UIT quer ajuda dos governos para evitar estrangulamento móvel

Não é suficiente para operadores implantarem femtocélulas ou LTE, afirma a agência das Nações Unidas: a intervenção governamental é necessária.

LTE, femtocélulas, transferência automática Wi-Fi, redes de “backhaul” optimizadas, dispositivos de uso do sinal branco (no broadcasting): as operadoras de telefonia móvel estão a implantar uma vasta gama de técnicas para acelerar o fluxo de dados para os smartphones e os fabricantes de equipamentos estão a demonstrar muito mais esta semana no Mobile World Congress, em Barcelona.
Mas tudo isto não será suficiente para garantir que os dados continuam a fluir, com o número de smartphones a crescer de 500 milhões para quase 2000 milhões em 2015, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), uma agência das Nações Unidas.
A UIT quer que os governos tomem medidas agora, licenciando o espectro adicional para as redes de comunicações móveis e facilitando aos operadores de redes fixas a instalação das ligações em fibra óptica de que os operadores móveis necessitam para ligar o número crescente de estações de base para telemóveis.
“As operadoras móveis têm investido milhões de dólares para modernizar e melhorar a capacidade e o desempenho das suas redes, mas nalgumas cidades com elevada utilização, como São Francisco, Nova Iorque e Londres, ainda vemos os utilizadores frustrados com problemas crónicos de indisponibilidade de rede, alertou sexta-feira o secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré.
Se uma maior intervenção governamental vai ajudar é discutível: para essas cidades que Touré cita, os governos já estão bem adiantados.
Uma das estratégias que ele sugere – obrigar as emissoras de TV a mudar para os mais eficientes transmissores digitais, libertando o espectro para outras utilizações -, já foi aprovada nos EUA e no Reino Unido. Em 2008, o governo dos EUA leiloou o espectro da TV analógica na frequência dos 700 MHz, e a Verizon Wireless já começou a oferecer o serviço de banda larga móvel LTE (Long Term Evolution) em Nova Iorque, São Francisco e noutras cidades.
O Reino Unido também desligou os transmissores de TV analógica (a França vai fazê-lo este ano) e está a instalar ligações de fibra óptica até casa: 600 mil lares no Reino Unido podem ser ligados à fibra óptica até final deste ano.
Embora o espectro da televisão analógica tenha sido um alvo fácil, outras frequências podem ser libertadas para as comunicações móveis. Para que seja de baixo custo para produção em massa de telemóveis e modems, porém, as mesmas frequências têm de estar disponíveis em todos os continentes. Essa disponibilidade é decidido na Conferência Mundial de Radiocomunicações (World Radiocommunication Conference ou WRC), evento intergovernamental com três semanas de duração organizada pela UIT a cada três ou quatro anos. A última WRC terminou a 16 de Novembro de 2007. A próxima terá início a 23 de Janeiro de 2012, em Genebra, e os operadores móveis estarão, sem dúvida, atentos às discussões.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado