Processador famoso estudado por arqueólogos digitais

Equipa regista o influente MOS 6502 para a posteridade.

Um grupo de entusiastas da arqueologia de microprocessadores está a fazer progressos no registo para a posteridade do muito influente – mas agora pouco compreendido – processador MOS 6502 que, quase sózinho, lançou a revolução do computador pessoal e das consolas de jogos há uma geração atrás.
Se o MOS Technology 6502, de 8 bits e a 1MHz, concebido por Chuck Peddle em 1975, não diz muito aos actuais utilizadores da Internet, a sua influência na história da informática ainda é enorme.
Inventado para minar o duopólio acolhedor do Intel 8080 e do Motorola 6800 (anteriormente projetado pela equipa do MOS), o 6502 acabou por ser utilizado no Apple I e II, no Commodore PET, no Atari 2600 e na consolas de jogos Nintendo Entertainment System (NES), que mudaram o curso do entretenimento digital.
O 6502 também foi o cerne do BBC Micro que deu o pontapé inicial para a informática pessoal no Reino Unido e foi uma grande influência para os processadores ARM, que agora suportam muitos dos smartphones mais famosos do mundo, incluindo o iPhone da Apple.
No lado dos famosos, foi referido que era o chip que suportava o personagem de Arnold Schwarzenegger no filme Terminator e, de uma forma totalmente irónica, o robô alcoólico Bender na série de animação, Futurama, de Matt Groening.
Apesar de ainda existirem emuladores para o chip, são uma aproximação que não revela exactamente o que está a acontecer nos microprocessadores ao nível dos transístores.
De acordo com os fãs dos processadores na visual6502.org – os engenheiros Greg James, Barry Silverman, e Brian Silverman -, a única maneira de entender a estrutura interna do chip foi limpar as camadas de polisilício com ácido, fotografando os resultados em alta resolução.
Além de revelar a estrutura interna do processador em grande detalhe, também permitiu uma compreensão tridimensional dos 20 mil componentes interiores que podem ser usados para construir um modelo funcional.
“Enquanto uma multidão de pessoas entende o conjunto de instruções para o 6502, quase ninguém – para lá dos criadores originais – entende como o processador resolve fisicamente este conjunto de instruções”, diz um blogue no site do grupo.
Os técnicos também transformaram os seus conhecimentos sobre o chip numa simulação em Javascript HTML 5 que percorre o interior do funcionamento digital do 6502. Para a ver, os autores advertem que é exigido pelo menos 2 GB de RAM e que não é compatível com o browser Internet Explorer.
A equipa descreve-se abertamente como “arqueólogos dos processadores” e já registou uma série de outros chips antigos – o Intel 4004, o Zilog Z80 e o Motorola 6800 -, na esperança de dar aos investigadores do futuro uma melhor compreensão do nascimento cada vez mais remoto da idade do digital.




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