ICANN aprova finalmente plano de expansão para domínios de topo

Custo do processo de candidatura para novos domínios de topo pode atingir os 500 mil dólares.

Após quatro anos de debate, decisores de política para a Internet aprovaram esta segunda-feira, em Singapura, um polémico plano para introduzir centenas de novas extensões de nomes de domínio para a infra-estrutura da Internet.
A Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) tem tentado avançar com o seu plano para os novos domínios genéricos de topo (gTLDs) em resposta às críticas recentes de governos, que queriam um maior controlo sobre o processo.
Tendo respondido à maior parte das preocupações governamentais, o conselho de directores da ICANN votou para prosseguir com o programa para os novos gTLDs como esperado. A votação foi de 13 aprovações, uma contra e 2 abstenções.
Actualmente, a Internet tem 22 gTLDs, incluindo o .com, .net e .org. Cerca de 210 milhões de nomes de domínio foram registados até Maio de 2011, com o .com a representar mais de 90 milhões deles, segundo a Verisign.
A ICANN considera o novo programa para os gTLDs como uma das maiores mudanças que alguma vez ocorreu no sistema de nomes de domínios (DNS) da Internet.
“A ICANN abriu o sistema de nomes da Internet para libertar a imaginação humana global”, diz Rod Beckstrom, presidente e CEO da ICANN, em comunicado. “A decisão de hoje respeita os direitos de grupos a criar novos domínios de topo em qualquer linguagem. Esperamos que isto permita que o sistema de nomes de domínio possa melhor servir toda a humanidade”.
A ICANN vai aceitar pedidos para os novos gTLDs de 12 de Janeiro a 12 de Abril de 2012, com atribuição prevista para 2013. A ICANN criou um Guia do Candidato, actualmente na sua sétima versão, que descreve os detalhes do processo de candidatura.
“Sentimos que este é um enorme mercado, e sabemos de uma série de marcas e de marcas comerciais que estão a considerar isto”, diz Alexa Raad, CEO da Architelos, empresa que oferece serviços de consultoria para candidaturas de novos gTLD. “Elas podem ser capazes de rentabilizar o seu tráfego online que se encontra actualmente disperso por vários sites de media sociais. Pode ser uma oportunidade para proporcionar uma melhor segurança e ter um maior controlo sobre as interações do utilizador”.
Para os CIOs e outros executivos que não se focaram em como os novos gTLDs podem afectar os seus negócios online, “agora é a altura de entrar em pânico”, considera Roland LaPlante, vice-presidente sénior e director de marketing da Afilias, que fornece serviços de registo para os .info, .org e 13 outros domínios de topo. “É preciso juntar uma equipa e tomar uma decisão “go/no-go” sobre se deve concorrer. É preciso ocupar-se com o processo de candidatura, que tem 50 perguntas… 22 das quais dizem respeito a questões técnicas”.
A ICANN passou anos a tentando obter consensos em torno do seu programa para os novos gTLDs com grupos como os de registos de nomes de domínio e os registadores [“registrars”], detentores de propriedade intelectual e governos de todo o mundo.
O programa enfrentou objecções à última hora do Governmental Advisory Committee (GAC) da ICANN, que quer deter a autoridade de vetar domínios propostos que considere ofensivos, como termos pornográficos. A ICANN propôs um sistema de alerta preliminar, que permite aos governos individualmente emitirem objecções a novos nomes de domínio, e dá aos candidatos a possibilidade de retirarem as suas propostas e receber um reembolso parcial pelas suas taxas de candidatura. Se os candidatos avançarem de qualquer maneira, o GAC precisará de chegar a uma opinião consensual de que uma frase em particular não deve ser adicionada à Internet.
“Isto tem sido uma objecção muito séria por parte dos governos; eles querem a autoridade para dizer que um conjunto de caracteres é censurável, e não o queremos na raiz”, refere LaPlante. “A ICANN está a tentar elaborar um processo”.
Outra questão pendente é como vai a ICANN lidar com os registos que falhem. Uma exigência para os candidatos é que eles tenham fundos suficientes em depósito para apoiar três anos de operações com o registo, mas não é claro quanto dinheiro é necessário. Uma opção é os candidatos juntarem o dinheiro num fundo de seguro que poderia lidar com os danos se um registo falhar. Outra opção é criar registos de emergência que podem activar-se e operar os registos falhados para que as entidades registantes tenham tempo para transferir as suas actividades online para um domínio diferente.
“A ICANN está a tentar certificar-se de que esses novos registos têm um plano de continuidade, para que se falharem, os ‘registrars’ não sejam deixados sem nada”, refere LaPlante. “A ICANN tem estudado um monte de modelos”.
O debate também continua em torno dos acordos de nível de serviço que a ICANN vai exigir para os registos, bem como para a protecção dos direitos dos proprietários de marcas.
A indústria dos nomes de domínio está à espera para ver quantas empresas vão registar os seus próprios nomes, por exemplo, .ibm ou .canon. Poucas anunciaram os seus planos até agora mas executivos do sector de DNS dizem que muitas se estão a preparar nos bastidores para o fazer.
“Estamos a ver um interesse acelerado em empresas nos Estados Unidos e na Europa”, assegura LaPlante. “Ninguém quer falar sobre o seu interesse, todos juraram segredo… Muitos deles não têm um uso específico para o gTLD. Não têm a certeza do que vão fazer com ele; simplesmente querem-no por razões defensivas e vão evoluir ao longo do tempo”.
As empresas podem esperar gastar meio milhão de dólares para obterem o seu próprio gTLD. Isso inclui uma taxa de inscrição na ICANN de 185 mil dólares, além de uma extensa quantidade de investigação e documentação para responder a todas as perguntas detalhadas que a ICANN inclui no processo de candidatura.
“Para algumas marcas, esta é uma oportunidade única que não existiu antes e não regressará novamente noutro par de anos”, diz Raad, da Architelos. “Mas com oportunidades, também há risco. Este não é o tipo de negócio em que se disponibiliza um produto, e talvez ele não funcione, e se pode tirá-lo da prateleira. Não há uma saída fácil neste negócio”.


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