Mercado de telemóveis cresceu 9% em 2010

Foram vendidas 6,1 milhões de unidades durante um ano que terminou com uma regressão de 7% nas vendas durante o quarto trimestre.

O crescimento anual de 9% no mercado de telemóveis foi sustentado pela elevada procura no segmento de “smartphones” de acordo com o estudo “IDC European Mobile Phone Tracker. Venderam-se 6,1 milhões de unidades. No entanto, o quarto trimestre de 2010, com vendas de 1,6 milhões, registou uma queda de 7% em relação ao mesmo período de 2009.

Os telefones com sistema operativo Android foram os principais protagonistas nas vendas, com um crescimento 1,848% face a 2009. Os dispositivos com o referido sistema operativo lideraram no segmento de “smartphones”, seguido pelos telemóveis com sistema Symbian, da Nokia.

Para 2011, a consultora prevê uma quebra global de vendas na ordem dos 4%. Em comunicado a consultora considera que resultados do quarto trimestre espelham já a tendência para o mercado em 2011. Durante o corrente ano, a IDC prevê uma desaceleração do crescimento das vendas no segmento de “smartphones”, e quedas acentuadas no segmento dos telefones tradicionais.

De acordo com a Anacom, no quarto trimestre, foram realizadas cerca de 2,25 mil milhões de chamadas, menos 0,1% do que no trimestre anterior. Nos últimos anos, tem havido uma diminuição do número de chamadas no 4.º trimestre face ao trimestre anterior. No entanto, o número total de chamadas realizadas encontra-se dentro dos limites do intervalo de previsão resultante da tendência histórica e do efeito sazonal estimado, segundo o regulador.

Portugal tinha, no final do 4.º trimestre de 2010, cerca de 16,47 milhões de estações móveis activas associadas a planos tarifários pós-pagos, pré-pagos e planos combinados/híbridos, mais 2,1% do que no trimestre anterior. Destas, cerca de 81,9% foram efectivamente utilizadas no último mês do trimestre, menos 0,1 pontos percentuais do que no terceiro trimestre de 2010, segundo a instituição.

“Em comparação com o trimestre homólogo, verificou-se um acréscimo de 6,8% do número de chamadas, valor significativamente superior à taxa de crescimento do número de estações móveis activas. Este crescimento foi influenciado sobretudo pelo crescimento das chamadas on-net, que representam agora 71% do tráfego originado – mais 3,7 pontos percentuais do que no período imediatamente anterior à introdução dos planos que permitem realizar chamadas gratuitas entre os aderentes.”, acrescenta u comunicado da Anacom.

O regulador revela ainda que no período em análise, o número de chamadas recebidas na rede móvel foi de 2,19 mil milhões, valor que representa um acréscimo de 0,4% face ao trimestre anterior, e de 4,3% face ao trimestre homólogo. O tráfego fixo-móvel apresenta, face ao trimestre anterior, uma variação negativa significativa (-4,2%), reforçando-se assim a tendência que se vem registando há alguns ano, diz em comunicado.

Telemóveis tradicionais “borram” a pintura

No quarto trimestre de 2010, o segmento dos telefones tradicionais foi o grande responsável pelo fraco resultado do mercado, tendo sofrido uma queda de 23% face ao período homólogo de 2009, com vendas de 1, 2 milhões de unidades, segundo a IDC. No sentido oposto, o segmento dos “smartphones” apresentou vendas de 434 mil unidades, com um crescimento de 110% face ao quarto trimestre de 2009, tendo representado 27% do total de telemóveis vendidos. A continuada redução dos preços deste tipo de terminais tem levado cada vez mais consumidores a substituir os seus telefones tradicionais por “smartphones”, um fenómeno que também beneficiou da dinâmica própria da quadra festiva.

Mercado de “re-exportações” com forte impacto

A IDC estima que em 2010 tenham sido re-exportados 1,6 milhões de telemóveis, 26% das vendas anuais dos fabricantes em Portugal, e um volume percentual semelhante ao do ano anterior. Na análise da consultora trata-se de um elevado volume de “re-exportações”, que diz respeito às unidades vendidas pelos fabricantes aos operadores móveis e distribuidores nacionais, mas redirigidas para outros países Europeus ou outras regiões, através de agentes de telecomunicações especializados na importação e exportação de produtos de telecomunicações.

