante as suas necessidades”. A mesma preocupação foi explicada ao C0mputerworld em Fevereiro passado.
Nessa altura, Morais afirma ainda que “também me constou que a Microsoft estaria para sair do Concelho e foi-me transmitido pelo conselho de administração que haveria um problema de mau entendimento entre a administração do Taguspark e a Microsoft”. Isaltino Morais averigou qual era o problema e foi-lhe revelado “que se tratava de um mal entendido e que era verdade que a Microsoft estava a ponderar a possibilidade ou não de mudar de instalações, pois essa discussão prolongava-se por vezes, por um ou dois anos, mas que ainda não havia nenhuma decisão”.
O presidente de Oeiras considerava “importante” ter a Microsoft no concelho, e disse-o à administração do Taguspark, sabendo que já na altura a Microsoft queria “fazer uma mudança na sua estratégia em termos de relacionamento com os clientes, ou seja, vai passar a ter porta aberta ao público, querem ter estabelecimentos em que estão em contacto directo com o público”. Nesse sentido, a empresa revelou hoje que o novo espaço em Lisboa incorpora um centro de demonstração de tecnologias de consumo e quer que a nova sede seja “um espaço de experiência, uma janela aberta ao exterior, aos agentes económicos nacionais e também a particulares, de como utilizar a tecnologia e como conseguir uma interacção inovadora das pessoas, do tempo e do espaço”.
Ainda na reunião camarária de Julho, Isaltino Morais afirmou que o Taguspark estava em condições de ali construir para a Microsoft “um edifício de prestígio, emblemático”. Mas a Microsoft não ficou e hoje inaugurou a sua nova sede no Parque das Nações, com a presença do Presidente da República.
20 milhões de euros a 10 anos
Segundo Cavaco Silva, o investimento da Microsoft numa nova sede “representa a renovação do compromisso da empresa com Portugal”, um “compromisso que começou, há mais de 20 anos, com apenas três colaboradores”. Sublinhando que a subsidiária foi sempre “liderada por portugueses”, destacou ainda – no âmbito da investigação e desenvolvimento – o centro de linguagem e interacção natural, “o primeiro da especialidade na Europa”.
Cláudia Goya, directora-geral da empresa, revelou ter em Portugal mais de 4000 parceiros e que, por cada euro investido, gera 10,53 euros para os parceiros. A empresa apoiou também mais de 350 “start-ups” tecnológicas nos últimos quatro anos, num valor acima dos 1,7 milhões de euros.
Sobre a nova sede, denominada de Microsoft Lisbon Experience e que envolve um investimento de quase 20 milhões de euros a 10 anos, Cláudia Goya definiu-a como assente em três eixos: numa nova forma de trabalhar (90% dos quase 450 colaboradores não tem local fixo, apostando-se nas tecnologias móveis em mais de 100 salas de reuniões), aberta à comunidade e na portugalidade de materiais e design do novo edifício.
A responsável da Microsoft salienta ainda o facto de o investimento ser feito “em contraciclo”, uma “prova clara que acreditamos no potencial do nosso país e na capacidade de recuperarmos o caminho do crescimento económico”.




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