Oracle sofre revés em caso contra a HP

Um tribunal californiano rejeitou a alegação de comportamento fraudulento por parte da HP, apresentada pela Oracle para não suportar os servidores Itanium, no seu portefólio de software.

Um tribunal da Califórnia rejeitou a intenção da Oracle  usar uma alegação de fraude, no sentido de desfazer um acordo de parceria, segundo o qual deveria suportar  servidores HP com processador Itanium. “A suposta fraude não impediu a Oracle de participar nas negociações ou privou a Oracle da oportunidade de realizar negócios”, defende o juiz James P. Kleinberg, do Tribunal Superior da Califórnia (Santa Clara County), num documento de 21 páginas.
O juiz referia-se ao acordo de rescisão de contrato de trabalho  entre Mark Hurd, ex-CEO da HP, e o mesmo fabricante em 2010 – o executivo juntou-se mais tarde aos quadros da Oracle. Apesar de a Oracle não fazer parte do litígio anterior entre a HP e Hurd, a sua participação na resolução das negociações foi extensa, considera o juiz.
Kleinberg também ordenou que certos documentos confidenciais, apresentados pelos fabricantes, perdessem esse carácter. A Oracle anunciou em Março do ano passado, a sua decisão de deixar de suportar servidores com processadores Itanium (da Intel) nas novas versões dos seus produtos de software, inclusive na sua base de dados.
Alegou que os processadores estavam próximos do seu final de vida. A HP utiliza o chip nos seus servidores de alta gama e processou a Oracle em Junho.
A Oracle defende-se alegando que a HP escondeu, deliberadamente no momento da rescisão com Hurd a intenção de contratar Leo Apotheker, ex-CEO da SAP (concorrente da Oracle), e Ray Lane, ex-presidente e director de operações da Oracle, ambos adversários bem conhecidos da empresa liderada por Larry Ellison.
Mas a Oracle também alega intenções fraudulentas da HP por esta a ter induzido a celebrar o acordo de parceria, ocultando informações: nomeadamente sobre o facto de estar, alegadamente,  a pagar à Intel 88 milhões dólares por ano, em sigilo, para este fabricante prolongar artificialmente o ciclo de vida do Itanium.
Segundo a Orcale, a Intel deveria também fingir um compromisso público de longo prazo com o processador, quando  de outra forma teria deixado de desenvolver o processador. A empresa de Ellison defende que se tivesse conhecimento sobre o acordo secreto com a Intel, não teria concordado em desenvolver software em torno da plataforma.
A decisão do juiz também se refere à alegação de que a rescisão de Hurd incluía um acordo da Oracle, na qual esta se comprometia a não lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) hostil sobre a HP, pelo período de 18 meses, após o compromisso.
Ambos os fabricantes manifestaram-se contentes com a decisão do tribunal, mesmo a Oracle, por certos documentos deixarem de ser sigilosos. Os dois dizem-se ansiosos por estes poderem esclarecer publicamente certos aspectos e sustentar as suas causas.




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