Utilizadores do sector displicentes no Facebook

Um estudo da BitDefender revela que 86% dos utilizadores que aceitaram o pedido de amizade de um perfil falso trabalham na indústria das TI, dos quais 31 % trabalham em segurança informática.

Quase todos os utilizadores (94%) do Facebook aceitaria um pedido de amizade de um desconhecido atraente, de acordo com um estudo da BitDefender. Mas o mais surpreendente é que 86%  dos membros da rede que aceitaram o pedido de amizade de um falso perfil (no âmbito de um estudo) trabalham na indústria das TI, dos quais 31 % trabalham em segurança informática.

O trabalho da BitDefender procurou perceber a “facilidade” com que os utilizadores das redes sociais fazem novas amizades virtuais ao aceitar pedidos de amizade enviadas por estranhos, com os quais, para além do mais, partilham rapidamente informação íntima e privada. A última parte do objectivo revela os resultados mais graves.

A experiência revelou que os utilizadores mais vulneráveis parecem ser os que trabalham na indústria das TI: depois de meia hora, 10% destes revelou à “rapariga loira” (ficcional),durante a investigação,  informações como a morada, o número de telefone, nome da mãe e do pai, entre outras. São informações que costumam ser utilizadas em perguntas de recuperação de palavras-chave. Mas além disso, depois de uma conversa de 2 horas, 73% revelou o que aparenta ser informação confidencial sobre o seu trabalho, como estratégias de futuro, planos e tecnologias inéditas, software utilizado, entre outras.

Em resumo, o estudo revela que  as redes sociais servem como “ponto de partida para uma “amizade” virtual que convida as pessoas a revelar demasiada informação devido à ilusão de que, apesar de tudo, mantêm o seu anonimato”.

Potencial de informação confidencial revelada depois de uma conversa de duas horas

Os utilizadores da  indústria das TI dividiu-se

em quatro áreas: segurança, entretenimento, software e hardware

Como decorreu a investigação

Uma primeira análise dos dados recolhidos demonstrou que, regra geral, numa rede social a primeira impressão conta muito: uma mulher atraente, jovem, angaria sempre uma grande quantidade de amigos. 94% Da amostra de 2 mil utilizadores aceitou converter-se em amigo do perfil criado pela BitDefender.
Os resultados foram comprovados estudando a motivação dos utilizadores da indústria de segurança para se converterem em amigos de uma rapariga loira, com o intuito de se assegurar que não aceitaram o pedido de amizade simplesmente para ter “material de estudo” para a sua própria investigação.
A todos os utilizadores foi perguntado qual a sua motivação para aceitar a jovem, apresentando-se aqui as respostas: que tinha “um rosto bonito” (53%), “uma cara conhecida ainda que não recordo de onde a conheço” (17%), “uma pessoa que trabalha na mesma indústria” (24%), “um perfil interessante” (6%).
Seguindo com a análise do “nível de cepticismo”, 20 pessoas que aceitaram o pedido de amizade foram eleitas para prosseguir o estudo. Estas pessoas foram convidadas a ter uma conversa individual e em tempo real, por escrito, com a “jovem” criada pela BitDefender.
Algumas teorias, tais como “a teoria da presença social e/ou do contexto social dos signos”, argumentam que, à medida que diminui a presença social, e com a ausência de signos sociais, as relações são menos íntimas e pessoais. Pelo contrário, argumenta-se que este anonimato permite a algumas pessoas manter conversações em tempo real dando mais informação do que a que dariam em relações cara a cara (Whitty y Gavin, 2000, 2001), de acordo com um comunicado da Bitdefender.

Metodologia

A metodologia desta experiência foi simples. Em primeiro lugar, elegeu-se uma rede social. A eleição baseou-se no facto de que a rede fosse suficientemente grande para que os “amigos” da amostra cumprissem o critério da representatividade. A rede eleita foi o Facebook.

Em segundo lugar, criou-se um perfil para a prova com o fim de analisar a denominada “taxa de amizade” em função do sexo, idade e interesses. Este perfil falso era o de uma mulher loira, de 21 anos, que actuou como um interlocutora muito, muito ingénua.

Dois mil utilizadores foram seleccionados para se converterem em amigos desta rapariga. Estes utilizadores foram escolhidos aleatoriamente com o intuito de cobrir todas as variáveis da amostra representativa: o sexo (mil mulheres e mil homens), idade (a amostra oscilou entre os 17 e os 65 anos, com uma média de idades de 27,3 anos (SD=5.85), interesses e postos de trabalho.

Os dados foram recolhidos em duas fases. A primeira fase incluiu o envio de um pedido de “amizade” aos dois mil utilizadores e uma recolha de informação acerca da facilidade com que aceitam uma pessoa desconhecida como “amigo” em função do sexo, a idade e os interesses do receptor do pedido. O prazo da primeira fase da experiência foi de uma semana (de segunda-feira de manhã à noite de domingo).

A segunda fase incluiu uma breve conversa com alguns desses “novos amigos”, para ver que informações estariam dispostos a revelar a uma pessoa desconhecida, depois de uma conversa de 2 horas. As pessoas nesta segunda fase foram escolhidas a fim de garantir a homogeneidade dos grupos investigados.




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