“Este “segundo mercado” tem vindo a representar ao longo dos anos uma percentagem importante das vendas, apesar de ser penalizador para os operadores móveis, uma vez que afecta os terminais com melhores campanhas promocionais, aqueles que poderiam levar clientes de outros operadores a mudar, ou os clientes actuais a substituir o terminal”, considera a consultora.  O fenómeno “é alheio ao interesse dos operadores móveis e apenas beneficia as entidades que exploram as diferenças de preço verificadas entre o mercado português e outros mercados, fruto das campanhas promocionais e descontos praticados pelos operadores móveis nacionais em determinados períodos de vendas, como sejam as campanhas de Verão, campanhas de Natal, saldos e outras registadas ao longo do ano” afirma Francisco Jerónimo, responsável pesquisa para o mercado de telefones móveis da IDC.

“Contudo o fenómeno das re-exportações não irá evitar que a crise se reflicta no sector, estimando a IDC uma queda significativa do mercado nos próximos dois anos, em resultado da diminuição do poder de compra dos consumidores, o que irá afectar não só a venda de terminais, mas também o consumo médio em comunicações”, segundo o mesmo responsável

Preço beneficia telemóveis da marca de operador

Em 2010, a liderança do mercado português continua a ser assegurada pela Nokia, apesar da concorrência e crescimento da Apple, Research in Motion e dos telemóveis de marca de operador, fabricados por empresas chinesas, de acordo com a IDC. Durante o ano de 2010, tanto a Nokia como a Samsung, o segundo maior fabricante do mercado, viram as suas vendas e quotas de mercado cair.

O bom desempenho da Apple, dos terminais Blackberry e dos telefones Android tem afectado as vendas da Nokia no segmento dos “smartphones”. A Samsung tem também sentido dificuldades em concorrer com os telefones de gama baixa da marca Vodafone. O principal telefone Android da Samsung, o Galaxy S, continua a ser um telefone com um preço comparativamente elevado, o que se reflecte em menores volumes de vendas.

Serviço móvel atinge os 154,9%

No final de Dezembro, a penetração do Serviço Móvel ascendia a 154,9 por 100 habitantes, revela a Anacom. Contudo, a interpretação do valor e do número de assinantes deve levar em conta que cerca de 20% dos consumidores deste serviço dispõem de mais do que um cartão activo, lembra o regulaador

Perto de 10,5 milhões de assinantes estavam, no final de Dezembro, habilitados a usar os serviços de banda larga. Mas o número de utilizadores activos e que efectivamente utilizaram serviços característicos de 3.ª geração (videotelefonia, transmissão de dados em banda larga, mobile TV, etc.), atingiu de acordo com a Anacom, perto de 4,1 milhões, mais 8,6% que no trimestre anterior.

Os utilizadores habilitados a utilizarem os serviços de banda larga (UMTS/HSPA) representavam 63,7% do total de estações móveis activas, enquanto os utilizadores activos constituíam 30,2% do total estações móveis com utilização efectiva.

Do total de utilizadores de serviços de banda larga que registaram tráfego no último mês de reporte, cerca de 31,4% são utilizadores do serviço de acesso à Internet em banda larga móvel através de placas/modem.

Multimédia e vídeo em regressão

Quanto às mensagens multimédia, os utilizadores do serviço móvel enviaram perto de 34 milhões de MMS, menos 1,3% do que no período anterior. Em termos homólogos, o número de MMS enviadas pelos utilizadores cresceu 40,2%, de acordo um comunicado do regulador. No quarto trimestre de 2010,  foram enviadas mais de 6,7 mil milhões de mensagens escritas, mais 2% face ao trimestre anterior e mais 5,9% relativamente ao período homólogo. O número de mensagens de valor acrescentado ultrapassou 20 milhões, o que é equivalente a 0,3% do total de SMS enviados.

Foram realizadas cerca de 1,05 milhões de videochamadas, menos 21,5% do que no trimestre anterior. Quanto ao número de utilizadores do serviço de mobile TV, ele rondou os 57,4 mil (1,4% do total de estações móveis com utilização efectiva de serviços 3G). Face ao trimestre anterior, verifica-se um decréscimo de cerca de 7,1% no número de utilizadores, segundo a Anacom.




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