Como sobreviver à mudança de CIO

Os erros mais comuns – e como os evitar – na mudança das chefias.

De acordo com um estudo da Gartner, que entrevistou mais de 1.500 CIOs, o tempo médio de permanência desse tipo de profissional no seu posto de trabalho é de quatro anos. Outro inquérito, da Sociedade para a Gestão da Informação, com organizações dos EUA, Europa, Ásia e América Latina, indica que 59% dos CIOs ficam de um mês a quatro anos nas organizações. Outros 15% ficam entre cinco a sete anos, 28% ficam mais do que esse tempo.
De acordo com o vice-presidente do grupo de programas executivos do Gartner, Mark McDonald, uma causa muito comum do CIO deixar a empresa é a reforma, já que o cargo surge geralmente no final de carreira do executivo. Outros deixam o emprego por outras tarefas e muitos são demitidos por projetos mal sucedidos ou por mudança na direção da organização.
Independentemente de qual é a razão, o profissional de TI enfrentará muito provavelmente pelo menos uma mudança de hierarquia e é aí que está mais sujeito a erros. Confira quais são os mais comuns e aprenda a evitá-los:

Erro 1 – Defesa do status quo
O primeiro tópico pode ser resumido por um alerta de McDonald: nunca diga a frase “é assim que trabalhamos aqui”.
Resistir às mudanças é a natureza do ser humano, mas é uma tolice esperar que um CIO não tente promover alterações de rumo. Se os principais directores da empresa estavam insatisfeitos com o desempenho do CIO anterior, isso faz ainda mais sentido, pois o novo executivo vai querer imprimir a sua marca pessoal.
No entanto, isso pode ser bom, de acordo com um dos vice-presidentes da RSA, Ken LeBlanc. “Sempre que houver uma mudança, seja de vice-presidente ou qualquer outra, há uma grande oportunidade para reflectir e rever se as prioridades estão de acordo com as expectativas”, diz.
Para o profissional, a mudança pode significar, também, oportunidades, como a transição para uma área dentro da TI mais orientada para os negócios. Nalguns casos, no entanto, a mudança pode ser dramática, com o cancelamento de um projecto no qual o profissional investia e estava emocionalmente envolvido. “Nesse caso, o grau de envolvimento é o grande erro. E na maioria das vezes, o cancelamento não tem a ver com a competência dos envolvidos, mas sim com orçamentos ou alguma mudança de direcção”, avalia o executivo da empresa de formação de executivos Tatum LLC, Dan Gingras.
Segundo este, vale também a pena reavaliar a visão e a capacidade de prever tendências na empresa, já que o fim do projecto é algo que o profissional não tinha antecipado.

Erro 2 – Ignorância sobre as novas pioridades
A mudança do CIO pode mudar totalmente o jogo de prioridades nos departamentos de TI. E conhecer a pessoa sentada na cadeira executiva é uma forma de entender o que vai mudar. “Dificilmente o CIO não terá uma presença on-line. E com uma pesquisa, é possível avaliar a trajectória da pessoa e entender as suas tendências”, diz McDonald.
Além de um esforço na pesquisa, questionar o próprio CIO sobre as suas prioridades pode ser ainda mais efectivo. Não há nada de errado em perguntar quais das suas características o ajudaram a assumir o cargo ou o seu objectivo principal na empresa.
Por fim, independentemente da missão, Gingras sugere que o funcionário pergunte ao CIO o que pode fazer para ajudá-lo a ser bem-sucedido.

Erro 3 – Oferecer muita informação
A menos que o novo CIO seja um profissional de carreira na organização, ele chegará com pouco conhecimento sobre as equipas e os projectos a decorrer. Nessa altura, o profissional deve fornecer um relatório sobre as suas responsabilidades e é nessa altura que muitos profissionais se excedem. “Muitos apresentam inúmeros slides e gráficos, tentando justificar a sua existência”, diz McDonald, que sugere uma apresentação de, no máximo, 10 minutos. “Os CIOs reconhecem que têm pouco tempo”, refere.
De acordo com o vice-presidente de engenharia clínica e serviços de telecomunicações do sistema de saúde Baylor Health, outra boa abordagem é perguntar ao CIO quais as informações que quer, além de lhe explicar o próprio estilo de comunicação. “Mas não deixe de informar o CIO sobre os obstáculos que está a encontrar. É melhor que ele saiba com antecedência do que saber mais tarde, quando o problema estiver pior”.

Erro 4 – Tentar passar despercebido
Muitos profissionais acreditam que o caminho mais fácil de manter o emprego é não se destacarem, passarem despercebidos para o novo chefe. Tem alguma lógica mas pode prejudicar a carreira.
“Há dois perigos em permanecer low-profile”, salienta o CIO da associação norte-americana de ténis, Larry Bonafante. “Primeiro, é mais fácil imaginar que o profissional é dispensável. Segundo, ele nunca terá uma real dimensão de onde se situa na empresa e quais as grandes oportunidades que podem aparecer como parte das soluções para a empresa”.

Erro 5 – Falhar em defender o emprego
Segundo Bonafante, quando o CIO novo chega, ele vai falar com todos e, nesse momento, cada profissional deve agir como se estivesse numa entrevista de emprego. “O profissional não se deve comportar como se o emprego estivesse garantido”, diz.
Gingras adiciona que alguns profissionais pensam serem intocáveis por estarem na organização há muito tempo. “Não importa o passado, pois o CIO vem sempre com novas ideias, pessoas e processos”.
Durante a conversa, o ideal é focar-se em que áreas o profissional pode melhorar e falar sobre as suas ideias. “Dizer mal da organização ou do antigo CIO não ajuda, o novo líder não vai ligar a isso”.

Erro 6 – Render-se ao medo
O maior risco durante as mudanças é presumir que as coisas vão piorar ou caminhar para um mau desfecho. “As pessoas têm essa tendência quando as novidades aparecem, mas deve haver um esforço de assumir uma atitude positiva”, diz Maddock.
Segundo Bonafante, todos têm a mesma tendência para o medo, incluindo o novo líder na empresa. “O novo CIO merece, pelo menos, o benefício da dúvida”, lembra.
(Computerworld/Computerworld Brasil)




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