“Tecnologia in-memory não compensa”

Para o CEO da Information Builders, Gerald Cohen, a tecnologia de base de dados in-memory não compensa, por ser muito cara. Mais vale usar tecnologia SSD. O responsável explica porquê em entrevista.

O CEO e presidente da Information Builders, Gerald Cohen, apresentou em Madrid as principais evoluções tecnológicas com impacto definido no campo do tratamento e processamento de dados e na área de Business Intelligence (BI). Em entrevista ao Computerworld, o responsável aprofunda as suas ideias, explica a sua visão sobre o mercado – prevê que “a HP vai comprar a SAP” –, e como vai evoluir o BI. Nas previsões sobre a evolução tecnológica, diz que a velocidade de acesso suportada pelas drives SSD será tão rápida quanto o acesso “in-memory”. Esse factor vai afectar o desenvolvimento dos data warehouses, à medida que as “queries” se tornam mais facilmente executáveis sobre grandes conjuntos de dados, em tempo real.
Contudo, as empresas também terão de considerar outra inovação na área: as bases de dados em coluna. Este novo tipo de base de dados armazena informação estruturada por colunas em vez de linhas, e assim as “queries” de BI ficam só por isso, cinco a 50 vezes mais rápidas.
Gerald Cohen diz que há duas opções para as empresas: ou mantêm as bases de dados e movem-nas para um suporte SSD para ficarem mais rápidas; ou migram os dados para uma base em colunas.
Computerworld – Na sua apresentação, traçou algumas perspectivas de evolução tecnológica, mas falou de tecnologia “in-memory” de acesso a dados?
Gerald Cohen – Para que se quer essa tecnologia se podemos colocar os dados num disco? Essa tecnologia de utilização de memória é muito cara. A tecnologia SSD vai ser muito mais barata. E o problema que se tem com a memória, é que quando se inicia um computador torna-se necessário trazer tudo para a memória. Assim que se desliga a informação desaparece. Com o SSD, assim que se liga o computador a informação está lá. É apenas um pouco mais lenta por ter de passar por um bus de dados…
CW – Mais lento em que medida?
GC – Pode notar-se a diferença. Mas em geral, não. A tecnologia in-memory é 20 a 30% a  mais rápida.
CW – Então porque está a SAP a apostar em tecnologia in-memory?
GC – Essa tecnologia não compensa. Mais vale esperar pela tecnologia de SSD.
CW – Acha que a tecnologia in-memory não tem futuro?
GC – Não é isso. O que eu fiz foi olhar para curva de crescimento de custos destas tecnologias. Qual é a taxa de redução de custos, em preços de memória? E qual é redução de custos, em preços de dispositivos armazenamento? Na minha opinião, é melhor colocar em dispositivos de SSD: se colocar em memória, como o sistema operativo também precisa de memória, está-se a atrasar as operações de cache do sistema operativo e de tudo o que ele está a fazer. Portanto se tiver um núcleo de 64bits, a correr 15 aplicações diferentes está a torná-las mais lentas, se carregar a memória com muita coisa. Se a base de dados estiver em SSD, todas operações beneficiam. Mesmo que as memórias estejam a ficar maiores, os SSD são melhor investimento.
CW – Quais são as consequências dessa evolução para o BI?
GC – As pessoas estão a armazenar cada vez mais dados. O factor mais importante é o armazenamento. Com a base de dados a crescer cada vez mais, as empresas pedem cada vez maior velocidade nas aplicações. E dizem-nos que o software não está a correr suficientemente rápido. Quando vamos ver, os dados demoram oito segundos a sair da base de dados, e os clientes querem que as aplicações forneçam informação em três segundos. Mesmo assim, é possível tornar o processo mais rápido se colocar a base de dados em infra-estrutura SSD.
CW – Portanto, com o software é impossível tornar o processo mais rápido?
GC – A base de dados pode ser mais rápida. Há alguns anos era necessário fazer formatações apenas para relatórios. Mas hoje, os clientes querem formatações como painéis, com relatórios, gráficos, e isso ocupa tempo de processamento. Por isso é preciso uma base de dados e memória mais rápidas, e maior capacidade de processamento. Quando envio um relatório e três gráficos para o servidor, haverá quatro coisas a serem executadas em paralelo. E será o mesmo que ter quatro utilizadores. Uma das formas de resolver o problema é ter maior capacidade de computação a processar esses elementos em paralelo.
CW – Podemos então dizer que o BI será um factor de despesa em hardware?
GC – Completamente. Por isso é que os grandes fabricantes o têm… a IBM, a Oracle. A SAP não se interessa pelo hardware, por estar tão pressionada já
a ter ela mesma a desenvolver tecnologia mais rápida, que já tem um grande problema. Nas nossas previsões será comprada pela HP.
CW – Prevê isso?
GC – Porque razão acha que o Leo Apotheker foi contratado para a HP? Para comprar a SAP!
CW – Conseguir chegar a um consenso sobre normas de BI numa empresa é hoje um obstáculo na adopção de tecnologia de BI. É dos problemas para os quais a Information Builders não tem resposta…
GC – Pois mas o problema não é meu. Se uma empresa não consegue chegar a consenso sobre o que é BI, eu só posso ajudá-los a definir a Information Builders como padrão. Não posso levá-los a mudar as suas políticas de governação.
CW – A indústria não deveria ajudar a definir um padrão?
GC – Não, não. Cada empresa tem uma determinada história e há pessoas que controlam a sua inteligência. Mas outras pessoas querem outros padrões, e depois entrou outro profissional que trouxe outro… O BI não é a mesma coisa para toda a gente. O problema é que se calhar as empresas andam em lutas internas para definir um padrão.

