Recomendações para optimizar o data center

Reduzir custos e melhorar a entrega de serviços num ambiente mais flexível são alguns dos ganhos.

Durante e após a recessão económica, muitas empresas encontraram uma forma criativa de gerir as TI sem alterar a infraestrutura existente. Mas o crescimento exponencial de dados trouxe um novo desafio, o da consolidação e optimização dessa infraestrutura.
A seguir, cinco recomendações comprovadas que ajudam o departamento de TI a transformar o centro de dados, diminuindo as despesas e possibilitando ganhos económicos e rápido retorno sobre o investimento (ROI).

1. Impulsionar as camadas inferiores do data center
Promover as camadas inferiores do centro de dados é uma das formas mais eficazes para reduzir custos. Isto porque, quanto maior é o nível do data center, maior é o investimento. Muitas organizações que possuem aplicações de alta disponibilidade possuem um data center elevado.
Embora essas aplicações obriguem a uma alta disponibilidade, é possível usar camadas inferiores para as aplicações que não são críticas e ainda para armazenamento de ficheiros. Na verdade, essa é uma iniciativa recomendada para qualquer empresa que não actue no governo ou no segmento financeiro.
Ao avaliar a opção de mudar para um data center de nível inferior, as necessidades de negócios e o tempo de recuperação em caso de desastres devem ser as principais preocupações dos gestores, já que o data center Tier-1 não conta com componentes de redundância.
A refrigeração e a operação de um servidor de cerca de 2.500 dólares num data center Tier-2 (com componentes de redundância) custam, em média, 1.320 dólares. Em Tier 3 (data center que permite manutenção sem paragens) o custo é de 1.870 dólares – uma economia de 42%. Se for tido em consideração o custo com electricidade, a diferença é ainda maior.

2. Consolidar as operações do data center
Um outro caminho para optimizar o centro de dados é a consolidação das operações internas. A oportunidade de reduzir significativamente os custos e obter ganhos ambientais, diminuindo a pegada de carbono, não pode ser ignorada. Seguir esse caminho possibilita ganhos de custos que variam de 20% a 60%.
No entanto, o investimento (em tempo e dinheiro) é tão importante quanto a economia que deverá ser gerada. Por exemplo, o governo da Austrália prevê gastar mil milhões de dólares americanos para economizar o mesmo valor durante o desenvolvimento de um projecto a 15 anos. Outro exemplo é a Intel. Com 100 mil servidores espalhados por mais de 97 data centers globais, a empresa começou a executar um plano em 2006, que deverá ser concluído em sete anos.

3. Escolha zonas de baixo custo para localizar o data center
Historicamente, grandes instalações de data centers estão localizadas num raio de cerca de 160 quilómetros da sede da empresa, estão próximos de um aeroporto e possuem características técnicas para rápido acesso por vias de comunicação.
Hoje, no entanto, a procura é por centros de dados que consomem pouca energia e em cidades pequenas. A Google, por exemplo, está num processo de completar a abertura de data centers em locais como o Oregon, um estado norte-americano conhecido pelas suas florestas, e a pequena cidade de Council Bluffs, que possui pouco menos de 60 mil habitantes, também nos Estados Unidos.
As organizações que procuram locais para instalar os seus data centers devem avaliar essa possibilidade e devem ficar atentas para negociar benefícios por meio de incentivos fiscais e de propriedade.

4. Redução do “footprint” do data center
Com o crescimento do volume de informações nas empresas, há uma constante necessidade de espaço. Por isso, é preciso avaliar e planear alternativas para construção ou locação de centros de dados para incrementar o que a empresa já tem.
As alternativas incluem desde instalações partilhadas em co-locação a cloud computing. Assim, é possível obter redução de custos, flexibilidade e escalabilidade.
Um exemplo interessante é o da empresa de investimentos Lehman Brothers, que saiu do mercado em 2008. A partir dela, criou-se a holding Lehman Brothers Holding Inc. (LBHI), empresa de terceirização de serviços de TI para ajudar os clientes a determinarem as tecnologias para obter infraestrutura de forma rápida, flexível, segura e com um bom custo/benefício.
Com essa reestruturação, foi fundamental para o sucesso da LBHI a decisão de alugar a infraestrutura de um data center mensalmente em vez de comprar os equipamentos. Essa escolha permitiu à empresa poupar investimento em capital humano, ao mesmo tempo que passou a utilizar serviços de gestão de projetos e outros serviços.
Com a transição das actividades para a holding, adoptou-se uma plataforma de cloud computing privada para aplicações sensíveis e as menos críticas foram migradas para um ambiente externo. Essa abordagem híbrida possibilitou uma redução de custos e baixa latência computacional. Com o objectivo de garantir a resiliência dos negócios, todos os ambientes foram replicados para um local de recuperação de desastre [“disaster recovery”].

5. SaaS e PaaS para trabalhar no data center
Até há pouco tempo, soluções de cloud computing como SaaS (software como serviço) eram conhecidas por serem usadas por muitos utilizadores e ideais para pequenas e médias empresas. No entanto, como as TI são cada vez mais direccionadas para a administração de orçamentos, mostrando um rápido ROI, o SaaS está a posicionar-se no topo da lista de soluções a serem consideradas por todos os tipos de organizações. Esse modelo não só reduz custos com a infraestrutura como também ajuda a acelerar o tempo de implementação de projectos.
A Plataform as a Service (PaaS – plataforma como serviço) oferece, do ponto de vista de infraestrutura, ambientes de desenvolvimento que reduzem a necessidade de hardware e elimina custos. Do ponto de vista de aplicação, as equipas de desenvolvimento podem utilizar PaaS para ter acesso a novos ambientes em tempo real, eliminando atrasos na entrega dos projectos. A PaaS trabalha com códigos abertos e geralmente podem ser facilmente integrados aos SaaS.

Comece um projecto

A optimização é uma oportunidade viável, já que tecnologias e estratégias estão a caminhar rapidamente. Soluções de SaaS e PaaS são a ponta do iceberg dessa mudança à medida que as empresas evoluem para uma era em que tudo está baseado na nuvem e os ambientes estão virtualizados.
Neste novo cenário, é ideal que a empresa defina um “roadmap” e uma estratégia para possibilitar benefícios aos negócios, como implementação de tecnologias para gestão de energia, ajudando na redução de custos e contribuindo para um planeta mais sustentável.
Como se sabe, até os planos mais bem elaborados podem falhar. Mas desenvolver um modelo transparente adequado aos negócios requer conhecimento do uso da tecnologia e dos negócios e depende ainda do alinhamento entre as áreas.
Para garantir a viabilidade e o sucesso de projectos de optimização do data center, é preciso executar um projeto-piloto para não só testar o plano mas também verificar os benefícios que pode possibilitar. Adicionalmente, muitas empresas escolhem uma consultoria externa para as ajudar na transformação e na construção de um projecto mais amplo de optimização.
(Network World/IDG Now!)




Deixe um comentário

O seu email não será publicado