Maior desafio da próxima CEO da IBM é obter lucros

Os resultados do fabricante ficaram aquém das expectativas dos analistas, mas a empresa manifestou confiança e até aumentou as suas expectativas de resultados para 2011.

O maior desafio de Virginia Rometty como CEO da IBM será continuar a obter lucros numa economia global fraca, de acordo com o analista da IDC Frank Gens. Se as condições não melhorarem, “as pessoas não vão comprar tecnologia ao ritmo que a IBM e o resto da indústria gostaria”. Contudo, a executiva nomeada para substituir Sam Palmisano tem gerido as vendas da empresa com sucesso mesmo durante a crise, acrescentou.
Na semana passada, a IBM anunciou aumentos nas vendas e lucros trimestrais para o período encerrado em Setembro: as receitas ficaram um pouco aquém das expectativas dos analistas. Anualmente, o lucro trimestral da IBM cresceu anualmente 7%, 3,8 mil milhões de dólares, enquanto as vendas subiram 8%, para 26,16 mil milhões de dólares. As áreas de negócio com melhores resultados englobaram o software, com crescimento de 13%, e receitas de 5,8 mil milhões de dólares; os sistemas Power, com um incremento de 15% em vendas, e o segmento da tecnologia para cloud  computing, cujas vendas duplicaram de ano para ano.

Apesar das preocupações manifestadas sobre as vendas, na semana passada a IBM exprimiu confiança na sua capacidade de atravessar um período de clima económico difícil: aumentou as  suas expectativas de resultados referentes ao ano fiscal de 2011, de 13,25 dólares para pelo menos 13,35 dólares.

Estratégia forte

“Ginni Rometty tem liderado com sucesso várias operações importantes da IBM nos últimos dez anos – desde a formação da IBM Global Business Services ao desenvolvimento de nossa Growth Markets Unit”, diz Palmisano, num comunicado. “Em cada papel de liderança, ela reforçou a nossa capacidade de integrar os recursos da IBM para os nossos clientes”.

O trabalho realizado na integração da PwC e na constituição de  uma equipa global com mais de 100 mil consultores, além de outros papéis desempenhados na empresa, fizeram dela uma força motriz para a estratégia Smarter Planet, da IBM, segundo Gens (IDC). A visão Smarter Planet está focada no uso da tecnologia para transformar as empresas, governos e indústrias.

“Acho que a sua estratégia tem sido comprovada como sendo muito forte”, considera o analista. “Ela representa a continuidade dessa estratégia”.

Esperam-se poucas mudanças
Há décadas na organização, Rometty tem uma boa compreensão sobre o software da IBM, serviços e negócios de hardware, de acordo com o analista da Technology Business Research, Chris Foster. Na sua perspectiva, os clientes não devem esperar grandes alterações com a nova liderança.

“A empresa funciona muito baseada em processos, e portanto os processos não vão mudar”, diz Foster. Se há algum aspecto no qual Rometty possa ser melhor do que Palmisano é na abordagem aos clientes. Ela tem a reputação de conseguir fazer os clientes sentirem-se envolvidos, explica.

Sob a gestão de Palmisano, CEO desde 2002 e presidente do conselho a partir de 2003, a IBM vendeu o seu negócio de PC à Lenovo. Reforçou o enfoque em serviços e expandiu as suas operações nos mercados emergentes, incluindo na China, na Índia, no Brasil e na Rússia.

A IBM, com o seu vasto portefólio de produtos empresariais, é um barómetro importante das TIC corporativas. “Sam teve a coragem de transformar a empresa com base na crença de que a tecnologia de computação, a nossa indústria, até mesmo as economias do mundo mudariam de forma histórica”, disse Rometty num comunicado. “Hoje, as estratégias da IBM e o seu modelo de negócios estão correctas. A nossa capacidade de executar e alcançar resultados consistentes para clientes e accionistas é forte”.

Transição sem sobressaltos

A operação de substituição de CEO na IBM contrasta com as de alguns rivais, considera Gens. Por exemplo, a Hewlett-Packard passou recentemente por duas mudanças abruptas na gestão de topo, em menos de um ano.  E a CEO da Yahoo, Carol Bartz, foi forçada a sair no mês passado sob pressão dos accionistas.

O sector das TIC já esperava que Sam Palmisano saísse no cargo por volta dos seus 60 anos de idade, como outros CEO da IBM têm feito. “Eles fizeram uma ciência do planeamento da sucessão”, explica Gens.




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