Cloud europeia exige esforço conjunto

Joseph Reger
Chief Technology Officer da Fujitsu Technology Solutions

Embora a Cloud Computing tenha sido um tema de discussão apenas nos últimos anos, agora o número de cenários de utilização concretos está a aumentar. Pouco a pouco, a indústria demonstra que a tecnologia está preparada para contextos diversos e em diferentes sectores de negócio. Mas uma coisa é certa: sem as acções concertadas dos fabricantes e condições mínimas que estejam regulamentadas de forma uniforme por toda a Europa, o mercado nesta margem do Atlântico ficará atrás da concorrência nos Estados Unidos.
Felizmente, os políticos parecem estar cientes da importância de actuar rapidamente. Durante o seu discurso no Fórum Económico Mundial em Davos, no início deste ano, a comissária europeia Neelie Kroes enfatizou que, no contexto de uma “agenda digital” para a Europa, é necessária uma estratégia de Cloud Computing a nível da União Europeia. É só uma questão de esperar para ver quando se irá passar das palavras aos actos.
A região económica europeia é um sistema complexo, com um grande número de actores e países diferentes. Por esse motivo, construir uma infra-estrutura estável e unificada é o maior desafio para o futuro. Para o alcançar é necessário cumprir uma série de requisitos. Primeiro, e acima de tudo, é preciso existir uma legislação unificada para a gestão de dados na Cloud. A legislação local é diametralmente oposta à ideia de Clouds transnacionais – tanto na Europa como a nível global. De uma perspectiva pan-europeia, as tendências de fragmentação tornam-se por isso desvantajosas no que diz respeito à concorrência e à localização. Além do mais, é necessária uma legislação moderna e pan-europeia em termos de cumprimento das normas e da segurança, por exemplo: devem os dados em bruto ser realmente impedidos de abandonar o país ou deverá a informação em si ficar dentro das fronteiras do país? No caso de dados encriptados, por exemplo, a informação é inútil sem a chave que a desbloqueia, pelo que será assim tão importante saber onde é que estão guardados fisicamente os bits e bytes?
Ao mesmo tempo, os fabricantes precisam de definir padrões em conjunto com os governos e as autoridades reguladoras. Por um lado, porque a falta de padrões torna a vida difícil para os “early cloud adopters”, devido às maiores necessidades de integração e aos custos imprevisíveis, e poderá demovê-los totalmente de usar serviços Cloud. Por outro lado, os padrões criam maior fiabilidade e uma melhor aceitação no mercado, o que tem como consequência um aumento dos negócios.
Mas para que servem os padrões se ninguém garantir que eles são observados? É precisamente por isso que precisamos de autoridades de certificação independentes. As autoridades de certificação forneceriam as capacidades e competências necessárias, e devem ter um reconhecimento e uma aceitação tão grandes quanto possível. Elas devem ser respeitáveis e, em alguns casos, até precisam de uma autoridade governamental.
É um paradoxo: por um lado, o mundo tem medo do “big brother”. Por exemplo, um estudo do Fujitsu Research Institute mostrou que mais de 70% da população alemã não quer intervenção governamental no que diz respeito aos seus dados pessoais. Por outro lado, há uma crença inabalável em grandes fatias da população de que as autoridades governamentais irão proceder correctamente.
Nesta disputa, autoridades, instituições e governos precisam de dar o exemplo à economia: as organizações precisam de implementar elas próprias serviços Cloud; precisam de encontrar formas de integrar serviços Cloud no seu próprio ambiente TI. Além disso, têm de parar de perguntar porque é que algo não funciona – e descobrir formas de o pôr a funcionar. Daqui a cinco anos, muitas empresas já não irão discutir que serviços poderão ser usados a partir da Cloud, mas sim que serviços não podem ser usados a partir da Cloud. Obviamente, argumentos económicos concretos também têm influência na função do modelo a seguir.
Se conseguirmos criar estas condições, a Cloud europeia terá uma verdadeira vantagem competitiva: significará fiabilidade e segurança – e esses são, certamente, critérios centrais para o utilizador.




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