4G pode não chegar aos 100Mbps

A União Internacional de Telecomunicações (UIT) aprovou novas normas de transmissão de dados em redes de quarta geração. Mas mesmo com as últimas alterações, há dúvidas de que a banda larga móvel chegue aos 100 Mbps. Pelo menos no início.

Na mais recente assembleia da União Internacional de Telecomunicações (UIT), a organização aprovou as duas normas tecnológicas de suporte às comunicações de quarta geração (4G): o Long Term Evolution-Advanced e o WirelessMAN-Advanced. Mas nem com esta novas especificações os analistas prevêem que as tecnologias suportem velocidades máximas de 100Mbps, pelo menos inicialmente.
Embora se prevejam melhorias na experiência dos utilizadores, estes não deverão usufruir do aumento da largura de banda para os quais os componentes foram concebidos, segundo alguns observadores. Inicialmente, a UIT só admitiu como 4G as tecnologias capazes de um débito de 100 Mbps, grupo no qual não incluiu a LTE, e sim a LTE-Advanced. Apesar disso, os operadores têm promovido e comercializado os seus serviços baseados em LTE e WiMax, como sendo de 4G – muitos prometendo velocidades de 100Mbps.
E a associação decidiu alargar a abrangência da sua definição, apesar de manter os seus objectivos sobre o IMT- Advanced. O que a UIT fez na sua última assembleia foi especificar a LTE Advanced e a WirelessMAN-Advanced como sendo IMT-Advanced, ou seja oficialmente 4G.
A LTE-Advanced é a nova geração do LTE e a longo prazo deverá ser escolhida pela maioria das operadoras para melhorar a qualidade das redes 4G. A WirelessMAN-Advanced, é a versão mais avançada da WiMax,e não deverá ser tão amplamente adoptada pelos prestadores de serviços, nas previsões da UIT.
As primeiras redes LTE-Advanced, não devem conseguir chegar logo aos 100 Mbps de largura de banda, quando os operadores começarem a adopta-la provavelmente no final do ano. Na maioria dos casos, esses serviços nem vão ter um aumento da taxa de transmissão como aconteceu na migração das redes de 3G para LTE.
Mas a nova norma tende a melhorar a experiência do utilizador nas comunicações sem fio, de acordo com vários analistas do sector. A actualização para o LTE Advanced ajudará os operadores a a acrescentar “faixas” nas “autoestradas” de 4G, ilustra a analista Monica Paolini da consultora Senza Fili.
Ela avisa que os utilizadores não deverão sentir de imediato um aumento de rapidez na navegação online. Mas o aumento da largura de banda permitirá que acedam aos serviços em alta velocidade no futuro. “A capacidade pode não ser um problema hoje, mas vai tornar-se em breve”, alerta.
LTE-Advanced permite MIMO com mais antenas
A norma LTE-Advanced é, na verdade, composta por vários componentes. Os operadores poderão usar todos ou apenas alguns, explica Peter Jarich, analista da Current Analysis. Permitem capacidades como a agregação de bandas de espectro, oferecendo uma melhor integração entre as células mais pequenas e as grandes.
Possibilitam também a utilização de quatro ou mais antenas num dispositivo,  e sistemas de encaminhamento nas células de extremo de rede. Jarich prevê que a maioria dos operadores comecem por usar a LTE-Advanced, para combinar as frequências e adicionarem mais antenas.
Com a  “agregação de onda”, a nova norma permitirá que a operadora obter uma parte consolidada e virtualizada do espectro, a partir de frequências espalhadas no mesmo. A LTE já beneficia da utilização de sistemas de antenas MIMO (Multiple-in, Multiple-Out), mas apenas usando duas por dispositivo. A nova norma permitirá quatro ou mais, aumentando potencialmente a velocidade e a fiabilidade dos serviços. No entanto, não é ainda claro quantas antenas pode um smartphone conter, diz Jarich.
Redes heterogéneas mais viáveis
A possibilidade de instalar redes heterogéneas é outro elemento com potencial na nova norma, segundo Jarich. A LTE-Advanced inclui mecanismos para facilitar um melhor funcionamento das células maiores mais convencionais com as menores –  actualmente a serem desenvolvidas para suportar o serviços em áreas congestionadas e interiores.
Apesar de esses recursos contribuírem para o potencial aumento da largura de banda dos serviços móveis para 100 Mbps, não é claro que os operadores consigam fornecer essas taxas de transmissão. Phil Marshall, analista da Tolaga Research, afirma que para as redes alcançarem essa velocidade será necessário a utilização das bandas de 50MHz.
A Verizon Wireless nos Estados Unidos utiliza apenas o espectro de 10MHz tanto para os downloads como para os uploads. Chetan Sharma, da Chetan Sharma Consulting diz mesmo que com as aplicações existentes os utilizadores não vão qualquer diferença com aumentos de largura de banda além dos 20Mbps.
“O mercado não está ansioso por ter  100 Mbps em mobilidade”, considera. Mas Marshall prevê que o LTE-Advanced trará outros benefícios como maior consistência e menos variação, na largura de banda dos serviços ao longo da redes.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado