Tablets: a concorrência para os media virá de fora

Encontro Tablets junta editores, operadores, fabricantes e publicitários animados com nova tecnologia. Juan Giner mostrou como pode o futuro ser mais criativo.

Dificilmente uma nova tecnologia consegue agradar a empresas de media e anunciantes publicitários, a fabricantes de dispositivos e a operadores de telecomunicações. Mas os tablets – como o iPad da Apple, o Galaxy Tab da Samsung ou o Folio 100 da Toshiba – parecem congregar um optimismo nessas entidades que aparentam ter descoberto não um mas vários modelos de negócios que a todos satisfaz. Pelo menos foi o que transpareceu no “Encontro Tablets – Uma Nova Era de Comunicação“, organizado hoje pelo semanário Expresso, Vodafone e Samsung.
Com uma nota cautelosa, Juan Antonio Giner (presidente da Innovation Media Consulting) explicou que “os tablets vêm com problemas mas serão resolvidos mais depressa do que se pode pensar”.
Arrumados os problemas, Giner acelerou para antecipar que os utilizadores móveis serão mais do que os de computador em 2014 e que os grupos de media têm de apanhar esta tendência. “Se estão confusos, sigam os leitores”, aconselhou, enquanto mostrava um gráfico com o uso diário dos tablets ao longo do dia, que apenas se atenua em momentos de refeições ou dormida.
Para este consultor de media, o problema não está nos consumidores mas nas equipas de gestão dos media e nos jornalistas. Não todos, como no caso do inglês Financial Times que, esta semana, anunciou um bónus natalício de quase 1800 tablets para os funcionários. Porque “as pessoas têm que ser expostas” aos tablets, explica, só vendo e testando se percebe como é um dispositivo diferente de um computador portátil, por exemplo.
Até porque os media nos tablets não devem ser “PDFs com esteróides”. “Não têm futuro” porque não devem ser uma adaptação simples do impresso. A “recolocação” para um tablet não é o mesmo que “repensar” para os tablets, diz.
Mas Giner alertou que se os media não criarem para os tablets, outros o vão fazer. E deu vários exemplos de que não é no futuro, já está a acontecer com a Starbucks, Nomad Editions, a suíça Stimul, a cadeia Kraft Foods, Jason van Genderen ou Benjamim Reece.
Não são “advertorials, são bom conteúdo e eles vão ser concorrentes” dos media e são exemplos de que “cada vez há mais novos ‘players’, para os tablets”, sublinhou Giner.
E necessidade de mais competências, pelo que o fundador da Innovation recomendou a existência nas redacções de realizadores, argumentistas, criativos que sabem como produzir para os ecrãs. E deu exemplos do que já está a ser feito, como a reportagem sobre Cali (México) realizada pelo diário espanhol El País. São “novas narrativas digitais e é o que conta, é o que vai contar”, assume.
Giner considera que falta nos media a “visão estratégica a longo prazo”, “criatividade digital”, “novos fluxos de trabalho”, “suporte das tecnologias de informação”, “normas de navegação” no multimédia e “foco no conteúdo e na audiência”.
Serão os conteúdos de “alta qualidade e não a plataforma” que vai interessar na definição de modelos de negócio. Porque
“A audiência gastará mais tempo nos tablets do que alguma vez o fez” noutras plataformas, mas “só com bons conteúdos”. Tanto mais que os “tablets são o maior integrador de media, o maior de sempre, que adiciona todos os anteriores” e porque vão continuar a evoluir, a tornarem-se flexíveis e a concretizar a ideia do Newsslate, da própria Innovation.




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