CW – E como explica o facto do mesmo estudo dizer que um dos obstáculos é a falta de clareza nas perspectivas de retorno de investimento?
GC – Muitas poucas pessoas têm a capacidade de prever um retorno de investimento. Geralmente deve ser a pessoa que patrocina o projecto. Na maior parte dos projectos de BI, reconhece-se que são necessários, por uma questão de competitividade. Mas é muito difícil, perceber logo qual vai ser o ROI. Estamos a desenvolver com um dos nossos clientes que gere a estadia de crianças em famílias de acolhimento, um modelo para determinar para que famílias deve ir cada criança (dependendo da sua personalidade), de modo a optimizar o seu tempo de estadia. Quanto maior for o tempo de permanência mais o estado poupa. Isso será ROI!
CW – O BI de open source, faz sentido?
GC – Para as empresas do tamanho certo faz sentido. As empresas grandes não vão adoptá-lo, porque ficam preocupadas com a possibilidade serem processadas. As pequenas arriscam mais. E quando se compra open source comercial não é tão barato. Mas reconheço-o como concorrente. E muitas empresas vão começara a olhar para ele quando virem quanto têm de pagar aos grandes fabricantes.
CW – A Information Builders não fala de Business Analytics, porquê?
GC – Temos tecnologia de Predictive Analytics e o Search. Temos várias vistas dependendo do que se quer fazer, e um motor de busca open source, à volta do qual desenvolvemos tudo para integrá-lo no nosso ambiente. O núcleo continua a ser open source. Preferimos falar de Predictive Analytics.
CW – Então porque acha que os outros estão a promover esse conceito?
GC – Nem tudo é estatística e nem todos têm Business Analytics. O que têm é a apresentação de dados, ou o gráfico. Pode ser um conjunto muito estranho de coisas. Os únicos que têm é o SAS Institute, a IBM com SPSS e nós. Nós estamos a prever onde vão ocorrer crimes no turno seguinte com um aplicação para forças policiais. Isso é Business Anaklytics? Não, é Predictive Analytics. Buisiness Analytics fornece médias, tendências…
CW – Nunca pensou em vender a empresa, ou aceitar a oferta de compra de um fabricante grande?
GC – Hoje já não há grandes fabricantes que nos possam comprar. A minha resposta costumava ser sempre: “Nunca se sabe!”. Mas vamos ser caros. E muitas das grandes empresas já compraram a tecnologia. Estaríamos arruinados!!
CW – Como assim?
GC –  A maior parte dos fabricantes que compraram empresas de BI, arruinaram-nas em poucos anos. A minha resposta é igual à de Jim Goodnight, presidente do SAS Institute. Ele diz que quando estivermos numa empresa cotada, vão querer saber informação privada sobre o negócio, e vai haver um puto de 27 anos, com uma ferramenta, a prever as nossas receitas. São previsões às quais vamos ter de corresponder. É ridículo.
CW – Mas  isso também tem a utilidade e faz sentido, para atrair investimento em investigação e desenvolvimento, entre outras, não?
GC – Bom, nós não sentimos falta disso.
CW –-  Como vai evoluir o BI?
GC – Não sei o que vem a seguir, mas está a crescer. À medida que se guarda mais informação, inventamos mais formas de analisá-la. O BI está a tornar-se uma categoria enorme.
CW – Como vai evoluir o Business Intelligence com a emergência de dispositivos como o iPad e os smartphones?
GC – Sim muitas pessoas usam já um tablet PC. Mas será que é necessário ter a aplicação no tablet? Eu acho que não. A aplicação não faz nada de especial. Apenas diz o que há de novo para descarregar, e na nossa é podemos gravá-la no iPad. Acho que vai ser uma moda passageira. É verdade que torna mais fácil a manipulação dos conteúdos através de gestos, suportados pelo HTML 5.

CW – Então esse tipo de utilização vai desaparecer?
GC – Não, acho que em dois anos a Microsoft terá de suportá-la. A Apple está a dar-lhe uma “tareia” com a interacção por gestos e é lógico que o Steve Ballmer, exija que o próximo Windows suporte esse tipo de interacção, em substituição dos apontadores.



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