Microsoft processada por recolha de dados não autorizada

Uma norte-americana alega que o fabricante recolheu indevidamente dados seus gerados por um Windows Phone 7.

Uma utilizadora de um smartphone Windows Phone 7 (WP7) instaurou um processo contra a Microsoft, alegando que a empresa recolhe dados de telemóveis sem o conhecimento dos clientes. De acordo com o processo de acusação de Rebecca Cousineau, de Seattle, os dados recolhidos incluem informações de localização.

A recolha é feita a partir de dispositivos equipados com WP7, como o HTC 7 Mozart e o Samsung Omnia 7, quando a câmara do aparelho está ligada, de acordo com a acusação. Mesmo quando o utilizador tenha optado por não gravar os seus dados.

Clousineau pede aos tribunais uma acção capaz de impedir a Microsoft de recolher dados, além de uma punição para a companhia. O fabricante ainda não se pronunciou.

O processo judicial acusa a empresa de ter enganado o congresso dos Estados Unidos, quando afirmou este ano que não recolhia dados de utilizadores  de dispositivos móveis sem permissão, de acordo com a Reuters. Numa carta de resposta a questões colocadas por vários membros da Casa dos Representantes (OQ), a Microsoft admitiu que “recolhia informações limitadas necessárias para determinar a localização aproximada de um aparelho”.

Mas ressalva que “a recolha é feita sempre com o consentimento expresso do utilizador e o objetivo da recolha nunca é monitorizar onde esteve ou para onde vai um aparelho específico”. A Microsoft recolhe dados de localização dos utilizadores para proporcionar “experiências úteis e relevantes aos utilizadores, como informação sobre opções locais de cinema, indicações para chegar a uma cafeteria nas proximidades ou para encontrar uma festa de amigos”, diz a carta.

A Microsoft, a Apple, a Google e a Nokia participaram numa audiência do Congresso realizada este ano sobre práticas de recolha de dados por fabricantes de sistemas operativos móveis (iOS, Android e o já citado WP7, por exemplo). O fórum seguiu-se  a revelações de investigadores segundo os quais  a Apple estava a recolher dados de localização de utilizadores de iPhone sem o consentimento destes.

A investigação chegou à conclusão de que os dados, reunidos a partir de torres celulares, eram armazenados num ficheiro mal protegido nos dispositivos dos utilizadores. São depois copiados para o computador do utilizador quando é feita a sincronização de dados entre o smartphone e o programa iTunes, da Apple. O problema acabou por ser resolvido pela companhia na versão 4.3.3 do iOS.

Depois das revelações da Apple , a Google admitiu que também recolhia dados de smartphones equipados com o seu sistema Android. Mas diz que todos os elementos de ligação entre a origem dos dados a uma pessoa são eliminados depois da recolha. Além disso, argumenta que o processo de recolha pode ser desligado quando o utilizador configura o smartphone Android.
A Apple impõe que os utilizadores tenham de optar por usufruir de serviços de localização, mas isso é apenas para aplicações e sites com processos de recolha de dados de geolocalização.

[actualização a 5 de Setembro: A Microsoft negou a acusação, à semelhança do que já havia feito em Maio passado, como é referido no texto.]




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