“Software proprietário desvirtua missão da escola”

Richard Stallman defende que apenas o software livre suporta a formação de alunos hábeis e conhecedores, na utilização de software. E no final da sua palestra na Semana Informática do IST, chumbou o projecto de lei do PS para a cópia privada.

O fundador da Free Software Foundation, Richard Stallman, defendeu a proibição de software proprietário nas escolas, mesmo que disponibilizado gratuitamente pelos fabricantes. Numa palestra da Semana Informática do Instituto Superior Técnico, o responsável sugeriu também a aplicação de uma taxa suplementar nas ligações à Internet: os fundos recolhidos seriam usados para financiar artistas, de acordo com  um novo modelo de distribuição de fundos.
“Os fabricantes de software proprietário estão a usar as escolas para promover a dependência das pessoas”, face a esse tipo de software, diz Richard Stallman. O especialista considera que o software “proprietário desvirtua a missão social da escola”. Para ele, a escola deveria estar a preparar os alunos de forma a serem utilizadores conhecedores de software. E na sua visão apenas o software livre suporta esse objectivo de várias formas.
As escolas nunca têm dinheiro suficiente, e o software ajuda nesse aspecto. Mas isso “é secundário”.
Ensinar software proprietário entra em conflito com o espírito da escola, o qual na visão de Stallman, deve incutir “a boa vontade” e a predisposição “para ajudar os outros”. Os princípios do software livre, tal como definido pela fundação, já promovem este espírito de partilha, inerentemente, defende.
Além disso, o software livre ajudará a formar melhores programadores, corrigindo os defeitos dos chamados “natural born programmers”, ou programadores natos. Segundo Stallman, estes tendem a escrever os programas com capacidade de desempenharem bem as funções, mas pouco claros e difíceis de serem compreendidos. Trabalhar sobre esse código com os professores e torná-lo mais claro, é fácil com o software livre.

De outra perspectiva, as melhores formas de aprender a programar “é ler muito código e escrever muito código”, o que  Stallman diz estar garantido com o software livre, cujo código está aberto.

Por fim, defende outra virtude do software livre: a facilidade em proporcionar um campo de ensaio e aperfeiçoamento. “Outra das formas de os alunos aprenderem a programar é ensaiando alterações cada vez maiores no código, em grandes sistemas de software”, explica.

Alguns fabricantes de software proprietário já têm programas para disponibilizar o código-fonte das suas soluções a universidades.

Projecto de lei do PS só servirá para dar dinheiro a “estrelas”
Referindo-se ao projecto de lei 118 do PS, sobre a legislação para a cópia privada, Stallman discorda da sua utilidade. Só servirá para dar mais dinheiro a vedetas já ricas, na sua opinião.  Por isso, sugere antes a promoção da partilha de conteúdos e aplicação de uma taxa suplementar nas ligações à Internet. Mas os fundos obtidos seriam distribuídos pelos artistas,  segundo um modelo diferente proposto por Stallman.
Em vez de a distribuição ser feita de forma proporcional à popularidade, seria feita de acordo com um modelo no qual se aplicaria uma função de raiz cúbica (aqui explicada). Esta permitiria atribuir fundos com menos discrepância entre artistas mais e menos populares.
Contudo, seria importante não atribuir o mesmo a editoras ou empresas intermediárias, para garantir que o dinheiro chega aos artistas, alerta Richard Stallman.




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