2011 será um ano de preocupação nas telecomunicações

Rede única de fibra óptica é praticamente impossível mas pode ocorrer com a futura rede móvel LTE, soube-se no painel “Estado da Nação” do 20º Congresso da Comunicações, da APDC, que juntou os principais operadores do sector.

Presente pela primeira vez no Congresso das Comunicações, a Cabovisão – que está no mercado desde 1996 – sintetizou como o ano de 2011 pode ser preocupante em termos financeiros “mas há outras preocupações” no sector das telecomunicações. Isto segundo o seu administrador Martinho Tojo e apesar de, “desde Abril, termos sempre vindo a crescer” e, “nos últimos dois anos, termos conseguido 250 mil novos clientes em cada ano”.
As preocupações deste operador de “pay TV” passam pelos preços e conteúdos.
O preço do seu serviço de “triple play” é agora metade do que há dois anos e “temos menos de 270 mil clientes”, referiu, lembrando que o presidente da PT, “Zeinal Bava, disse no ano passado que para se dar lucro são precisos mais de 800 mil clientes”.
Também António Coimbra (Vodafone) realçou que a crise não passa ao lado das telecomunicações, “um sector em recessão nos últimos dois anos” com quebras de 2 a 3% nos últimos dois anos.
“Temos de criar sustentabilidade para o futuro” e “estamos disponíveis para as novas redes no fixo ou no móvel, nomeadamente no LTE” mas lembrou a questão da rede única: “defendemos isso e agora a Itália anunciou isso mesmo, com o apoio do Governo – é um país pobre, não suporta duas ou três redes”, ironizou. Mas, posteriomente, considerou que a “rede única é praticamente impossível” e que o regulador Anacom deve definir um quadro regulatório para estimular um ambiente com maior concorrência.
No mesmo diapasão, Xavier Martin (Oni) lembrou que “só há uma rede eléctrica, só há uma rede de multibanco, só há espaço para uma rede de fibra óptica”, até porque a “sobreposição de redes drena capacidade de investimento nos conteúdos”.
Este operador tem uma “visão mais optimista para 2011”, apesar do sector estar “a descobrir o que Hollywood já sabe há muitos anos: a catástrofe vende”. Martin acredita que 2011 será um ano “de maior certeza”, com “investidores que vão permitir mais investimento e criar modelos de negócio para o futuro”.
A “recessão é uma grande oportunidade”, assegura Miguel Almeida, da Optimus, porque se pode mudar o modelo operativo e ser mais eficiente. A crise “vai fazer mudar o comportamento dos consumidores e ter uma nova oferta mais diferenciada” pelos operadores. Esta operadora móvel defende igualmente uma rede única de fibra.
Mas “pedir uma rede única não faz sentido”, uma das redes que existe “é nossa e não está à venda”, enquanto “as condutas estão aberta e estão reguladas”, declarou peremptório Zeinal Bava, da PT. À margem da conferência, no entanto, revelou que na rede móvel “35% das antenas são partilhadas” actualmente entre os vários operadores.
Bava considera que 2011 vai ser um “ano difícil mas cada segmento vai responder de forma diferente”.
Os grandes clientes que investiram em tecnologia e modelo de negócio podem ter “oportunidades interessantes de crescimento”. Nas PMEs e empresários individuais, “vai ser um ano complicado, como já aconteceu em 2010”, até porque “o número de falências aumentou mas podemos ter propostas de valor com vantagem competitiva”, declarou.
No sector individual, do telemóvel, “a destruição de valor não tem comparação europeia”, com uma redução de receitas de 5 a 10%. E uma “concorrência irracional e preços irracionais”, quando existiu um crescimento de 45% nos minutos mas com menor rentabilidade. Também António Coimbra considera que a “queda de 20 a 40% nos preços do minuto móvel é único na Europa” – isto quando 70% dos minutos telefónicos ocorrem actualmente nos telemóveis, contabilizou Xavier Martin. Quanto a números concretos, para lá das percentagens, ninguém os forneceu.
Já na banda larga móvel, “tem havido mais bom senso”, referiu Bava.
No segmento residencial, o “triple play” tem também aumentado a concorrência mas “se em 2011 vai aumentar contenção de custos, no segmento residencial pode aumentar” o consumo de televisão e de Internet – “é onde estou mais confiante”, assegurou.
Actualmente, a PT tem um milhão de casas com fibra óptica e vão ser mais 600 mil no próximo ano.
A operadora considera que o Brasil será muito importante e, depois da consolidação com a Oi e até ao primeiro trimestre de 2011, “só 40% das receitas vão ser em Portugal, das quais 16% no móvel e 24% no fixo”.
Também Rodrigo Costa, da Zon, está optimista. O mercado cresceu nos últimos três anos, com mais 750 mil utilizadores na “pay TV”, mais 500 mil na banda larga fixa, mais de 1,5 milhões na banda larga móvel e houve crescimento na voz fixa.
Quanto à rentabilidade das empresas, esta “está ligada à sua quota de mercado, a dinâmica é esta”. E se “Zeinal Bava se queixa do preço dos conteúdos, eu queixo-me do preço das condutas – é muito mais do que há três anos”.

O responsável da Zon considera que “todos se queixam mas o mercado cresceu” e embora antecipe um 2011 “com preocupação e um crescimento menor”, considera que “a Net já é indispensável, as pessoas não passam sem TV e há muitas pessoas que ainda não sabem o que é a televisão paga”.

Para a PT, “a nossa grande aposta é a interactividade” na televisão. Um teste no Mundial de Futebol conseguiu um milhão de utilizações, o programa Ídolos já obteve também mais de um milhão e o Secret’s Story ultrapassou os quatro milhões.




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