Promessa por cumprir

Teste ao PlayBook da RIM revela um dispositivo que não envergonha mas está muito longe da concorrência em termos de aplicações.

A Research In Motion (RIM) lançou o seu tablet em Abril. Por cá, a Vodafone Portugal lançou-o no início de Junho. Testámo-lo agora.
O PlayBook tem um processador “dual-core” a 1 GHz e 1 GB de RAM, memória interna de 16 GB (há modelos de 32 e 64 GB) e está disponível a partir de 480 euros (sem IVA), na oferta empresarial da Vodafone.
O PlayBook permite ligação à Internet e a algumas aplicações (acesso ao e-mail, aos contactos ou ao calendário) utilizando um smartphone BlackBerry como modem. Doutra forma, e para quem não necessita desta sincronização com o smartphone, a maioria das tarefas online podem ser feitas com a ligação WiFi.
O emparelhamento funcionou à primeira e, segundo a empresa, é feito através de uma ligação segura.
O browser é rápido a aceder às páginas, com boa definição. A ampliação das páginas é eficaz e a resolução aumentada é bastante boa.
A câmara traseira de cinco megapixéis tem uma resolução razoável – até porque não é muito prático usar o tablet para fotografar. Não é difícil mas não é prático. A frontal tem uma resolução de 3 megapixéis, suficiente para “videochat”.
A definição do ecrã LCD multitáctil é boa e, apesar das pequenas 7 polegadas (1024×600 WSVGA), é mais do que suficiente para a visualização da maioria dos documentos ou vídeos (o Adobe Flash funciona sem grandes problemas).
O arranque é rápido, o som é bom, tem GPS, duas portas Micro USB e Micro HDMI, pesa 426 gramas, e quase se pode dizer, em resumo, que é um excelente dispositivo. Mas…
O ecossistema das aplicações é fraco. Mesmo contando com as pagas, há muito trabalho a fazer pela RIM neste domínio.
É verdade que algumas aplicações de produtividade estão desde logo disponíveis no PlayBook, assim como outras (para acesso a redes sociais, por exemplo). Mas faltam inúmeras no BlackBerry App World, muitas das quais já estão disponíveis para iOS ou Android. Mesmo ao nível dos jogos casuais, ideais para este tipo de equipamentos, a oferta é muito fraca – quando não é desajustada ao ecrã, não tendo sido efectuada qualquer adaptação de títulos desenvolvidos para os smartphones.
Quando isso ocorre (um exemplo testado foi Need for Speed), a máquina responde bem, a resolução é óptima e a experiência é bastante positiva.
Positiva é também a duração da bateria, apesar da demora a carregar (mais de quatro horas para o fazer totalmente). Mesmo com Bluetooth e/ou WiFi activado, a bateria tem uma boa performance. Mas, aparentemente, esta eficácia vai diminuindo com o tempo.
A interface com o sistema operativo QNX (fruto da aquisição em 2010 da QNX Software Systems) e com as aplicações estranha-se inicialmente mas depois torna-se muito intuitiva e fácil de interagir. Tem apenas de se navegar para cima, para baixo e lateralmente – em multitarefa, por exemplo, para saltar entre aplicações (ver imagem em baixo). Esta opção é bastante funcional, permitindo optimizar o tempo, fazendo algo numa aplicação enquanto se espera que outra arranque.

Destinado ao mercado empresarial, entende-se esta opção de ter um modelo fechado, mais seguro. Mas a alternativa de procurar e usar aplicações no browser inviabiliza a garantia desse ambiente seguro.
A abertura da RIM às aplicações Android chegou a ser falada mas não resultou ainda em algo visível.
Em resumo, o PlayBook é uma boa peça de hardware a que lhe falta ainda software.




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