Lançados os primeiros satélites europeus para GPS

Os dois primeiros satélites do programa Galileo da União Europeia foram hoje lançados.

O Galileo, programa europeu de GPS, tornou-se realidade esta sexta-feira com o lançamento dos dois primeiros satélites operacionais a partir da Estação Espacial Europeia em Kourou, na Guiana Francesa.
O Galileo, que vai começar a operar em 2014, deve gerar benefícios económicos e sociais no valor de cerca de 60 mil milhões a 90 mil milhões de euros nos próximos 20 anos. O projecto teve um início hesitante em 2008 e tem sido marcado por discussões sobre o seu financiamento desde então.
“O desafio agora é assegurar um financiamento suficiente no futuro. O Galileo deve estar operacional o mais rapidamente possível. Não nos podemos arriscar a perder terreno para os nossos concorrentes globais”, disse Herbert Reul, presidente do Comité da Indústria, Investigação e Energia do Parlamento Europeu. Uma recente proposta de orçamento aponta para os 7.000 milhões de euros para implementar e operar o Galileo.
O Galileo combina o mais preciso relógio atómico – com uma precisão de um segundo em três milhões de anos – com um poderoso transmissor para emitir dados de navegação para todo o mundo. Os primeiros satélites foram lançados por foguetões Soyuz e vão ser seguidos por mais dois no próximo ano. Estes irão realizar a fase de validação em órbita mas, no total, serão lançados 30 satélites.
“O lançamento de hoje é um grande passo para a Europa e para os seus cidadãos. É de importância estratégica, não só para a competitividade da nossa indústria e para a criação de emprego, mas também para garantir a independência da Europa na tecnologia e política espacial”, disse o presidente da Comissão, José Manuel Barroso. “Vai beneficiar desde empresas de navegação a gestão de frotas, finanças, energia eléctrica e telecomunicações. Actividades espaciais relacionadas são também fundamentais para a estratégia da Europa 2020, ao criar empregos qualificados, oportunidades comerciais e impulsionar a inovação em toda a Europa”.

Critical Software no Galileo

Nota para a empresa portuguesa Critical Software que desenvolveu alguma tecnologia para o projecto. Em comunicado, Paulo Guedes, responsável pelo desenvolvimento de negócio no mercado Espaço da Critical Software, explica que a empresa “foi responsável por desenvolver um subsistema de encriptação ‘on-board’ que protege contra acessos indevidos e não autorizados, e com isso garantindo que a segurança do sistema no seu todo não está comprometida”.
A empresa “realizou ainda análises de RAMS (Reliability, Availability, Mantainability e Safety) ao software de forma a garantir o nível de segurança exigido no sistema. Estas análises permitem descobrir relações de causa efeito de possíveis falhas e conferir níveis de criticidade aos diferentes componentes de software.
Ao mesmo tempo, e no que toca aos centros de controlo da constelação, a Critical Software não só desenvolveu componentes, como também suportou actividades de fiabilidade e análise de criticidade do software de acordo com os standards de desenvolvimento de software que são específicos do Galileo”.
Segundo Paulo Guedes, foi ainda desenvolvido “um algoritmo com inteligência artificial que permite cumprir com os requisitos de performance de alguns componentes críticos”.

Contribuição da GMV
Também a GMV contribuiu para o Galileo, “no qual trabalha continuamente desde 2005”, explica a empresa em comunicado, nomeadamente no “envolvimento das equipas de engenharia em vários projectos nos quais detiveram responsabilidade contratual ao segundo nível abaixo dos construtores de satélites, Astrium e ThalesAleniaSpace. A empresa fornece subsistemas do segmento terrestre de missão, principalmente dentro do OSPF (Orbit Synchronisation Processing Facility) e do MDDN MNE (Mission Data Dissemination Network Element), onde software crítico de tempo real é desenvolvido e testado por equipas experientes, de acordo com exigentes normas de qualidade da Agência Espacial Europeia.
José Luís Freitas, responsável pelo desenvolvimento de negócio do sector aeroespacial considera que “as metas alcançadas durante estes seis anos são a prova definitiva de que a GMV está qualificada para actividades futuras no domínio do software crítico aeroespacial”.
A empresa recorda que “no próximo ano, será enviado o segundo par de satélites. O lançamento destes quatro primeiros satélites servirá como teste ao sistema Galileo, antes de serem colocados em órbita os restantes 26 satélites da constelação”.




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