Google Instant traz grandes mudanças para utilizadores, editores e anunciantes

A nova interface do motor de busca apresenta resultados à medida que as pesquisas são digitadas pelo utilizador.

O facto de o novo Google Instant permitir que os utilizadores comecem a receber resultados das suas pesquisas assim que digitam aquilo que procuram, poderá provocar grandes mudanças com impacto nos utilizadores, anunciantes e editores. Anunciado na quarta-feira, o Google Instant apresenta e ajusta os resultados de pesquisas e os anúncios que os acompanham assim que os utilizadores começam a escrever os termos da busca na respectiva caixa. O motor de busca faz uma previsão do que supõe que o utilizador procura e vai modificando o resultado dinamicamente para dar um válido mais rapidamente, permitindo ao utilizador ir refinando a sua busca com novos termos sem necessidade de voltar atrás e repetir a consulta. A nova funcionalidade é, sem dúvida, uma inovação tecnológica de peso mas ainda está por saber até que ponto será bem aceite pelo público e qual o seu impacto na eficiência e performance do negócio da publicidade associado aos motores de busca, bem como na visibilidade de resultados de pesquisas orgânicos.
O desenvolvimento de funcionalidades tão inovadoras mostra que, na Google, o negócio da pesquisa continua a ser rei, mesmo numa altura em que a empresa aposta numa série de outros mercados. “A Google está, sem dúvida, a tirar partido da sua herança, as pesquisas online, que é algo que faz mesmo muito bem”, considera a analista do Altimeter Group, Charlene Li.
De acordo com a Google, o Instant não é um motor de busca “à medida que se escreve”, mas “antes que se escreva”, uma vez que tem a capacidade de antecipar e prever o que o utilizador pretende encontrar.
Os utilizadores mais sofisticados deverão ser os que melhor receberão a nova funcionalidade, já que compreendem melhor a conveniência de poupar tempo nas suas pesquisas, ao passo que os utilizadores mais tradicionais poderão sentir-se algo desconcertados com a rapidez do motor, pelo menos numa fase inicial. “Trata-se de um melhoramento e representa uma maior eficiência e conveniência para as pessoas acostumadas a utilizar motores de buscas”, considera o analista Greg Sterling, da Sterling Market Intelligence.
Charlene Li também receia que possa haver um certo “efeito de encandeamento, causado pela mudança da página de pesquisa à medida que o utilizador digita os seus parâmetros de busca, o que pode provocar alguma desorientação e sensação de vertigem nos utilizadores mais comuns”. A analista acredita, contudo, que a Google vai saber resolver este problema, ajustando a funcionalidade se necessário, possivelmente adicionando alguns atrasos ao refrescamento da página. De uma maneira geral, considera, o resultado deverá ser positivo para todos os utilizadores.
Hadley Reynolds, analista da IDC, vê também um grande potencial na aceleração do processo de refinamento de parâmetros de pesquisa, que considera ser até agora um problema. “O Google Instant ajudará o utilizador a perceber quais são os links certos mais rapidamente”, afirma, considerando contudo que “vai demorar algum tempo até as pessoas se habituarem à nova funcionalidade”. O analista pensa, no entanto, que a maioria dos utilizadores acabará por se adaptar à mudança e aderir às novas funcionalidades permitidas pelo Google Instant.
Antecipando talvez alguma resistência por parte dos utilizadores, a Google está a dar a opção de desactivar o Google Instant, que, por enquanto, só está disponível aos utilizadores da página em inglês do Google nos Estados Unidos, bem como nas páginas locais de outros países, como França, Alemanha e Reino Unido. Dentro em breve deverá estar disponível em todo o mundo, Portugal incluído, bem como nos dispositivos móveis.
Ainda não se sabe se e quando vai ser incorporado nos motores verticais do Google, como os de pesquisa de Imagens, Notícias, Mapas e Livros. Como os utilizadores interagem de maneira diferente com as páginas de resultados de pesquisas, a utilização da nova funcionalidade deverá obrigar a alguns ajustes na forma como os editores de sites optimizam as suas páginas para os rankings orgânicos do Google, bem como na forma como os anunciantes refinam as suas campanhas de marketing associadas às pesquisas, dizem os analistas. “Os utilizadores vão olhar para as páginas de uma forma muito mais rápida e isso vai, obrigatoriamente, ditar diferentes abordagens na classificação de anúncios”, diz Greg Sterling, segundo o qual “isto poderá, de alguma forma, estreitar as oportunidades de SEO [search engine optimization]”.
Num comunicado à imprensa, responsáveis da agência de marketing social e de pesquisas Greenlight argumentam que alguns sites poderão registar uma queda nos rankings orgânicos e no tráfego se as suas páginas tiverem sido optimizadas para pesquisas longas e com múltiplos termos, tornadas agora menos eficientes pelo Google Instant. A Greenlight também avisa que os anunciantes podem ser prejudicados na qualidade da classificação dos seus anúncios no Google, devido ao aumento no número de anúncios em que os utilizadores não vão clicar, já que as páginas mudam demasiado rapidamente à medida que o utilizador introduz os termos que pretende pesquisar.
Hadley Reynolds, da IDC, não prevê grandes perturbações para editores e anunciantes, mas admite que o comportamento do utilizador irá inevitavelmente mudar. “Estas mudanças podem abrir a porta para a inovação no campo da disponibilização de conteúdos instantâneos, criando assim uma nova oportunidade de negócio”, sustenta.


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