Virtual Desktop Infrastructure – lobo vestido de cordeiro?

André Kiehne
Vice-Presidente de Serviços Dynamic Infrastructures
Fujitsu Technology Solutions

A implementação de uma Virtual Desktop Infrastructure é a maior mudança na computação desktop desde a revolução PC nos anos 80. A virtualização da infra-estrutura tecnológica apresenta muitas vantagens e oportunidades, mas as empresas têm de estar atentas às armadilhas, antes de aderir cegamente a esta nova tendência.
Na teoria, é um argumento persuasivo: pequenas e grandes empresas vão poder desfrutar de enormes desempenhos e vantagens económicas com a adopção imediata da mais recente tecnologia que está a conquistar o mercado: a Virtual Desktop Infrastructure. Apelidada por alguns como o regresso aos “dumb terminals” dos anos 70 e 80, a Virtual Desktop Infrastructure, ou VDI na sua versão mais curta, é muito mais do que um ecrã verde – aliás, o utilizador pode até nem se aperceber de que o seu velho e familiar PC de secretária foi substituído por uma imagem de desktop que reside num servidor virtualizado localizado algures na organização – ou num remoto datacenter num qualquer ponto do mundo, se for caso disso.
A revolução da virtualização, que começou com os servidores, está agora a chegar aos desktops – e a trazer uma gama de vantagens que os PC tradicionais não conseguem igualar. A VDI alojada e gerida centralmente fornece uma atraente combinação de vantagens em termos de segurança, qualidade de serviço e flexibilidade, que conduzem a poupanças se comparadas com o funcionamento de uma rede tradicional baseada em PC. Além disso, a migração é simples, especialmente em ambientes em que a virtualização de servidor foi introduzida, dado que aí as empresas já lançaram os alicerces necessários. Tal como todos os grandes avanços tecnológicos, é na fase de implementação que a situação se torna mais crítica. Basear uma VDI em dados incorrectos e as prometidas poupanças poderão ser uma desilusão, uma frustração, um fracasso. Neste domínio,  a Fujitsu apostou numa abordagem Managed Services, disponibilizando um conjunto de alternativas e modelos híbridos, que permitem aos clientes medir o seu sucesso através de um simples e flexível Acordo de Nível de Serviço (SLA) – na prática, os clientes são facturados “por posto” de trabalho e tudo o resto (suporte, manutenção) são pormenores invisíveis para as empresas.
É sobretudo no que respeita ao licenciamento de software que é importante estar atento aos lobos vestidos de cordeiro. As empresas que escolherem uma proposta de infra-estrutura VDI tendo em vista apenas a prometida redução de custos, devem tomar atenção aos modelos de licença. Os gestores não se devem deixar convencer por uma solução “universal”, nem cair na promessa de reduções improváveis nos custos de funcionamento por utilizador. Porquê? Porque é fácil baixar artificialmente os custos globais no papel – basta cortar serviços essenciais como a manutenção e o suporte. Além disso, por cada dispositivo terminal utilizado sem uma licença completa de sistema operativo Microsoft Windows, como um thin client ou Zero Client, as empresas precisam de contabilizar a subscrição do serviço Virtual Desktop Access (VDA), da Microsoft, que custa cerca de 100 euros por dispositivo por ano. E isto significa que a pechincha VDI de hoje pode representar um pesadelo TI já em 2012. É necessário ter em atenção as despesas ao longo de todo o ciclo de vida de um PC tradicional – três a cinco anos – permanecendo alerta para os custos escondidos.
A Fujitsu está actualmente a trabalhar com organizações visionárias para implementar modelos híbridos que incluam uma combinação de VDI e “fat clients” – também conhecidos como PC ou notebooks – uma vez que ainda há alguns cenários de utilização em que estes são muito mais adequados – por exemplo, para trabalhadores de campo e para super-utilizadores sedentos de poder de processamento que necessitam de gráficos on-board e do melhor desempenho de sistema à face da terra.
Seja qual for a combinação, se a VDI for devidamente planeada e implementada, ela irá ajudar as empresas a dizer adeus ao ciclo normal de actualizações de PC – e a apreciar as vantagens do melhoramento contínuo e discreto dos seus sistemas. Isto inclui melhorias no sistema operativo em que as imagens individuais se baseiam, bem como na expansão sem esforço de infra-estruturas de armazenamento e servidores virtuais. Para empresas que procurem crescer, a VDI é uma abordagem à prova de futuro. E os utilizadores ficarão satisfeitos porque têm a garantia de um desktop que está sempre actualizado.
A VDI não representa apenas poupança de custos e desempenho de sistema, mas também flexibilidade e melhorias de segurança. Nos helpdesks costuma dizer-se que os PC funcionariam de forma perfeita, não fosse o facto de os utilizadores mexerem neles. Ao mudar para desktops baseados em servidor, torna-se muito mais rápido restaurar um desktop e todas as aplicações a partir de uma cópia de segurança. Isto também poupa tempo e dinheiro na resolução de problemas. Já no que diz respeito a organizações que estão preocupadas com fugas de dados dos seus sistemas e com a introdução de dados estranhos através das drives USB, smartphones e demais dispositivos dos utilizadores, mais uma vez a VDI leva vantagem, pois permite uma segurança muito maior.




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