Seis esferas de governação em TI

O portefólio de serviços e produtos de TI cresce a ritmo acelerado. À conta dessa expansão, os CIOs são obrigados a readequar os mecanismos de controlo e organização.

As áreas comerciais conhecem o rotineiro confronto da implantação de recursos de TI nos seus processos, mas a influência da tecnologia da informação estende-se aos segmentos da produção e da prestação de serviços.
Na opinião de Peter Ratzer, sócio da Deloitte, a crescente aplicação das TI nos processos comerciais, e na produção e nos serviços, aumenta o valor desses recursos no processo de geração de valor dos negócios. Em consequência, cabe aos CIOs abandonarem o estilo de governança predominantemente voltada para as TI e assumirem uma postura focada na orientação comercial das TI, voltada para a geração de valor para a empresa.
Uma estratégia que pode ser útil aos CIOs é a divisão dos procedimentos em seis esferas:
1. Organização das TI
2. Processos de gestão de TI
3. Gestão da procura e suprimentos em TI
4. Gestão de riscos e de desempenho das TI
5. IT Compliance
6. Cultura empresarial

Ratzer explica como gerir cada um desses domínios e quais foram as modificações que sofreram em função das novas necessidades de gerar valor para os negócios da organização.

1. Organização das TI

No ano passado, muitas empresas normalizaram e centralizaram fortemente as TI. Essa centralização gera uma enorme complexidade para os gestores e pode criar um abismo entre as TI e o negócio da organização.
Com as TI de orientação predominantemente comercial, de produção e de serviços, os CIOs precisam de gerir as diferentes interfaces de forma eficiente e efectiva. O que requer que a centralização dos processos seja posta em segundo plano por algum tempo.
Apenas dessa maneira será possível posicionar os alicerces organizacionais que prendem a estrutura de TI aos diferentes processos e promover uma melhor transmissão das necessidades às TI e para uma posterior solução apropriada.

2. Processos de gestão de TI
Por conta da tendência de industrializar serviços de TI, vários processos normalizados são exportados para os fornecedores de serviços de TI. Isso gera um compromisso maior entre a empresa e os processo informatizados que permanecem na empresa e são geralmente de cunho comercial. Com esse movimento, a carga de trabalhos técnicos dos gestores de TI cai substancialmente. Se, por um lado, os CIOs precisam de investir na exportação de processos, também lhes é requerido que incrementem a capacidade dos recursos de TI internos, com o objectivo de gerar suporte aos processos comerciais.

3. Gestão da procura e suprimentos em TI
A invasão das TI nas diversas áreas da empresa faz esbater a fronteira entre a gestão de fornecedores e da procura.
Acontece que determinar de maneira precisa as interfaces de contacto com clientes e com fornecedores é um factor crítico de sucesso na optimização dos processos. E é responsabilidade do CIO.
Vale a pena assinalar que as interfaces com clientes e com fornecedores dispensam a aplicação de princípios e de gestão distintos. Se, pelo lado da gestão da procura, é necessário um conhecimento prévio acerca do negócio da empresa, as relações com fornecedores exigem atenção especial aos aspectos económicos da transacção.

4. Gestão de riscos e de desempenho das TI
Antes, essa gestão era orientada para os riscos de ordem técnica e métricas das TI. A partir de agora, espera-se uma gestão que dialogue com os mesmos factores, mas seja orientada para outros ambientes da empresa. De pouco adiantam soluções de cálculo de riscos que funcionam afastadas de potenciais focos de turbulência ou apresentam sinais de difícil interpretação.

5. IT Compliance
Antigamente, a regulamentação das TI era algo dirigido apenas a segmentos bastante específicos, mas actualmente faz parte da realidade de uma grande variedade de serviços. Por força das altas multas que incidem em casos de indisponibilidade e/ou prejuízo dos dados, o assunto ganhou a atenção dos executivos de alto nível.
Os factores de sucesso na gestão das regulamentações são a definição clara das responsabilidades e dos recursos e o distanciamento entre as políticas e a complexidade intrínseca ao desenvolvimento dos negócios.
A sugestão é a criação de um cargo executivo voltado para a gestão das regulamentações, o CCO (Chief Compliance Officer), focado no desenvolvimento de soluções para garantir robustez aos negócios da organização.

6. Cultura empresarial
A relação entre a organização e as TI deve ser promovida de empresa para empresa, entre gestores e colaboradores. O paradigma puramente técnico, alimentado por anos no seio das TIs, deve ser desconstruído. No seu lugar, os técnicos e outros colaboradores do departamento devem passar a ver as suas funções como um recurso primordial na geração de valor para os negócios da empresa.
Para impulsionar tal tendência, sugere-se que, logo no processo de selecção de candidatos às vagas, seja notado que essa é a visão esperada do novo colaborador.
(Deloitte/IDG Now!)




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