Internet móvel limitada é boa para as aplicações

Com hardware enorme e a ilusão de banda infinita, programadores perderam a noção. Com as restrições, no entanto, a criatividade tende a aumentar.

Há quase quatro meses que a AT&T anunciou os novos preços da ligação 3G para o iPhone e outros smartphones, deixando de oferecer a opção de banda ilimitada. No Brasil, por exemplo, nenhuma operadora tem planos de Internet sem limite de dados. Mesmo assim, o mundo não acabou, apesar do clamor dos programadores de que as suas aplicações – principalmente os jogos e leitores de vídeo – perderiam clientes com as restrições de 200 MB ou 2 GB mensais.
Esse medo é saudável e todos os programadores deveriam tê-lo.
A desconfortável tendência do mundo do software começou quando o Windows removeu a barreira de 640 Kb de memória física para os programas. A partir daí, a maioria das aplicações passou a desperdiçar uma enorme quantidade de recursos – memória, disco rígido, processador – pois a necessidade de reescrever e melhorar os códigos de programação deixou de existir. Smartphones modernos têm processadores e armazenamento que rivalizam com computadores com poucos anos de vida que também suportam programas pesados.
Entretanto, a capacidade da rede 3G não tem evoluído à mesma velocidade que a procura tem aumentado e mesmo tecnologias mais modernas, como o LTE ou o WiMAX 2, embora ofereçam alternativas interessantes, não são capazes de acompanhar o ritmo de crescimento que os computadores e a Internet sem fios exigem.
A imagem que se disseminou de utilizadores com os seus iPhone, Android ou BlackBerry a verem vídeos em alta definição, enquanto esperam pelo metropolitano ou vão para o trabalho, é irreal. Não são só filmes, claro, mas também jogos multi-utilizador, música por streaming, videoconferência, mapas meteorológicos detalhados, enfim, os programadores dessas aplicações nem sequer vislumbram os limites da banda larga. Não há para onde ir com esse modelo ilusório de que “tudo pode ser transmitido pelo ar, via streaming”.
A Apple deu um bom exemplo ao restringir aplicações que requerem muita banda em acesso Wi-Fi. Mesmo alguns recursos que vêm com o iPhone 4 e a nova geração do iPod Touch, como o FaceTime, não podem fazer uso do 3G. É uma medida inteligente: previne possíveis decepções na utilização de funções específicas.
Felizmente, cobrar pelo tráfego excedente faz os utilizadores mais inteligentes de como acedem à Internet móvel no dia-a-dia. Caso contrário, passariam a usá-la indiscriminadamente – muitos deixam a torneira do chuveiro aberta quando descobrem que o contador não está a funcionar. A verdade é que não são muitos os vídeos que precisam de ser vistos no momento em que são descobertos; faz mais sentido esperar pelo sinal Wi-fi ou chegar a casa e visualizá-lo pelo computador ou transferi-lo para o dispositivo para que se possa tê-lo à mão quando necessário. Os jogos também podem ser carregados previamente, deixando o 3G responsável apenas pelas novas jogadas.
Após intensos protestos, a vida continuou tanto para os utilizadores de smartphones como para os programadores. O iPad, que nem chegou a ter a opção de tráfego ilimitado, está cheio de aplicações inovadoras, tal qual o iPhone. Cobrar pelo excedente é um novo fenómeno para os americanos. Na Europa, na Ásia ou na América do Sul, não – os seus programadores há muito tempo que se esforçam para tornar as suas criações mais económicas. Quando todas as operadoras impuserem limites – a Verizon já sugeriu que irá fazê-lo – os programadores dos Estados Unidos também se adaptarão às novas regras do jogo.
Adaptado da IDGNow!




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