Três preocupações sobre o iPad nas empresas

Os responsáveis de TI têm muitas dúvidas sobre a utilização do iPad e de outros tablets em ambiente empresarial, de acordo com a Forrester, consultora que organizou uma conferência online com 241 profissionais.

A popularidade do iPad tem apanhado muitas empresas de surpresa. Um analista da Forrester Research, Ted Schadle, realizou recentemente uma teleconferência para discutir o assunto com 241 profissionais de TI o impacto do iPad e outros tablets nas suas organizações. Foram muitas as dúvidas a emergir.

Dos 15 milhões de iPads vendidos, a Forrester calcula que metade deverá fazer o seu caminho para as empresas. A consultora divulgou ainda os resultados de um inquérito de 2300 executivos de TI na semana passada: perto de 25% das empresas está a usar ou planeia usar tablets.

Esses números devem crescer, dado o enorme sucesso da estreia do iPad 2, segundo a consultora. A procura continua a superar a oferta, com as lojas Apple a venderem o seu inventário numa hora, nos Estados Unidos, e o lançamento mundial a impressionante, também.

Não há dúvida de que as aplicações de produtividade – como o QuickOffice, DocuSign, SoundNote e Salesforce Chatter – para o iPad estão a ganhar maior visibilidade. Uma empresa planeia actualizar o equipamento dos executivos seniores com iPad 2, para estes poderem aproveitar um novo recurso no dispositivo: a disponibilização da imagem que sai do dispositivo  para os projectores, em alta definição.

A adopção do iPad pelo meio empresarial aconteceu mais rapidamente do que a Apple previa.
O ritmo da tendência em grande parte conduzida pelos empregados, leva muitas vezes as empresas a entrarem em pânico.

Existem três questões urgentes sobre o IPAD, com base na análise da Forrester:

– Que vantagem traz o iPad para o negócio?

É preciso admiti-lo: desenvolver a defesa da adopção do iPad em massa, baseada numa previsão de ROI, pode ser uma tarefa difícil para um CIO. Mesmo Shadler admite que os benefícios do negócio “ainda estão concretizar-se.” Mas há sinais de que o iPad melhora a produtividade, especialmente nas áreas ou situações onde a percepção – reuniões, apresentações de vendas e contratos de serviços de campo – ganham importância.

“Temos ouvido isto de quase todas as empresas: o dispositivo faz o departamento de TI fazer boa figura com os executivos de nível C e o conselho de administração, quando lhes entregam informação num iPad, em vez de uma pasta com 400 páginas”, escreve Schadler.

Na Conceptus, fabricante de dispositivos médicos de Silicon Valley, quase todos os executivos (bem como vendedores) têm um iPad. Um alto executivo raramente toca no iPad, enquanto o chefe da segurança jurídica utiliza-o todos os dias. Traz sempre o IPAD para reuniões onde lhe fazem perguntas sobre dúvidas legais. A vez de vasculhar as resmas de notas de papel, ela encontra rapidamente respostas com o iPad.

O CIO Rob Rennie, da Florida State College, em Jacksonville, foi um dos primeiros a adoptar o iPad, e testemunhou em primeira mão ganhos sólidos de produtividade. Numa reunião sobre o orçamento, por exemplo, os executivos de departamentos com iPad podiam responder a perguntas sobre o custo de artigos ou iniciativas imprevistas logo no momento. O dinheiro é atribuído ou negado com base nas informações em tempo real durante a reunião, em vez do problema ser adiado para a semana seguinte ou reunião posterior.

– Quais são as condições de segurança?

A Apple tornou o iPad 2 muito seguro, diz a Forrester. E muitas empresas com requisitos rigorosos de segurança, como a Lloyd’s of London, Morgan Stanley e JPMorgan Chase, adoptaram o iPad.

A Forrester também espera que o próximo tablet da RIM tenha um nível elevado de segurança superando o concorrente. Portanto segundo a Forrester os iPads  Playbooks serão suficientemente seguros para a maioria dos cenários de negócios.

E os tablets com Android? Nem tanto. A Forrester diz que o Android está cerca de 18 meses atrasado face ao sistema da Apple. No que se refere à segurança vai ser uma corrida entre dois “cavalos”: iPad e PlayBook, com o Android atrás, diz Schadler. Será que isso significa que os tablets com Android não estão prontos para o ambiente empresarial?

“Enquanto eles estão muito menos seguros, você não pode colocar uma afirmação genérica sobre isso porque as empresas têm diferentes requisitos de segurança”, diz Schadler.

– As empresas têm largura de banda suficiente?

– Mais do que os problemas de segurança, o peso que os iPads vão colocar sobre as redes sem fios deixa muita gente preocupada. Simplesmente não parece haver largura de banda móvel suficiente e disponível. Migrar de redes 3G para 4G deverá ajudar, considera Schadler: “Não é necessário haver muitas conversas com vídeo no FaceTime para haver um colapso da rede.”

Em termos mais práticos, isso quer dizer que uma empresa pode não ser capaz de disponibilizar aplicações de missão crítica aos trabalhadores em mobilidade quando eles precisam delas. Nas redes de WiFi, as empresas terão de incrementar a sua capacidade. Já é caro fornecer pontos de acesso Wi-Fi para todos os funcionários que se querem ligar à rede sem fios.

Os CIO têm arranjado formas de aliviar a pressão sobre as redes sem fios, como limitar o uso de vídeo nos desktop e o acesso ao Youtube. Os iPad, que só podem estar nas redes sem fio, e trazem a capacidades de conversas em vídeo com o FaceTime, só devem agravar o problema.




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