Cloud da Amazon não convence a Gartner

Na sua matriz de avaliação de soluções e fabricantes de TIC – “Magic Quadrant” –, a Gartner classificou o serviço de cloud computing da Amazon como “visionário” mas “sem provas dadas”.

Um relatório da Gartner classificou o serviço de cloud computing da Amazon num dos níveis mais baixos da sua matriz de avalição de soluções de TIC – Magic Quadrant – referente a essa área do mercado. A consultora diz que o serviço da Amazon é “visionário”, mas ainda é uma solução “sem provas dadas”.

A Elastic Compute Cloud, que oferece acesso a pedido a máquinas virtuais e outros recursos de computação, tem sido um exemplo para definir o modelo tecnológico para a oferta de de infra-estrutura como um serviço (IaaS – Infra-structure  as a Service). Mas isso não significa que seja a melhor opção para as empresas, de acordo com a Gartner.

No Magic Quadrant para IaaS e alojamento na Web, a Amazon fica um nível abaixo dos prestadores de serviços que estão a desafiar os líderes,  e dois níveis depois destes. Para a Gartner, quem lidera a área é a Savvis, a AT&T, a Rackspace, a Verizon Business  e a Terremark Worldwide. Além da Amazon, os “visionários”  são a GoGrid, a CSC, a Joyent e a IBM. São prestadores de serviço com uma abordagem inovadora e disruptiva, diz  a Gartner.

A Gartner não deixa de elogiar o serviço de cloud do retalhista online. “A Amazon é um líder de concepções; é bastante inovador, excepcionalmente ágil e com muitas respostas para o mercado. Tem o portefólio mais rico de produtos de mercado e está constantemente a expandir as suas ofertas de serviço e a reduzir os seus preços,” consideram os analistas da Gartner, Lydia Leong e Ted Chamberlin.

Contudo, os mesmos alertam potenciais clientes sobre várias questões. “A Amazon não oferece quaisquer serviços geridos…  A Amazon é o único prestador de serviços avaliado que também não oferece as habituais opções de colocação, servidores dedicados não virtualizados… É um líder nos preços, mas cobra separadamente por serviços opcionais, que são frequentemente conjugados em ofertas concorrentes… A sua oferta é centrada nos programadores, não nas empresas, embora tenha muita aceitação entre as grandes empresas”.

Algumas destas críticas têm a ver com o facto de a Amazon ser um prestador puro de serviços de  IaaS. Muitos dos rivais da empresa, que se posicionam acima dela, estão no negócio de alojamento de servidores físicos e na gestão de infra-estrutura de centros de dados para os clientes. Assim, a Gartner recomenda aos potenciais clientes dos “visionários” a contratação dos serviços em regime “on demand”, a pedido, ou em contratos a um ano ou menos.

A consultora também crítica os acordos de nível de serviço (SLA – Service Level Agreements) da Amazon. “O fornecedor tem os SLA mais fracos para computação na cloud entre os avaliados, embora os seus níveis de tempo em serviço sejam muito bons”, diz a Gartner. “A maioria dos fornecedores oferece 99,9% de tempo em serviço ou mais, e muitos oferecem 100%, avaliados mensalmente, com o crédito de serviço a ficar limitado a 100% da conta mensal. A Amazon oferece 99,95% de tempo de operacionalidade, limitando o crédito a 10%”.

Uma porta-voz da Amazon, Kay Kinton, defende os  SLA da empresa: “muitos dos SLA praticados são escritos de uma forma que ou só exclui o tempo de inoperacionalidade (chamando à inoperacionalidade ‘manutenção’) ou são redigidos de forma a que o fornecedor nunca tenha de indemnizar o cliente. Os AWS [Amazon Web Services] são claros sobre como os nossos SLA são calculados, não excluímos o tempo de inoperacionalidade, e os nossos painéis de informação sobre a saúde do serviço dão aos clientes constante acesso a dados sobre como os serviços estão a funcionar”.

O analista da Forrester, James Staten, também tem boa impressão do serviço da Amazon. O mesmo salienta que o Magic Quadrant abrange prestadores de serviços de IaaS e de alojamento na Web, mas a Amazon é apenas um fornecedor de IaaS.




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