Pela primeira vez desde 2005, diminuem vendas dos BlackBerry

Aa acções da RIM também caíram 15% após a divulgação dos resultados do trimestre. A empresa anunciou uma redução nas perspectivas de lucro e um plano de despedimentos.

Os resultados que a Research In Motion (RIM) divulgou na última quinta-feira desapontaram os especialistas de Wall Street, o que levou as acções da empresa a caírem 15% em apenas um dia. Dos dados alarmantes, destacam-se quatro:
– As vendas de smartphones da linha BlackBerry sofreram uma quebra pela primeira vez desde 2005. Cerca de 13 milhões de unidades foram comercializadas no primeiro trimestre, perante 14,9 milhões no anterior.
– Os novos telemóveis, que contarão com o sistema operativo BlackBerry 7 – incluindo o Bold 9900 – só vão aparecer no final do segundo semestre, o que fará com que percam o período de regresso às aulas na Europa e nos Estados Unidos.
– Dispositivos com o novo sistema QNX só deverão chegar em 2012.
– Se antes a previsão era de ganhos de 7,50 dólares por acção no ano, a estimativa agora é que esse valor fique entre os 5,25 e os 6 dólares.
Para piorar as coisas, minutos após a RIM anunciar uma previsão para despedimentos, o atraso na entrega de produtos e de reduzido lucro previsto para os próximos meses, um dos principais executivos da empresa tentou contemporizar dizendo que, apesar dos problemas, o trabalho continuava “divertido”.
O comentário deixou os analistas curiosos sobre o seu significado. A RIM, porém, continua na mesma posição em que se mantém nos últimos anos: um mercado empresarial ainda fiel às suas soluções, mas uma dificuldade cada vez maior em convencer utilizadores finais a comprarem os seus aparelhos.
“Tenho um enorme respeito pelo que a RIM já conseguiu, mas o que aí vem é algo completamente novo”, diz o analista independente Jeff Kagas. “Eles parecem não entender. As declarações dos seus líderes não me convencem”.
Os despedimentos deverão começar já neste trimestre fiscal, cujo término será no fim de Agosto. Actualmente, a RIM tem 17.500 funcionários.
Esperança
Um aspecto positivo no meio de um mar de incertezas é o relativo sucesso do tablet da empresa, o PlayBook. Foram vendidos cerca de 500 mil unidades do aparelho, cuja estreia ocorreu há menos de dois meses, em Abril. Mas a versão 4G do dispositivo – com suporte para LTE, WIMax e HSPA+ – ao contrário do que foi afirmado anteriormente, chegará ás lojas no Outono e não neste Verão.
Apesar das más notícias, o co-CEO da RIM, Mike Laziridis, afirmou que a empresa é um “negócio forte” e que está num processo de transição para grandes actualizações da sua plataforma.
Muitos analistas, no entanto, apesar de admitirem a forte presença da empresa no mercado corporativo, avaliam que os desafios serão difíceis daqui para frente, devido ao mercado em que ela actua, controlado maioritariamente pela Google, com o seu Android, e pela Apple, com o iOS.
“Creio que eles nunca pensaram que estariam numa posição tão delicada como esta”, considera Ken Dulaney, da Gartner. “Pode-se ver a partir das declarações de Lazaridis que o fracasso ainda não foi absorvido. O executivo não consegue admitir que os seus produtos já não estão entre os mais desejados”.
Ainda assim, tanto Dulaney como outros especialistas, vêem na RIM algumas diferenças em relação às rivais. Citam, por exemplo, a segurança da sua plataforma e a gestão que ela possibilita. “As soluções são muito boas para o mercado corporativo”, afirmou o analista da Gartner. “Vale a pena lembrar que eles têm smartphones com os melhores teclados, e que há consumidores que notam essa característica como essencial. A diferença é que esse público, antes, era muito maior”.
A maior falha da RIM continua a ser a sua incapacidade em desenvolver um bom smartphone com ecrã táctil – um problema comum também à Nokia.
O BlackBerry Storm, por exemplo, foi decepcionante, segundo Dulaney. “Isso será determinante para os próximos anos”, afirmou. “Na Gartner, apreciamos a RIM e as suas soluções para empresa – nisso, eles fazem um bom trabalho – mas muitos consumidores dizem-me que já não vêem a empresa como uma alternativa ao iPhone ou aos telemóveis com o Android”.
(Computerworld/IDG Now!)




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