Refer Telecom investe 950 mil euros em cloud computing

Em parceria com a HP, o operador quer explorar o mercado de cloud computing para PME, e prevê receitas em torno dos 600 mil euros associadas a esse negócio, no prazo de três a quatro anos.

A Refer Telecom investiu perto de 950 mil euros para disponibilizar a partir dos seus três centros de dados, uma oferta de cloud computing. Um dos principais elementos de diferenciação será a imagem de rigor e qualidade de serviço associado a um fornecedor de serviços de TIC para o sector ferroviário.
O presidente da empresa, Eduardo Pinto, revela que o plano de negócios realizado prevê receitas em torno dos 600 mil euros dentro de três a quatro anos. Segundo este responsável, a oferta  dirige-se sobretudo ao mercado português de PME.

Contudo, a plataforma de cloud computing terá margem para crescer e servir outras ambições. O presidente do conselho de administração da empresa, Castanho Ribeiro considerou-a uma oferta importante para a consolidação dos sistemas de informação das empresas públicas de transporte.

São organizações com sistemas de informação assentes em infra-estrutura própria. E numa lógica de optimização das mesmas, com benefícios de redução de custos, o executivo sugere a concentração dos referidos sistemas de informação,numa só plataforma de cloud computing.

Na visão do director de infra-estrutura e exploração da Refer Telecom, Pedro Gonçalves, a proposta pode ser um veículo para a empresa entrar com a sua nova oferta no sector público. Para o responsável, a conjuntura actual é favorável a essa lógica e por isso é um “momento claro de oportunidade”.
Questionado sobre a possibilidade de internacionalização da oferta, Eduardo Pinto, deixa para daqui a três a quatro anos essa hipótese. O executivo prefere esperar pela consolidação da plataforma e evolução da tecnologia, a qual deverá sofrer ainda importantes mutações – na visão do responsável. “Outras empresas portuguesas terão maior vocação” para essa estratégia,  considera.

Apesar de a HP ter também uma oferta para plataformas de cloud privadas, a relação do fabricante com o operador mostra sinais de ser sólida. O director da Unidade de Negócio de Servidores, Armazenamento e Redes da HP em Portugal, João Moro garante que na estratégia de abordagem do fabricante ao mercado de cloud computing, a oferta agora anunciada será sempre considerada e apresentada aos clientes.
O acordo envolve condições partticulares. Por exemplo, quando a infra-estrutura da Refer Telecom estiver com 80% da sua capacidade ocupada, o fabricante fornecerá automaticamente mais equipamento, explica Pedro Gonçalves. Segundo com o mesmo, o negócio permite ao operador obter um preço mais equilibrado, tendo em conta investimentos necessários de expansão. Além disso, não será necessário perder tempo a negociar novos fornecimentos, tanto para servidores como para sistemas de armazenamento.

Platforma com três pilares

A plataforma de cloud computing apresentada, está repartida pelos três centros de dados da empresa no país, em Lisboa, Porto e Viseu. Em cada um, foi instalado um Bladesystem Matrix e um sistema de armazenamento 3PAR, a infra-estrutura física de suporte à plataforma de cloud computing. Para geri-la foi adoptado o Cloud System Automation, da HP.
A distribuição por três centros de dados serve as práticas de redundância, de Disaster Recovery e Business Continuity, adoptadas pelo fornecedor. E será promovido como elemento  de diferenciação o facto de os centros estarem todos em Portugal.

Pedro Gonçalves diz que a empresa não considerou necessário fazer qualquer investimento em segurança. Assumiu como suficiente o equipamento já instalado: a empresa funciona com duas áreas de segurança, cada uma com ambientes tecnológicos homogéneos de fabricantes diferentes. Mas a segurança da plataforma está assegurada apenas por uma das áreas.

Oferta SaaS em preparação

Actualmente a oferta de cloud computing da Refer Telecom, inclui IaaS, PaaS, e SaaS subdividindo-se em seis mais específicas: centro de dados virtual, serviço de e-mail, servidores virtuais, armazenamento, terminais virtuais, serviços de VoIP e FoIP(fax).
Segundo Pedro Gonçalves, o operador está a preparar uma oferta de software como um serviço (SaaS), estando ainda a fazer testes e em conversações com fabricantes de software. Apesar disso, mostra-se já aberto a conversar com pontenciais clientes sobre soluções, capazes de serem adoptadas para cada caso em específico.
Para oferta de terminais virtuais, a abordagem é, para já, a mesma: só depois de uma consulta, o fornecedor avançará com uma proposta. Aliás, os serviços disponíveis funcionam em regime de pagamento após a utilização, embora a empresa esteja a preparar o suporte a um serviço pré-pago.
Na oferta de centro de dados, o operador procura promover a sua capacidade de receber volumes de trabalho, em conformidade com as normas suportadas pelo equipamento da HP. Mas no caso de não haver a compatibilidade necessária entre sistemas, Pedro Gonçalves diz que a Refer faz a migração para a sua infra-estrutura e reutiliza o equipamento do cliente de outra forma.

Facturação de 2011 deve cair

O presidente da Refer Telecom, Eduardo Pinto revelou que a facturação da empresa deve recua,  face à do ano passado, para 24,1 milhões de euros – em  2010, o volume de negócios ascendeu a 25, 2 milhões de euros. Mais de metade (51%) do negócio já é concretizado fora do grupo Refer. Grande parte está a associado a serviços de comunicação para outros operadores concorrentes. Este ano o volume relativo a serviços de TIC (para clientes exteriores ao grupo) deverá atingir os 1,6 milhões de euros, 7% do total de facturação.
O investimento da empresa ascenderá a 12 milhões de euros, revelou o presidente.




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