“Portugal devia cooperar com Brasil na transferência de tecnologia”

A economia portuguesa é uma “base natural” para as iniciativas brasileiras ganharem presença na Europa, e por isso as entidades portuguesas de investigação e desenvolvimento devem promover parcerias com essas organizações.

O assistente especial de investigação da Universidade de Boston, Ashley Stevens, fez ontem várias recomendações às organizações portuguesas de investigação e desenvolvimento, especificamente quanto a estratégias de transferência de tecnologia. “Portugal devia cooperar com Brasil na transferência de tecnologia”, considerou, a numa das suas mais importantes mensagens, da sua palestra na 2ª Conferência da University Technology Enterprise Network. Na sua visão, Portugal precisa de aproveitar o facto de ser uma “base natural” de entrada das iniciativas brasileiras na Europa. Deve por isso, promover parcerias entre organizações de ambos os países, no âmbito da transferência de tecnologia das universidades para a economia. Ainda no campo das colaborações, o responsável recomenda a cooperação com organizações de vários tipos.
Numa das suas recomendações mais sonantes, desafiou as universidades portuguesas a libertarem, durante algum tempo, os seus docentes para este poderem prestar serviços de consultoria a empresas ou outras organizações. “Um dia por semana”, foi o padrão defendido pelo responsável.
Além disso, sugeriu ao governo a produção de legislação mais capaz de suportar a criação e operações de “spin-off”, e estimulou as instituições universitárias a desenvolverem mais parcerias com o sector empresarial.
Segundo Stevens, perto de 84% das organizações públicas de investigação e desenvolvimento estão a perder dinheiro em parcerias com diversas entidades em projectos de transferência de tecnologia. Mas nem por isso, o responsável deixa de recomendar maior arrojo no investimento em parcerias de transferência de tecnologia. Não havendo investimento na transferência de uma tecnologia, de certeza que não se obterá retribuições financeiras. Mas se houver uma aposta, haverá pelo menos algumas hipóteses de sucesso. Na sua visão, “a investigação e desenvolvimento de tecnologia fazem parte das infra-estruturas de um país, tal com as estradas, aeroportos e caminhos-de-ferro”. Tradicionalmente, 5% do impacto da transferência bem sucedida de tecnologia concentra-se na criação de uma empresa e outros benefícios locais, segundo Stevens. O restante impacto dispersa-se por toda a economia, acrescenta.




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