“Boom” nos dispositivos móveis, bolha nas redes sociais

Deloitte apresentou tendências de evolução na tecnologia, media e telecomunicações (TMT) para os próximos 12 a 18 meses.

Dispositivos móveis em crescimento, o aumento do tráfego na Internet com a resposta WiFi dos operadores e a difícil monetização do online, enquanto a televisão mantém a liderança nos media, são algumas das tendências para os próximos 12 a 18 meses, reveladas pelo estudo “TMT Predictions 2011”, hoje divulgado pela Deloitte.
Este ano, a consultora antecipa que mais de metade dos dispositivos informáticos vendidos não serão computadores mas smarthphones, tablets e netbooks. A nível global, os computadores só devem atingir vendas de 400 milhões de unidades. A venda de aplicações “não-PC” deve crescer 60% para mais de 8000 milhões de dólares.
Já esta semana, a IDC revelou que, pela primeira vez, a venda de smartphones no último trimestre de 2010 ultrapassou as vendas globais de computadores.
Este “caminho futuro aponta para a diversidade a nível de dispositivos, processadores e sistemas operativos, com alterações de modelos de negócio e o surgimento de novas oportunidades relacionadas com novos dispositivos, aplicações e periféricos”, diz a Deloitte em comunicado. “Prevê-se um maior impacto desta alteração no contexto internacional do que no nacional, face ao baixo peso do sector tecnológico no país”.
São os tablets quem vai ganhar “o estatuto de ferramenta indispensável para as empresas”, derivado de alguns factores como o contágio do seu uso pessoal para o ambiente profissional – apesar das questões de segurança (situação que não vai ser fácil de gerir para os departamento de TIs) – ou os sectores de elevado potencial de utilização para registo de dados, marketing de produtos ou para substituir papel, como exemplificou Miguel Eiras Antunes, partner da Deloitte.

Em termos de implicações, há ainda o provável redireccionamento de investimento dos fornecedores de software empresarial para criarem aplicações para tablets, dado ser caro desenvolver para todas. O custo de desenvolvimento de aplicações pode variar entre os 4000 e os 40 mil euros.
Em termos de sistemas operativos móveis, se a liderança se centra entre os iPhone e Android, este “tem alguma vantagem por estar disponível num maior número de dispositivos e por ser muito mais acessível em termos de preço”. Quanto ao Windows Phone 7 da Microsoft, a dúvida é se “consegue recuperar o atraso, recapturar quota de mercado”, como foi salientado na conferência de imprensa.
Por isso, “até 2012, não antecipamos um líder” destacado neste sector, referiu Eiras Antunes.
No online, a Deloitte antecipa que se pode estar perante uma nova bolha dot-com, exemplificando com a valorização do Facebook, sem retorno real em termos de receitas. “Não acreditamos que no próximo ano consigam monetizar” os 600 milhões de utilizadores registados. “Para outros, como o Twitter, será ainda mais difícil rentabilizar” o seu negócio, consideram outros partners da Deloitte.
Esta prevê que, este ano, as redes sociais vão ultrapassar os mil milhões de utilizadores mas o investimento publicitário “será muito pouco significativo, menos de um por cento do investimento total”. E o mesmo acontecerá em Portugal.
Nas telecomunicações, a Deloitte acredita que não será ainda em 2011 que a próxima geração de redes móveis (Long Term Evolution ou LTE) se vai impor, perante a resposta das tecnologias 3G, como o HSPA+. Já o previsto crescimento no tráfego de dados será complementada pelas redes Wi-Fi, com crescimento entre 25 a 50% relativamente ao tráfego nas redes móveis GSM/UMTS.
A Deloitte também não acredita que as videochamadas se imponham, apesar das soluções a preços mais competitivos. As viagens também estão mais baratas e a relação inter-pessoal ainda é importante.
Finalmente, nos media, a televisão continuará líder, tanto em termos nacionais como internacionais, como “super media” e retribuição adequada pela publicidade com 145 mil milhões de euros em 2011, em contraste com o declínio na imprensa para 70 mil milhões de euros. O crescimento nos media online vai ocorrer “mas sem compensar a queda na imprensa”. A mobile TV continuará a ser uma miragem.




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