À beira de uma vida virtualizada

Passar mais tempo online pode ajudar as crianças a prepararem-se para novos métodos de comunicação que mais tarde usarão no mundo empresarial.

Embora já muita gente esteja já envolvida no ciberespaço, a julgar pelos enormes volumes de comunicação, socialização e comércio conduzidos online, estamos à beira da quase total imersão na tecnologia e na Internet, de acordo com um especialista em tecnologia que falava durante a conferência da World Future Society realizada no fim da semana passada em Boston, nos Estados Unidos.
Segundo Michael Rogers (na foto), nos próximos 10 a 20 anos as pessoas acabarão por separar-se do mundo físico, adoptando vidas virtualizadas. “Quando eu falo da virtualização da América, refiro-me a que tudo o que fazemos hoje passará a ser feito no ciberespaço”, vaticina.
A era da substituição de portáteis por outros dispositivos já começou e serão esses dispositivos que levarão as pessoas à virtualização, defende o especialista, referindo-se “aos descendentes do iPhone, às versões reduzidas dos actuais portáteis ou a algo completamente novo que criemos daqui a 10 ou 20 anos”.
Embora os reduzidos ecrãs e teclados dos smartphones de hoje os impeçam de ser substitutos completos dos portáteis, Michael Rogers lembra que já existem telefones equipados com projectores para apresentar imagens e sensores que projectam um teclado de grandes dimensões numa superfície plana.
A conectividade wireless será, na sua opinião, crucial num mundo cada vez mais interligado. Felizmente, estes novos smartphones conseguirão estar sempre online, uma vez que as ligações Wi-Fi “serão omnipresentes em 2020, em grande parte graças às receitas que proporcionam”.
Para rentabilizar esta rede wireless universal, os dispositivos inteligentes, como os sensores instalados em pontes e os sistemas tecnológicos dos carros, basear-se-ão em chips que lhes permitirão transmitir dados para a Internet.
“Teremos que ensinar às crianças que nasçam em 2019 o que significa estar offline”, diz Rogers, para quem “estar online será o estado natural das coisas”.
E, de acordo com as suas previsões, estas crianças estarão suficientemente equipadas para lidar com os novos métodos de comunicação que a tecnologia vai introduzir no mundo laboral.
A capacidade de a próxima geração formar, manter e fazer uso das relações virtuais fará com que se encaixem bem nas empresas que cada vez mais conduzem reuniões através de sistemas de telepresença. A população dos EUA e os custos de viajar em trabalho estão a subir exponencialmente, o que estimulará o uso de sistemas de reuniões virtuais. “Estamos numa altura em que apenas as empresas com mais dinheiro compram salas de telepresença, mas chegará a altura em que todos estarão aptos e usar estes sistemas”.
Mas enquanto isto não acontece, é necessária regulamentação governamental para controlar a Internet e aumentar a segurança online, defende Michael Rogers.
Outra previsão sua é que o governo vai também trabalhar no sentido de criar instrumentos regulatórios que lhe permita cobrar impostos na Internet, pois caso contrário, “a Internet passará a ser o melhor lugar para a fuga ao fisco” e deu o exemplo da China, onde já hoje o governo regula o dinheiro virtual.
A protecção da propriedade intelectual vai ser uma questão ainda mais crítica, à medida que as pessoas se envolvem ainda mais na Internet e adoptam a crença de que tudo o que existe online deve ser gratuito, diz o especialista. Embora já haja quem compre música nas lojas oficiais online, 95% da música ainda é descarregada de forma ilegal, diz Michael Rogers, para quem a pirataria online vai em seguida alargar-se aos livros e à televisão. “Artistas e criadores precisam de continuar a fazer dinheiro e a protecção dos seus direitos é, por isso, fundamental”, sublinha.




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