Chromebook é “estupidez corporativa”

O mundo está a afastar-se da Internet e a Google pode perder o barco, diz o presidente e CEO da Forrester, George Colony, para quem o dispositivo proposto pela empresa é uma aposta contra a corrente.

O presidente e CEO da Forrester, George Colony,  apontou as suas baterias à Google e foi arrasador: considerou o lançamento do Chromebook, uma “estupidez corporativa” e questionou se a empresa do motor de busca não estará demasiado centrada na Web, para lidar com a nova onda – a App Internet.
O responsável começou por lembrar falta de capacidade de computação do Chromebook, as carências de armazenamento, e a  sua dependência da Web para funcionar. “Eu julgo ser um dos maiores actos de estupidez corporativa que eu já vi,” disparou Colony, sobre o dispositivo.

A opinião de Colony baseia-se na visão da Forrester, segundo a qual as pessoas estão a afastar-se gradualmente da Internet, para a adopção de aplicações em mobilidade, como o principal meio de obter informações. A tendência é impulsionada por utilizadores de iPhone e Android, acrescentou.

A Forrester denomina o uso generalizado de aplicações móveis como “App Internet”. O mercado mundial da Internet App terá chegado aos 2,2 mil milhões de dólares, 1,5 mil milhões de euros, segundo a consultora. E está a crescer a uma taxa composta anual de 85%, de acordo com o presidente.”É a arquitectura do futuro”, disse Colony.

A Google está muito centrada na Web, na opinião de Colony. Há só um factor atenuante para a Google: o seu negócio Android depende das aplicações móveis.

Contudo, observa que o Google  ainda realiza quase todas as suas receitas com anúncios na Web. Isso ajuda a explicar as razões porque a Google, mas também os fabricantes de PC, estão “em risco” na transição para um mundo focado nas aplicações.

Para se adaptarem à “Internet App” os fornecedores de hardware como a Hewlett-Packard e a Dell terão de mudar os seus modelos, recomenda Colony. Uma questão crucial diz passa por saber se conseguirão reformar o PC para este viver em na Internet App. A Microsoft “de certa forma já percebeu a ideia “, considera Colony, referindo a Silverlight, cujo potencial como plataforma de desenvolvimento de aplicações elogiou.

No novo mundo da Forrester, onde as pessoas dependem de aplicações em vez de navegadores, mesmo empresas como a Facebook estão em risco, alerta Colony. Ele critica a empresa pela falta de aplicações para o iPad e pensa que um concorrente pode colocar um  “problema grave” à empresa.

Colony prevê a necessidade de se efectuarem mudanças importantes caso se confirme um enfoque em aplicações da Apple e Android. Entre elas, haverá a necessidade de ganhar competências, dado que a maioria das aplicações são escritas em Objective-C, C + + e Java Mobile. Um universo centrado nas aplicações significa também mudar a arquitectura de disponibilização de informação.

Andrei Palskoi, consultor e principal arquitecto de soluções para a FICO, fornecedora de tecnologia de análise e tecnologia de gestão de decisões, diz que se a visão de Colony se concretizar haverá uma transição para uma arquitectura descentralizada.

Hoje há um servidor centralizado e uma arquitectura; fornece-se algo a um computador e ele devolve recomendações e aprovações. Mas no mundo das aplicações parte da lógica estará nos dispositivos, os quais serão mais independentes. Pode-se “orientar as políticas a seguir pelas aplicações “, mas os passos e acções reais serão feitas “por conta própria, sem pedir autorizações a mainframes”, acrescenta Palskoi.

Mark Philhower, consultor da IT Planning Associates, que incide sobre o desempenho e melhorias de produtividade para os CIO, considerou a visão válida mas para um futuro distante. “Estamos ainda muito longe desse cenário – ele está a falar mais de um futuro idealizado “, disse Philhower.

Mas Steven Ranly, gestor de rede de uma empresa de logística que ele pediu para não ser nomeada, acredita estar a assistir a uma mudança para as aplicações, especialmente em pessoas mais jovens. “Está tudo a passar para as aplicações – vão à Internet muito pouco, e uso principalmente as aplicações capazes de fazer o que precisam de fazer”, diz Ranly.




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