Portugal com OTAN para a ciberdefesa

Portugal assina hoje um Memorandum of Understanding (MoU) com a OTAN para a área da ciberdefesa, adiantou Gabor Iklody, Secretário-geral Assistente da organização.

O documento estabelece a partilha de informação com o Gabinete Nacional de Segurança (GNS) mas o que esta entidade “faz cá dentro, é convosco, só queríamos um actor com quem dialogar”, explicou hoje Gabor Iklody (na foto), Secretário-geral Assistente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na conferência “Cibersegurança: do pensar à acção“, realizada pelo GNS, EuroDefense Portugal e Associação para as Comunicações e Electrónica nas Forças Armadas (AFCEA ).
“Isto tem de ser feito rapidamente, não há tempo a perder”, prosseguiu Iklody. “A OTAN é uma ferramenta, usá-la já depende do país. Portugal é o 11º a assinar este MoU e esperamos que outros se lhe sigam”.
Esta organização está preocupada com a ciberdefesa, pelo menos desde 2007. Nesse ano, o ataque à “Estónia foi o nosso 9/11”, numa referência aos eventos de 11 de Setembro de 2001 nos EUA. No país báltico, “sem tiros ou sem que algum militar tenha atravessado qualquer fronteira, a OTAN foi apanhada de surpresa”, numa situação em que “a retaliação não era opção”.
Salientando que “isto é um pesadelo, já não é apenas um filme de terror”, aquele responsável exemplificou com o código do “worm” Stuxnet estar “à solta para poder ser usado por outros e replicarem ataques como os que ocorreram recentemente”.
Habituada a cenários de guerra (ou resolução de conflitos posteriores), “prevenção e resiliência são os novos conceitos para os quais a OTAN não está preparada porque não era esse o seu papel”, refere.
Agora, Iklody antecipa um novo papel para a organização, já que “os ciberataques obrigam a uma ciberdefesa colectiva dos aliados” e esta “ciberdefesa deve fazer parte das nossas actividades – não é uma tarefa nacional mas deve proteger ataques nacionais”, e deve existir “apoio a quem está a sofer ataques”.
Para Iklody, “revelar vulnerabilidades entre Estados é muito sensível, bem como dentro de Estados – nos bancos, por exemplo, é um enorme desafio esta partilha” de informação.
Neste sentido, a “OTAN deve promover uma cooperação global porque isto sai da esfera dos países por si”, mas também porque deve existir um “debate internacional para definir procedimentos entre países na ciberdefesa”.
Se um grupo de vândalos ataca residentes num outro país, este pode requerer ao governo soberano que os controle. No ciberespaço, isto é mais difícil e, por isso, a OTAN quer ter pronto um plano de acção para debater em Junho, quando ocorrer um encontro entre ministros da Defesa.
Tudo isto ocorre numa altura de dificuldades financeiras em que vários estados podem não querer investir numa “boa ciberdefesa porque é algo que não se vê, ao contrário de tanques, aviões ou barcos”.




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