O futuro da interacção homem-computador

Tecnologia ainda está a dar os seus primeiros passos e “esta é ainda apenas a ponta do icebergue daquilo que é possível fazer”.

Imagine podermos criar um iPad em qualquer parede ou superfície por onde passemos, até mesmo numa simples folha de papel, ou conseguirmos até controlar computadores ou outras máquinas físicas através das nossas ondas cerebrais. Este será o futuro da interacção entre humanos e computadores, segundo garantem os investigadores que, na passada quinta-feira, subiram ao palco do evento VMworld, realizado em São Francisco, nos Estados Unidos.
A SixthSense, uma interface gestual “wearable” criada por Pranav Mistry, do Fluid Interfaces Group do MIT Media Lab, equipa os humanos com um minúsculo projector, espelho e câmara instalados à volta do pescoço (ou num capacete), bem como ainda pequenos marcadores coloridos nas pontas dos dedos.
O protótipo apresentado permite ao utilizador projectar um computador na parede, através do qual verifica os seus emails e navega na Web de uma forma muito semelhante ao funcionamento de um iPad da Apple, excepto no que toca ao facto de os gestos do utilizador poderem ser feitos no ar, sem tocar qualquer ecrã. A demonstração em vídeo do funcionamento da SixthSense realizada durante o VMworld mostrou o seu criador, Pranav Mistry, a utilizar a tecnologia para tirar fotografias com as suas próprias mãos, a projectar um teclado de telefone na sua palma da mão, a aumentar uma notícia de jornal, a jogar um jogo de corridas de carros numa folha de papel, a obter as informações actuais sobre um determinado voo de avião e a projectá-las no próprio bilhete e, ainda, a jogar Pong no metro de Boston usando os seus pés como raquetes. A nova interface permite, ainda, copiar texto retirado de livros e colá-lo no ecrã do computador pessoal, que pode existir onde quer que o utilizador deseje.
Pranav Mistry considera que os dispositivos que existem hoje são demasiado limitados e que as pessoas deveriam poder interagir com a informação tradicionalmente presa dentro de PCs e com a Internet através de gestos humanos normais do dia-a-dia.
Tan Le, co-fundador e presidente da Emotiv Systems, demonstrou uma tecnologia de interface cérebro-computador que permite ao utilizador, através de um dispositivo colocado sobre a cabeça, assumir o controlo sobre dispositivos electrónicos através de ondas cerebrais. “Sempre sonhámos com o tempo em que conseguiríamos controlar e influenciar o que nos rodeia apenas com os nossos cérebros”, afirmou Le, cujo dispositivo, chamado EPOC Headset, ao contrário do que acontece com a tecnologia SixthSense, já está disponível para venda, ao preço de 300 dólares.
Mas Tan Le lembrou que a tecnologia ainda está a dar os seus primeiros passos e “esta é ainda apenas a ponta do icebergue daquilo que é possível fazer com esta tecnologia”.
Usando como cobaia Stephen Herrod, CTO da anfitriã do evento VMware, Tan Le demonstrou como o dispositivo da Emotiv permite aos utilizadores manipular objectos no ecrã de um computador apenas através do seu pensamento. Stephen Herrod conseguiu “erguer” uma caixa virtual após uma curta sessão de treino durante a qual o computador monitorizou as suas ondas cerebrais para determinar o que faziam quando este pensava em manipular um objecto. O CTO da VMware também tentou fazer com que a caixa virtual desaparecesse do ecrã, uma tarefa mais difícil porque não se baseia no movimento, não tendo sido totalmente bem sucedido.




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