Aplicações móveis ganham importância em regiões subdesenvolvidas

As aplicações baseadas em comunicações sem fios já estão a ter um impacto profundo nas zonas mais subdesenvolvidas do planeta, de acordo com os peritos presentes na conferência [email protected] 2010.

Especialistas do painel “Future of Mobile”,  realizado no âmbito da conferência [email protected] 2010, concordaram que as aplicações baseadas em comunicações sem fios já estão a ter um impacto profundo nas zonas mais subdesenvolvidas do planeta.

Um exemplo é o que se passa em países como o Haiti, onde a organização norte-americana sem fins lucrativos, Partners in Health, está hoje a utilizar telemóveis e redes sem fios para notificar os residentes assim que os seus medicamentos estão disponíveis na clínica mais próxima, como contou Emily Green, CEO do Yankee Group.
“Se tivermos conectividade sem fios em lugares como o Haiti, as pessoas passarão a estar ligadas, assegurando assim a continuidade dos seus cuidados de saúde”, sustentou Emily Green durante o evento realizado na sede do MIT. Na sua opinião, tendo em conta que os residentes de alguns países nem sequer têm uma morada, o telemóvel passa a ser de grande valor, pois permite localizar uma pessoa e providenciar-lhe informações importantes para a sua saúde. “É algo que muda radicalmente a vida das pessoas”, sublinha a CEO do Yankee Group.

Os investigadores na área das tecnologias móveis estão a procurar também outras formas de assegurar a continuidade na prestação de cuidados de saúde, através da ligação de uma série de dispositivos à Internet via redes wireless. Por exemplo, um frasco de comprimidos da farmacêutica Vitality em Boston pode ser ligado por wireless para que o médico assistente consiga ver quando o paciente abre e fecha o frasco, indicando assim que o medicamento foi tomado.

As aplicações móveis e as redes wireless também podem ajudar as economias locais. Dando outro exemplo, Emily Green sustenta que os empresários e as empresas de redes sem fios podem contratar os mais pobres para desempenhar tarefas de introdução de dados, aumentando assim a empregabilidade entre pessoas que tenham telemóvel. As aplicações que permitem este cenário são, na sua opinião, “as que mais entusiasmo me provocam”.
Os telemóveis estão também a ganhar importância em muitos países como porta-moedas electrónicos, sobretudo para as pessoas que não têm possibilidade de aceder fisicamente a um banco, como conta Vanu Bose, CEO da Banu, um fabricante de sistemas de infra-estrutura wireless que opera em mercados emergentes. “O melhor sistema bancário móvel do mundo está hoje no Quénia”, referiu Bose.

Os membros do painel acreditam que, com o tempo, os dispositivos móveis vão acabar por substituir os cartões de crédito e até o dinheiro. Emily Green lembrou que os pagamentos móveis feitos através de telemóveis pessoais, Near Field Communications e outras redes já estão a ser amplamente realizados hoje na África do Sul.




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