Benefícios de ERP como SaaS colocados em causa

Não há dados claros sobre as reduções de custos prometidas e o modelo pode ser demasiado restritivo, de acordo com alguns analistas.

Vários analistas alertam  para a necessidade de as empresas terem em consideração determinados aspectos antes de adoptarem um ERP em modelo de software como um serviço (SaaS).  Nem a redução de custos, normalmente associada à cloud computing, é garantida.
Implantar um ERP  numa empresa pode ser uma  dor de cabeça. Existem barreiras altas de adopção, tanto em termos de esforço financeiro, como no investimento necessário fazer em especialistas em TI para manter aplicação a funcionar. Naturalmente, usar um ERP através de um modelo de software como um serviço parece ser a maneira perfeita para mitigar esses problemas.
Andrew Dailey, diretor da MGI Research, na Califórnia, diz que há certos casos nos quais um modelo de SaaS pode ser benéfico. Contudo devem ser abordados com cautela.
“Se uma empresa precisa de um sistema empresarial em muito pouco tempo, um sistema de SaaS pode ser um modelo atraente”, diz. “Uma organização tem de investir nele, mas está a pagá-lo de forma diferente”.
Dailey diz que as empresas por vezes só vêem a redução de custos imediata proporcionada por um sistema de ERP em SaaS. “Mas não há dados para sustentar como o modelo SaaS é mais barato do que a opção por uma instalação local “, alerta. “Assumindo um modelo de despesas de cinco anos, os custos acabam por ser semelhantes”.
Aleksey Osintsev, da Technology Evaluation Centres, concorda com Dailey. “Os procedimentos de corte de custos seguem normalmente esta lógica”, diz . Muitas vezes as empresas são seduzidas pelo menor custo de instalação pois “o SaaS proporciona cortes de custos de TI drásticos”.
Mas ele alerta para a necessidade de as empresas estarem cientes das restrições às quais estão sujeitas no seu sector. “Existe legislação que impede as empresas de usar software onde eles não “detêm”os dados, ou fora do país”.
Osintsev também acredita que as empresas devem ser cautelosos sobre o quanto poderão adaptar o ERP à suas necessidades. Ou mesmo sobre a possibilidade de aumentarem o software ERP, num modelo SaaS.
” Fazer algumas modificações em aplicações baseadas na cloud  nuvem é ainda uma questão sobre qual existem dúvidas”, explica. Este aspecto também preocupa Dailey: “Há os benefícios associados a uma solução SaaS, e depois existe a realidade de muitas empresas”, diz.
“Numa solução interna, quando se deseja actualizar uma parte da solução, é necessário actualizar toda a solução. No modelo SaaS não se tem o controlo sobre o processo de actualização”.

Actualizações forçadas
Mas há mais: às vezes as actualizações são forçadas num modelo de SaaS. Dailey considera que as empresas passam a ter, em geral, menos controlo sobre todos os aspectos do software.
“Quando uma nova funcionalidade é lançada, os clientes não podem escolher se a querem ou não”, explica Dailey. Isso pode ser um problema se a novidade  vier na realidade, retardar processos de negócios. Ou se, por exemplo, mudarem a interface do utilizador de forma drástica, tornando difícil de encontrar, as características mais úteis.
Osintsev diz que muitos desses problemas, tanto de segurança como de conformidade ou de readaptação, podem ser resolvidos: se os clientes forem minuciosos no contrato estabelecido com o seu fornecedor de ERP. “Conheço alguns casos nos quais os fornecedores de software não fornecem os dados de volta aos clientes, quando o contrato acaba”, revela.
Para o mesmo analista, o mais importante a fazer na adopção de um  ERP em SaaS, é estudar o contrato em detalhe e confirmar que as todas preocupações são resolvidas. A recuperação de dados, as garantias de serviço e as actualizações devem merecer a maior das atenções.




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