As novas atribuições dos CIO

Nos últimos cinco anos, três factores alteraram profundamente as atribuições dos líderes de TI. Dê-lhes atenção, se quer permanecer no topo.

Primeiro, a tecnologia de produtos para consumo revolucionou a existente nas empresas e minou o poder de decisão do CIO. Depois, actualizações realizadas na viragem do milénio atrapalham as renovações dos sistemas actuais. E, finalmente, a velocidade das inovações ultrapassou o ritmo com que essas tecnologias conseguem ser absorvidas.
Para Ray Wang, CEO e analista chefe da Constellation Research, o futuro CIO não será mais o responsável por gerir projectos de milhões de dólares e por liderar a empresa com as rédeas tecnológicas. Em vez dessas atribuições, surgirá uma definição menos específica acerca das atribuições dos CIO, que serão incumbidos de agregar valor aos negócios, incrementar as margens de lucro e criar valores que destaquem a organização no mercado.
A próxima geração de CIO deve surgir de ambientes comerciais mas com raízes tecnológicas ou munida de conhecimentos técnicos avançados. E precisará de cavar os fundamentos sobre os quais quatro novas funções se erguerão, para continuar sendo competitivo no mercado de trabalho. Segundo Wang, os CIO que falharem nessa empreitada estarão condenados a perder as suas funções nas equipas de negócio das empresas. “Muitos executivos andam a exercer funções de CIO em diversas instâncias dentro da rotina das empresas”, afirma o analista.
Entre as suas novas atribuições, os CIO devem contrabalancear as actividades externas com vista à sua execução interna e distribuir uniformemente os elementos de natureza comercial e tecnológica nos processos. Alguns CIO vão trazer novos executivos para dar conta de uma ou de outra atribuição adicional. Alguns estarão mais dispostos para tentar gerir todas as frentes, sozinhos.
Apresentamos as quatro novas funções e atribuições que os CIO devem atender se querem permanecer no topo.

Chief Infrastructure Officer
Alguns CIO já conhecem esse perfil profissional e Wang não prevê uma transição complicada. Esses executivos devem estar atentos às oportunidades de reduzir custos e controlar até 70% do orçamento geral das empresas. A maioria dos projectos nas mesas desses profissionais será voltada para a manutenção dos sistemas e para a gestão de infra-estruturas passíveis de actualização. Um relatório da empresa de Wang revela que esses executivos devem ficar atentos às interfaces tecnológicas internas.

Chief Integration Officer
É uma transição passível de grandes inconvenientes. Esse executivo deve responder pela gestão de uma fatia entre 10 e 15% do orçamento geral da empresa. A sua atribuição será unificar os vários processos comerciais, dados, sistemas antigos e estruturas com interfaces de computação na nuvem. O Chief Integration Officer deverá estar atento à tecnologia e à sua relação com processos internos e externos.

Chief Intelligence Officer
Também deve atender à distribuição de 10 a 15% do orçamento geral das empresas em que vai actuar. As suas actividades serão voltadas para o aproveitamento de informações por parte dos colaboradores internos. Actividades comerciais internas e externas serão da responsabilidade deste executivo, que se deve preocupar em realizar a ligação apropriada entre as fontes de informações externas e os colaboradores.
“Com muitas das funções de infra-estrutura a serem exportadas para empresas de outsourcing ou transferidas para a nuvem, é essencial desenvolver rapidamente o profissional deste segmento”, diz Wang.

Chief Innovation Officer
Ao responder por uma fatia de 5% a 10% do orçamento das organizações, esse executivo deve gerir a adopção das inovações com orçamentos muito reduzidos. Espera-se que tenha um passado significativo na rotina dos negócios. Normalmente, esses executivos realizam as suas atribuições rapidamente, assim como recuperam de qualquer eventual erro e não permitem que a dinâmica da empresa emperre.
“O Chief Innovation Officer é, provavelmente, o desdobramento das funções de CIO que mais desafiará os CIO tradicionais”, prevê Wang. “As suas funções irão requerer um entendimento profundo sobre as estratégias comerciais, ao mesmo tempo que terão de lidar com um volume impressionante de tecnologias ‘estranhas’ ao ambiente da empresa. Essas tecnologias, muitas vezes, requerem um exame minucioso dentro das empresas e obrigam a ter uma equipa voltada para o seu estudo”, completa o executivo.

Sobre as funções essenciais dos CIO no futuro, Wang prevê que a nova geração de executivos deve dispor de várias capacidades:
1. Definir rapidamente que novas tecnologias têm valor para a empresa. As grandes empresas deverão estender os orçamentos para os processos internos por forma a preparar as estruturas para o trabalho com as novas tecnologias, até então consideradas estranhas.
2. Desenvolver a próxima geração de modelo de negócios. Cabe aos líderes de TI identificar em que instâncias essas tecnologias podem impulsionar o desenvolvimento de modelos de negócios, incrementar o lucro e proporcionar dinâmicas que gerem economia.
3. Gerir recursos. Perante a falta de perspectiva de aumento dos orçamentos para as TI em 2011, muitas tecnologias recém-adoptadas devem ter a sua implementação suportada pelo re-aproveitamento dos recursos existentes.
(CIO/CIO Brasil)


Tags


Deixe um comentário

O seu email não será publicado