O que está a Microsoft a pensar ao pagar 8,5 mil milhões pelo Skype?

É difícil imaginar o que a Microsoft pretende fazer com o Skype para as TI empresariais. Então, o que podem os utilizadores esperar do investimento de 8,5 mil milhões de dólares da Microsoft?

As pessoas que pagaram 2,5 mil milhões pelo Skype há dois anos atrás, estão a começar a parecer muito perspicazes.
Há uma ou duas semanas, não era o caso. A IPO do Skype tinha sido adiada. A Google e o Facebook farejavam em torno do Skype, mas uma aquisição não parecia provável – muitos pormenores para o Facebook cheirar e todos os tipos de potenciais problemas para a Google, incluindo um obstáculo de anticoncorrência de enormes proporções.
Mas esta manhã surgiu o anúncio de que a Microsoft vai comprar o Skype por 8,5 mil milhões de dólares. Como movimento defensivo, a compra do Skype pela Microsoft tem algum mérito: uma combinação do serviço Voice da Google com o Skype iria ser um desafio formidável para o Windows Live Messenger e para o Lync, tanto no mercado consumidor como no das empresas. A lista de números de telefone internacional do Skype – e a longa experiência do Skype com as operadoras locais de telecomunicações em todo o mundo – constituiria uma presença imediata que o Google Voice ainda está a esforçar-se para estabelecer.
Mas 8,5 mil milhões de dólares?
É difícil imaginar o que a Microsoft pretende fazer com o Skype para a TI empresarial. O Skype é amplamente considerado pelos administradores de redes como um anátema. Há cinco anos, na conferência BlackHat na Europa, Philippe Biodi e Fabrice Desclaux descreveram o confuso código do Skype, dizendo que “parece dev/random” e não melhorou nem um pouco. Como qualquer programa P2P, o Skype basicamente executa uma “backdoor”, com pings aleatórios e transmissões a sair, mesmo quando não há ninguém a usar o telefone. O pessoal da segurança adora este tipo de software.
Assim, se o software não é bom no ambiente empresarial, o que podem os executivos de TI esperar obter do investimento de 8,5 mil milhões de dólares da Microsoft?
Não muito, tanto quanto posso dizer. A especulação de que o Skype se vai integrar no Lync ou no ambiente Exchange parece completamente inverosímil: as arquitecturas são completamente diferentes, e o software não é reutilizável. Certamente, a Microsoft não espera manter muitos dos principais programadores do Skype, mesmo tendo um grande livro de cheques. Aqueles números de telefone internacionais e as ligações às operadoras telecomunicações podem ajudar a generalizar o Lync, pelo menos em teoria. O Skype tem uma boa base de utilizadores, com 120 milhões de contas activas por mês, mas isso é pouco comparado com o Live Messenger.
Alguns analistas especulam que a Microsoft vai fundir o Kinect (actualmente exclusivo da Xbox mas, em breve, num Windows 8 perto de si) com o Skype, mas isso não é um argumento muito convincente. Oferecer um Kinect de 100 dólares como substituto de uma webcam de 2,95 dólares faz tanto sentido como… como… como comprar o Skype por 8,5 mil milhões de dólares, hein?
A única nota positiva para as TI, tanto quanto posso dizer, é a possível integração da tecnologia P2P VoIP com o Windows Phone. A Microsoft pode estar num longo jogo, com um cliente Skype para o Windows Phone 8. Presumivelmente, esse cliente não irá criar arrepios na espinha dos administradores do Exchange e do Lync. Ter o Skype disponível para chamadas gratuitas empresariais em todo o mundo tem certamente algum apelo.
Mas 8,5 mil milhões de dólares?

(Woody Leonhard|InfoWorld)




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