Maioria de donos de smartphones usa apps que revelam localização

Os utilizadores preocupam-se com a segurança online mas fazem download de programas que a podem colocar em risco. É o paradoxo da privacidade, afirmam especialistas.

Quase 60% dos utilizadores de smartphone utilizam aplicações que têm acesso à sua localização, apesar de se preocuparem com a potencial invasão da privacidade. A constatação surge de um estudo da ISACA, organização sem fins lucrativos para gestão de riscos, que ouviu mil consumidores no último mês.
A maioria dos entrevistados teme que as agências de publicidade obtenham informações pessoais guardadas no dispositivo móvel, mas também lembra os possíveis problemas para a sua segurança pessoal.
Esta semana falou-se muito da aplicação Girl Around Me – já removida -, cujos recursos serviam muito bem a quem gostaria de perseguir um utilizador. Ela cruzava os dados do Foursquare e do Facebook e mostrava o local onde a pessoa estava.
Alguns investigadores mostram-se perplexos por verificar que muitos utilizadores continuam a usar software que os deixam desconfortáveis. Ryan Calo, da Universidade de Stanford, em Inglaterra, diz que esse comportamento é tão comum que até já ganhou um nome: paradoxo da privacidade.
A adopção de aplicações de geolocalização tem crescido, por mais que as informações por elas registadas sejam bastante sensíveis e facilitem a identificação de um utilizador em especial.
“Se pensar, perceberá que a maioria de nós costuma passar grande parte do dia no trabalho, num local, e à noite em casa, noutro”, afirmou Aaron Brauer-Rieke, membro do Centro pela Democracia e Tecnologia. “Portanto, depois de dois dias, é fácil descobrir a quem estes detalhes se referem”.
Especialistas sugerem que o interesse sobre as novas tecnologias acaba por se sobrepor às preocupações com a privacidade. “Esses softwares são muito úteis, e penso ser natural que sejamos atraídos por eles. No entanto, também é natural que tentemos entender como eles lidam com as nossas informações”, disse Brauer-Rike.
Ainda assim, segundo a ISACA, metade dos consumidores ouvidos não sabia quais os dados recolhidos pelos programas ou como eles os partilhavam.
(IDG News Service/IDG Now!)




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