Intel sugere aumento da temperatura de centros de dados

O fabricante diz que as infra-estruturas podem funcionar a temperaturas mais altas, possibilitando reduções de custos na refrigeração. Contudo, esse é só um elemento da equação.

A Intel está a aconselhar os seus clientes a deixarem aumentar a temperatura nos centros de dados: segundo o fabricante, as empresas podem economizar até 4%  nos custos de electricidade por cada grau que aumentem.
A maioria dos centros de dados na Europa funcionam actualmente a uma temperatura entre 19 os 21 graus centígrados. O objectivo é evitarem a criação de pontos quentes, factores de mau funcionamento do equipamento.
Ora segundo a Intel o funcionamento do equipamento de refrigeração, necessário para manter as referidas temperaturas, custa perto de 27 mil milhões de dólares por ano. E consomem 1,5% da electricidade produzida mundialmente.
Muitas empresas em todo o mundo estão agora a pensar deixar elevar a temperatura dos seus centros de dados até aos 27 graus,  para economizar custos e reduzir a sua pegada de carbono. A Facebook, por exemplo, poupou 229 mil dolares por ano em contas de electricidade reprogramando o sistema de arrefecimento para manter uma temperatura de 27,2 gruas. A Microsoft economizou 250 mil dólares por ano, aumentando a temperatura  dois a quatro graus.

“Se pudermos elevar a temperatura no centro de dados não teremos necessidade de tanta refrigeração, e por isso precisamos de menos equipamento de electricidade”, explica Richard George, director de serviços de cloud computing da Intel, em entrevista com a Techworld. “Se fizermos isso poderemos poupar 2,4 mil milhões de dólares em energia por ano. Isso é uma enorme poupança, se olharmos para ele em todo o mundo”.

E os outros componentes?
No entanto, Mark Peters – analista do Enterprise Strategy Group – disse à Bloomberg que a mudança para temperaturas de funcionamento mais altas exigiria um compromisso de outros fornecedores de componentes (além da Intel).”A Intel pode ter projectado os seus chips para funcionarem a temperaturas mais elevadas, sem aumentar riscos, mas outros componentes não estão”, disse Peters.
George diz que o aumento da temperatura é apenas uma parte da história quando se trata de criar uma eficiência energética nos centros de dados. Refere como exemplo de futuro, o Computing Coop da Yahoo,  em Lockport (Nova Iorque), o qual tem uma eficácia estimada de uso de energia (Power Usage Effectiveness), com classificação de 1,1.
O centro de dados funciona sem aparelhos de refrigeração, e só precisam de água para apenas alguns dias por ano. “Nós precisamos de olhar para aspectos como o consumo de energia, não apenas da CPU em si, mas de todos os outros componentes instalados no centro de dados. E ao torná-los mais eficientes vamos retirar muito calor dos centros de dados e reduzir bastante o consumo de energia”, diz.
A Intel está a desenvolver muito trabalho na eficiência de edifícios. Actualmente possui um dos edifícios mais eficientes do mundo, em Israel.
A infra-çestrutura utiliza o excesso de calor do centro de dados para aquecer os chuveiros, e condensação das unidades de ar condicionado é utilizada para regar as plantas. No ano passado, a Intel também anunciou que a adição de novos sensores aos seus chips para servidores.
Tem como objectivo ajudar as empresas a melhorarem a eficiência dos sistemas de refrigeração, para reduzir os custos operacionais e prolongar a vida útil dos equipamentos. A Intel diz que disponibilizar dados para serem utilizados por ferramentas de modelação de fluxos de ar e refrigeração em centros de dados.
Procura assim fornecer uma forma mais precisa de descobrir os pontos quentes e pontos frios dos  centros de dado, além de possibilitar simulações –  para se perceber onde colocar novos equipamentos de TI e manter uma refrigeração eficiente.




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