Alcatel-Lucent e Ericsson avançam nas comunicações

A Ericsson demonstrou ligações de LTE Advanced transmitindo dados a mais de 900 Mbps, enquanto a Alcatel-Lucent anunciou um novo chip para routers de extremo de rede, capaz de encaminhar tráfego a 400 Gbps.

Um processador da Alcatel-Lucent poderá estabelecer um padrão na indústria: o FP3 foi preparado para suportar o encaminhamento de tráfego a 400 Gbps (gigabits por segundo), tanto no extremo da rede como no seu núcleo. Quase na mesma altura, a Ericsson anunciou mais um avanço nas comunicações sem fios: demonstrou a utilização da norma LTE Advanced a mais de 900 Mbps, embora usando três vezes o espectro utilizado por normas menos avançadas.

Foi a primeira vez que a Ericsson exibiu funcionalidades chave suportadas em LTE Advanced, como a agregação de operadores em ambiente de mobilidade, usando espectro emprestado pelo regulador sueco PTS.

A maneira mais fácil de aumentar as velocidades de banda larga móvel é  utilizando canais mais amplos. Mas o espectro é um recurso limitado, por isso a indústria de telecomunicações teve de chegar a uma solução capaz de contornar essa realidade, com a agregação de operadores. A tecnologia permite aos operadores conjugarem espectro em bandas diferentes e usá-lo como uma única ligação de dados.

A demonstração da Ericsson assentou em três canais de 20 MHz tendo registado velocidades de download de cerca de 940 Mbps. É tanto como três vezes o espectro usado pela  actual geração de LTE,  a executar no seu melhor, a cerca de 80 Mbps.

Um recente teste da rede TeliaSonera em Estocolmo ultrapassou os 84,5 Mbps. O objectivo da Ericsson foi salientar a importância de haver espectro radioeléctrico suficiente e harmonizado, e o regulador sueco concorda.

Mas usar a agregação não é suficiente para se atingirem velocidades de 1000 Gbps. O fabricante também usou tecnologia Multiple Input Multiple Output (MIMO), capaz de aumentar as velocidades de download com o envio de dados através de múltiplas antenas – neste caso, oito antenas tanto na estação base como no equipamento do utilizador.

Até que ponto os fornecedores serão capazes de implantar a tecnologia  nos dispositivos ainda terá de ser provado. Mas será mais fácil em tablets e portáteis, de maior tamanho, do que em smartphones.

A Ericsson espera que os primeiros estágios de utilização da LTE Advanced se concretizem em operações comerciais durante 2013. A LTE ainda está na sua infância mas é a tecnologia de comunicações móveis com mais rápido crescimento, segundo a organização da indústria GSA (Global Mobile Suppliers Association).

Até agora, há redes comerciais lançadas na Áustria, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Alemanha, Hong Kong, Japão, Lituânia, Noruega, Filipinas, Polónia, Suécia, EUA e Uzbequistão, diz a associação num relatório publicado no mês passado. A GSA prevê que entrem em funcionamento até ao final do ano pelo menos 81 redes, estando 154 implementações a decorrer ou pelo menos previstas em 60 países.

Nos routers em 2012

O processador FP3 estará comercialmente disponível no portefólio de routers de serviços da Alcatel-Lucent em 2012. Logo no seu lançamento,  posicionou-se como o mais rápido concorrente aos rivais da Alcatel-Lucent e permitirá a este fabricante disponibilizar um router de núcleo, a suplantar os da Cisco ou da Juniper no futuro próximo.

A Alcatel pretende começar pelo extremo das redes dos prestadores de serviços de redes para enfrentar a explosão de  tráfego IP (Internet Protocol) proveniente dos dispositivos sem fio e serviços móveis para consumidores e empresas. A equipa do fabricante tem cerca de 10 engenheiros e já criou três gerações de chips para encaminhamento de tráfego.

Desta vez,  a empresa desenvolveu um processador capaz de tratar pacotes de dados à velocidade máxima,  servindo duas portas Ethernet de 100 Gigabit. Utilizando apenas dois processadores FP3, a Alcatel planeia construir uma placa com quatro 100-portas Gigabit cada uma capaz de operar em pleno tratando dados de entrada e saída.

Isto irá disponibilizar o dobro das portas de 100 Gigabit do que qualquer módulo existente, economizando espaço e energia. As placas de primeira linha equipadas com processadores FP3 terão duas portas e estarão disponíveis comercialmente em meados do próximo ano.

A norma de ligações 100-Gigabit Ethernet foi aprovada no ano passado, mas até agora foram fornecidas menos de 1000 portas baseada nesta tecnologia, aos operadores, de acordo com um analista da Infonetics, Michael Howard. Ao conjugar maior velocidade e portas no mesmo espaço e dispositivo, a Alcatel vai cortar os custos de implantação de 100 Gigabit, disseram outros analistas.

A Cisco, a Brocade e a Huawei têm mostrado placas com duas portas de 100 Gigabit, diz Howard. No entanto, todas essas placas utilizam pelo menos dois circuitos, enquanto a placa da Alcatel vai usar apenas um, explica. Isto deve aumentar ainda mais a eficiência dos componentes reforçando, ao mesmo tempo, a fiabilidade e simplificando a gestão dos mesmos, prevê.

A Alcatel tem alcançado grandes avanços nos routers de extremo de rede ao longo dos últimos anos, crescendo de 5% no mercado mundial em 2005 para 22% em 2010, diz o analista Shin Umeda, do Dell’Oro Group. É agora o segundo maior fabricante  de routers, tendo ultrapassado a Juniper Networks. No mesmo período, a líder de mercado Cisco Systems caiu de 58% para 42% de quota de mercado.

Há novos avanços no desenvolvimento de componentes capazes de impulsionar um aumento na capacidade dos routers de todos os fornecedores. Mas, para já e por enquanto, a Alcatel ganhou o primeiro lugar, considera Umeda.




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