Cinco fracassos da Apple gerida por Steve Jobs

Sem colocar em questão o génio do empreendedor, o seu percurso não está isento de iniciativas menos felizes. Talvez só comprove mesmo a sua perseverança.

Steve Jobs foi reconhecido por revolucionar os mercados de computadores, dos telemóveis e da música digital, e por revitalizar  e consolidar um nicho de dispositivos: os tablets. No entanto, as propostas da Apple gerida pelo empreendedor recentemente falecido nem sempre encantaram o mercado.

Houve também produtos com curtíssimos períodos de vida, que deram mais dores de cabeça em vez de produzirem magia. A lista inclui desde um rato redondo de ergonomia duvidosa, até um computador de alta gama – o qual aquecia muito e parava, recomendando o fabricante que se levantasse “a máquina e a largasse com força”, para esta voltar a funcionar.

Apple III (1980- 1984)

Com o objectivo de lançar uma máquina para o mercado empresarial, a Apple introduziu no mercado, em Maio de 1980, o Apple III (conhecido pelo nome de código “Sara”). Porém, ao contrário do conhecido Apple II (vendeu entre cinco e seis milhões de unidades), este computador, capaz de suportar até 256KB de memória RAM, foi um fracasso.

O preço do Apple III chegava a 7.800 dólares, uma quantia ainda hoje exorbitante. Além disso, o computador tinha falhas graves de concepção. Não era possível o utilizador expandir a capacidade do computador com os próprios acessórios da Apple, principalmente, pelos problemas de sobreaquecimento. Curiosamente, por sugestão do próprio Jobs, o Apple III não possuía ventoinhas ou saídas de ar. Isso fazia o processador saltar da placa-mãe devido ao aumento da temperatura, e as disquetes derretiam dentro da máquina.

O produto foi descontinuado em 1984, ano de lançamento do conhecido Macintosh. Quando o computador parava de funcionar devido ao excesso de calor, a própria Apple recomendava aos utilizadores que suspendessem o computador a 80 centímetros da mesa e o soltassem , para o impacto encaixar novamente os chips.

Rato USB “hockey puck” (1998-2000)


Esse objecto circular fez parte do ecossistema de produtos da empresa de Cupertino por pouquíssimo tempo, e as razões eram muito simples: um desenho que não seduziu e uma ergonomia que não convenceu.

Com um único botão na parte superior, tinha ranhuras muito suaves impedindo o seu uso intuitivo e era desconfortável. O cabo era curto demais e, se por acaso a porta USB do portátil fosse utilizada para receber o conector do rato, não podia ser usado pela mão direita do utilizador. Além disso, o desenho redondo provocava confusão a algumas pessoas: só ao movimentar o periférico era possível saber se estava na posição vertical ou horizontal.

Power Mac G4 Cube (2000-2001)


Um computador com desenho admirável (a máquina faz parte do acervo permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York), com uma grande quantidade de componentes armazenados um cubo com faces de 20x20x20 centímetros. Mesmo com todos esses pontos positivos, não teve sucesso.

O Cube, considerado o pai do Mac Mini, foi a concretização da paixão de Jobs por computadores cúbicos (à semelhança do NeXT Cube, criado durante o período em que estava afastado da Apple), sofria de problemas no chassis e de sobreaquecimento. Relativamente fraco em questões de hardware, o G4 Cube tinha dificuldades de expansão e de troca de peças. O preço era muito alto para o que oferecia (200 dólares mais caro do que o PowerPC G4). Tudo isso resultou em vendas de apenas 12 mil unidades.

iPod Hi-Fi (2006-2007)

Há no mercado diversos modelos das chamadas “dock stations”, que permitem reproduzir músicas enquanto carregam os leitores iPod dispositivo. O iPod Hi-Fi foi uma aposta da Apple nesse segmento, mas o acessório era tudo, menos portátil e acessível.

Pesava cerca de 6,5 quilos e custava nada menos de 350 dólares, mais  do dobro do preço dos sistemas da altura. Embora potente, o aparelho era enorme. Mesmo sendo apresentado por Steve Jobs como um equipamento que “reinventava o som stereofónico doméstico”, foi descontinuado em 2007.

Ping (2010 até hoje)

Apresentada durante o evento de música da Apple, ocorrido em Setembro de 2010, a rede social Ping prometia recursos como: acompanhar a actividade de amigos do utilizador e artistas favoritos, descobrir sobre o que estão a discutir, ouvir músicas e descarregar conteúdos. Nas primeiras 48 horas, foram criadas mais de um milhão de contas – mas o sucesso ficou por aí.

Por funcionar apenas através do iTunes, sem uma alternativa Web e devido à sua falta de integração com outras redes sociais, o Ping não vingou. Mesmo com a possibilidade de se partilhar os gostos musicais com os outros utilizadores e seguir os cantores predilectos, o serviço não seduziu. Apesar de o Ping estar activo, a sua inflexibilidade e falta de popularidade parecem sublinhar que, assim como o Wave e o Buzz, da Google, o serviço pode estar a caminho da descontinuação.



  1. voces são uma desgraça por publicarem um artigo destes, poucos dias depois da sua morte

  2. E o caro anónimo asdf fazia melhor em ler os textos antes de emitir críticas sem substância.

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