IBM define estratégia de Business Analytics

Com a compra da Netezza a ‘Big Blue’ adquiriu a sua 23ª empresa especializada no segmento.

A aquisição do fabricante de soluções de data warehousing Netezza, no valor de 1,7 mil milhões de dólares, pela IBM vem reforçar a ideia que a “big blue” pretende definir e talvez até criar um novo mercado dentro das TI – o de Business Analytics. Numa reunião com investidores realizada em Maio passado, o presidente e CEO da IBM, Sam Palmisano, disse que o domínio do Business Analytics iria ser uma área de crescimento para a empresa durante os próximos anos. A empresa espera que esta área de negócio consiga gerar 16 mil milhões de dólares em receitas até 2015. Refira-se que, em 2009, as receitas geradas foram de 9,4 mil milhões de dólares.
Mas, afinal, o que é o Business Analytics e o que é que o difere do conceito mais amplamente conhecido por Business Intelligence, ou BI? Na IBM, “o termo ‘analytics’ é utilizado num sentido mais lato, sendo que o BI é apenas uma das suas capacidades. Os conceitos de Data Warehouse e integração de informação fazem também parte do termo ‘analytics’”, explicou Arvind Krishna, responsável de gestão da informação dentro da IBM, durante uma conferência telefónica realizada esta semana a propósito da aquisição.
Na mesma conferência telefónica, Jim Baum, presidente e CEO da Netezza, deu um exemplo de ‘analytics’ em acção. Um cliente da Netezza, a empresa de transportes Conway Freight, usa as appliances da Netezza para alocar cargas a toda a sua frota. A empresa tem muitas entregas a seu cargo que ocupam menos do que o espaço disponível para carga de um camião, pelo que as appliances podem calcular a melhor forma de optimizar o espaço de carga disponível, tendo em conta factores como os horários de entrega, as condições do tráfego rodoviário e outros aspectos.
“Este é um bom exemplo de uma empresa que usa os dados que recolhe para desenvolver uma visão analítica que potencia as suas operações”, sublinhou Baum, para quem o Business Analytics vem “criar uma solução preditiva que conduz ao resultado desejado, optimizando o caminho para lá chegar, ao contrário do BI, que tende a focalizar-se em relatórios e dashboards muitas vezes baseados em dados históricos”.

Não exagerar nas expectativas

O analista da consultora Forrester, James Kobielus, aconselha a não ter demasiadas expectativas em relação ao termo “Business Analytics”, lembrando que esta é a forma habitual de a IBM promover os seus novos produtos e serviços que têm a ver com a análise de dados. “Não se prendam demasiado ao termo”, avisa o analista, que no entanto considera que descreve mais correctamente os serviços a que se refere do que, por exemplo, o BI, já que indica exactamente o que as ferramentas e serviços fazem para ajudar as empresas a organizar os seus dados. “Eu gosto do termo ‘analytics’ porque podemos dividi-lo em subcategorias, tais como Basic Analytics ou Advanced Analytics”, refere.
Mas sejam quais forem os méritos do termo propriamente dito, a verdade é que a IBM já gastou mais de 12 mil milhões de dólares ao longo dos quatro últimos anos para comprar 23 empresas do ramo. Em 2007, a IBM adquiriu o fabricante de software de Business Intelligence, Cognos, por cinco mil milhões de dólares e, em 2009, comprou o gigante do software de Data Mining SPSS, por 1,2 mil milhões. Mais recentemente, a IBM adquiriu a empresa de software e serviços de análise Web Coremetrics, mais concretamente em Junho passado, por um valor não divulgado.
Mas há já muito que as empresas têm vindo a analisar as suas operações e resultados para isolar o que funciona daquilo que não funciona. “O que é novidade é a convergência entre a análise e a tecnologia, algo que antes não se verificava”, afirma Shaun Barry, executivo de soluções globais da IBM. Agora, adianta, “a análise pode ser integrada como parte dos processos de negócio e operações das empresas. É possível, desta forma, operacionalizar e integrar toda esta análise naquilo que as empresas têm por sua actividade”.

Exemplos de sucesso

A IBM tem dedicado mais de seis mil consultores ao apoio às empresas na realização destas tarefas. E tem sido bem sucedida, particularmente em áreas normalmente desprezadas em termos de tratamento analítico. Graças ao software SPSS da empresa, a força policial de Memphis, nos EUA, pode distribuir agentes pelas áreas mais necessitadas. O New York State Department of Taxation and Finance está, por seu turno, a testar um sistema de análise dos Global Business Services da IBM que consegue identificar os reembolsos de impostos com maiores possibilidades de serem fraudulentos. O estado prevê conseguir receitas adicionais no valor de 100 milhões de dólares ao longo de três anos de utilização do software. Para a IBM, a empresa Netezza oferece uma tecnologia que permitirá expandir o uso de ferramentas de análise para além da utilização típica das empresas, usando ferramentas complexas de data warehouse. Para muitos fabricantes de data warehouse e BI, as novas fronteiras das vendas residem na grande maioria dos gestores organizacionais que gostariam de utilizar BI, mas não têm possibilidade de o fazer, porque não estão devidamente formados para tal ou porque as suas equipas são demasiado reduzidas para lidar com todos os pedidos.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado