Os novos PCs, em diferentes formatos

Preston Gralla
Computerworld, autor de mais de 35 livros, incluindo Como Funciona a Internet (Que, 2006)

“Olá, profissional de TI, bem-vindo ao seu novo trabalho – concepção de arquitectura de rede para, e de apoio, a tablets como o iPad e smartphones, incluindo telemóveis Android, iPhones e com o Windows Phone 7.
Se vai trabalhar com PCs? Não, não faz parte das suas tarefas. Temos algumas pessoas escondidas nas traseiras para isso. Mas aqueles que fazem todo o trabalho ‘high-end’ por aqui estão focados nos tablets e nos smartphones”.
Se está nas TIs, não se surpreenda se um dia ouvir isto quando entrar para um novo emprego. As empresas estão a ser inundadas com iPads, iPhones e telemóveis com Android, e isso só vai acelerar.
Estes novos tablets e smartphones não foram concebidos para as empresas e, assim, não fazem tipicamente parte da arquitectura  de computação e de rede existente numa empresa. Mas isso não os vai impedir de serem usados, pelo que as TI vão ter de lidar com eles.
Muitos nas TIs têm esbracejado de cada vez que uma elegante nova tecnologia é introduzida, como o recentemente lançado iPad 2, porque sabem que, gostem ou não, vão ter de a suportar. Dave Codack, vice-presidente de tecnologia para funcionários e serviços de rede no TD Bank Financial Group, resumiu bem isso quando disse à Computerworld que “denominei isso de ‘tirania da consumerização’. A empresa não dita a tecnologia com estes dispositivos; a revolta vem da comunidade de utilizadores finais”.
O grupo de Codak, que suporta 81 mil utilizadores finais, testou aprofundadamente o iPad para uso na empresa, e está a planear testar o iPad 2, bem como o PlayBook, o próximo tablet da BlackBerry.
Hoje, esses dispositivos entram geralmente disfarçados pelas traseiras; amanhã, vão entrar pela porta da frente. Foi o que sucedeu no passado. Nos primeiros dias dos PCs, muitos das TI acreditavam que os verdadeiros homens e mulheres não usavam PCs – trabalhavam com enormes ‘mainframes’. Os PCs eram considerados por muitos, nessa altura, como pouco mais do que brinquedos. Mas os PCs e softwares como as folhas de cálculo entraram nas empresas numa variedade de métodos subreptícios, como serem pagos através de contas de despesas.
E esses “brinquedos” eram tão úteis que se tornaram aceites a contragosto. Pense neles nessa alturacomo o rabo do cachorro. Depois, provaram a sua utilidade uma e outra vez e, de repente, a cauda abanava o cão. Eventualmente, a cauda tornou-se quase todo o cão.
Espere-se uma transformação semelhante com os tablets e os smartphones. Estes dispositivos podem ser pequenos, mas são computadores completos e, em muitos aspectos, mais complicados do que os PCs por causa da variedade de emissores e sensores embutidos.
Neste momento, eles estão a forçar as empresas a fazer mais do que simplesmente os suportar – estão a forçar uma mudança na infra-estrutura da computação básica das empresas. O mercado das LAN sem fios está num ‘boom’, principalmente por causa dos tablets. Segundo a Computerworld, a Infonetics Research afirma que as vendas de equipamentos de redes sem fios saltaram para os 769 milhões dólares no quarto trimestre de 2010, um aumento de 28% em relação ao mesmo período de 2009. O Dell’Oro Group considera que a receita das redes sem fios para 2010 cresceu 25% relativamente ao ano anterior.
Porquê este salto repentino? Roger Hockaday, director de marketing da Aruba Networks, assegura que é o efeito iPad. As empresas estão a acrescentar e a actualizar as suas redes ‘wireless’ para que as pessoas possam usar os iPads em qualquer lugar numa organização. Em resultado disso, diz, o mercado das redes sem fios sofreu mais mudanças nos últimos seis meses do que nos últimos seis anos.
Estamos apenas no início. Todas as arquitectura de redes e de segurança eventualmente serão refeitas e com suporte para tablets e smartphones. Assim, se usa um smartphone ou um tablet, pode muito bem estar a pegar no futuro das TI nas suas mãos.




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