As vantagens da virtualização nos telemóveis

A virtualização nos telemóveis pode dar aos utilizadores mais escolha de aplicações num único dispositivo.

A virtualização está a caminho dos telemóveis e pode permitir aos consumidores a aquisição de smartphones mais baratos, o download de uma larga variedade de aplicações ou ter um único aparelho tanto para uso pessoal e profissional, segundo responsáveis da VMWare e outras empresas.
Como sucede nos PCs e servidores, a virtualização em telemóveis admite diferente software a funcionar em ambientes isolados, aumentando tanto a segurança como a escolha do utilizador, afirmaram num painel da conferência Mobilize em São Francisco (EUA). Um dispositivo pode “correr” diferentes aplicações em diferentes sistemas operativos móveis, segundo Srinivas Krishnamurti, director sénior para as soluções móveis na Vmware.
“Cada ícone pode funcionar numa máquina virtual ou num sistema operativo completamente diferente”, diz Krishnamurti. “Do ponto de vista do consumidor, tanto se lhe dá, apenas se quer a aplicação e a funcionar”.
Esta capacidade pode estimular os funcionários das empresas, muitos dos quais usam dois telemóveis, refere aquele responsável. Com a virtualização no processador das aplicações no telemóvel, eles podem usar aplicações empresariais e armazenar os dados da empresa nos seus aparelhos iPhone ou Android. A Vmware já está a falar com CIOs para tornar isto possível.
Mas Krishnamurti avisa que a virtualização móvel, apesar de promissora, não está pronta para o tipo de popularidade que ocorreu há uns poucos anos com a tecnologia da VMware para PCs e servidores.
“Cremos que nos telemóveis ainda não acreditámos um caso de utilização apelativo com um claro [retorno no investimento]”, diz Krishnamurti. O mundo móvel é diferente dos centros de dados e dos PCs porque os utilizadores não podem facilmente escolher hipervisores nos seus telemóveis. São os fabricantes dos dispositivos e operadoras que têm de alinhar no conceito, refere Krishnamurti. E “demora algum tempo para que todas estas pessoas no ecossistema peguem nele, percebam como fazer dinheiro, antes dele se desenvolver”.
Para o presidente e CEO dos Open Kernel Labs, Steve Subar, o uso da virtualização já está generalizada nos telemóveis.
Os OK Labs trabalham na virtualização móvel desde a sua fundação em 2006 e o sector tem evoluído, segundo Subar. Começou por se virtualizar o processador de banda do telemóvel, que gere as comunicações, e nos últimos dois anos evoluiu para ser usado nos procesadores de aplicações. A tecnologia de virtualização da empresa foi usada num conjunto de plataformas da Qualcomm, incluindo o “chipset” Snapdragon usado no EVO 4G da HTC e noutros.
Algo que a virutalização fez foi baixar o custo dos telemóveis por permitir aos fabricantes incorporar mais tipos de software sem criar um hardware específico para os usar, segundo Subar. Este fenómeno abriu a porta a uma nova geração de smartphones para o mercado de massas que têm capacidades de “browsing”, acesso a rede sociais e capacidades de jogos mas custam menos do que os smartphones mais completos. Segundo Subar, a virtualização baixou o custo das partes do Evoke da Motorola, um dos primeiros telemóveis virtualizado introduzido há dois anos nos EUA por 46 dólares. Isso significou um preço mais baixo para o consumidor na ordem dos 200 dólares. Este tipo de telemóveis tem um grande papel a desempenhar no mercado dos pré-pagos, onde o consumidor paga o preço total do aparelho, refer Subar.
Os OK Labs tencional introduzir este mês uma plataforma denominada de SecureIT Mobile, que usa a virtualização para isolar determinadas chamadas, mensagens de texto e aplicações num equipamento. A empresa divulgou na semana passada um “white paper” sobre SecureIT e está em conversações com fabricantes de telemóveis para a intgração do software em futuros dispositivos. O SecureIT pretende dar novas capacidades de segurança às empresas com informação crítica, especialmente entidades governamentais ou de segurança pública, num aparelho relativamente barato, divulgou Steve Subar.
A empresa está também a trabalhar com a Citrix na possibilidade de usar um ambiente Windows virtualizado num qualquer telemóvel escolhido pelos utilizadores, algo que requer a virtualização do dispositivo para garantir a segurança da sessão de trabalho, refere o CEO dos OK Labs.
Novas arquitecturas de processadores da Arm, incluindo o poderoso Cortex-A15 apresentado no mês passado, podem dinamizar a virtualização móvel, afirma Yoram Salinger, CEO da Red Bend Software. A Arm concebeu os processadores para os telemóveis topo de gama, incluindo o iPhone da Apple iPhone e o Droid da Motorola. Outros acreditam que procesadores mais rápidos vão permitir ter telemóveis e tablets virtualizados que podem ser usados para aplicações na cloud e até jogos em alta definição.
Apesar da complexidade de ter a funcionar múltiplos sistemas operativos num único telemóvel, o impacto da virtualização no desempenho do aparelho deverá ser tão pequeno que passa despercebido, assegura Subar.
A chave para a aceitação da virtualização serão os benefícios que os consumidores vêem – e não ter de pensar nisso, diz Krishnamurti, da VMware.
“Se os clientes virem valor na virtualização, vão ceder no desempenho ou até um pouco na usabilidade”, assegura. No entanto, “no momento em que descobrirem que funciona numa máquina virtual, é o fim. Não se quer expor isso”.




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