O CIO vai deixar de existir? Não, dizem os CIOs

O papel do CIO está para durar, por muitos e bons anos, afirmam CIOs na Índia.

A reacção foi provocada após um inquérito recente no Reino Unido ter afirmado que 17% dos decisores financeiros acreditam que o papel de “chief information officer” vai desaparecer dos negócios nos próximos cinco anos.
“O CIO não é um ‘techie’, é um estratega de negócios. E ainda será preciso alguém que possa tomar essa decisão estratégica de que negócio pode ser automatizado, terceirizado e avaliar as soluções. O CFO não entende esta conversa”, acredita Selvam K, CIO do grupo Siva Industries and Holdings.
Ele acrescenta: “talvez o CIO no futuro não tenha um exército de homens sob o seu comando, oferecendo apoio e gestão que terá evoluído para a nuvem. Mas o papel do CIO não perecerá”.
Geralmente, a razão para tais previsões dinâmicas parece envolver a maneira sempre em mudança de como as empresas compram e consomem as TIs – especialmente por causa da crescente importância da computação baseada no uso e na nuvem, em que os serviços de TI são alugados num modelo “pay-per-use”, em vez de comprados e instalados sem demoras.
Manoj Arora, CIO global da Bilcare, sorri: “as indústrias também podem ser alugadas, devemos acabar com o papel do ‘chief operation officer’? Muitas actividades financeiras também são terceirizadas, mas ainda precisamos de um CFO. As pessoas fazem um trabalho estratégico, não interessa qual a designação de que são titulares”.
Tamal Chakravorty, CIO da Ericsson, também defende com veemência o papel do CIO. “O valor do negócio vem do aumento das receitas, maiores margens, maior satisfação do cliente, maior satisfação do empregado e, finalmente, uma maior percepção pelos principais gestores da empresa. Pode um accionista dizer que um CIO não tem impacto nalgum destes cinco parâmetros de crescente valor para a empresa? Se eles podem, então acho que está tudo dito. Mas eu tenho falado com muitas pessoas e claramente não se vê esse sinal”.
O estudo destacou que muitos CFO acreditam que os CIOs não têm conhecimento adequado sobre finanças. Os CIOs indianos descartam isto dizendo que o conhecimento financeiro não é crucial para o papel do CIO. “Acho que a noção de que precisamos de saber de finanças é um equívoco. Eu tenho sobrevivido, assim como muitos outros CIOs. Usamos princípios básicos da gestão de uma empresa: investimento para retorno, controlo de custos, eficiência, escala, etc. Devemos também saber de gestão de vendas, gestão de operações, gestão de logística, ou de tesouraria?”, questiona Chakravorty. E Arora concorda: “os CIO não estão ocupados a comprar TIs”.
A discussão destaca uma outra mais séria e pertinente sobre a evolução do papel dos CIOs dentro das organizações.
Satish Pendse, CIO do grupo HCC, que liderou a sua própria empresa de tecnologia Highbar, tende no entanto a concordar, em certa medida, com a declaração. Depois mudou-se para uma função mais corporativa, acredita que o papel do CIO está a chegar a um ponto de estagnação. “Após alguns anos, a aprendizagem no papel de CIO afunilou”, refere.
Dito isto, os CIOs concordam que o resultado do negócio está à frente da designação e de que a receita é mais importante do que as pessoas e os cargos. “Se outros executivos de nível C assumirem mais responsabilidade no consumo de TI, o CIO pode criar mais valor noutro lugar”, acredita Arora.


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