Painel discute distância entre os departamentos de TI e administração das empresas

Os problemas de comunicação entre os gestores e os responsáveis de TI é uma questão de estrutura organizacional.

Se perguntarmos ao departamento de TI qual a sua estratégia para ajudar a empresa, responderá que quer ser um gerador de receitas, mas se perguntarmos aos gestores de negócio qual deve ser o papel das TI, dirão que é a de reduzir custos. Quem o constata é David Senf, director de análise em serviços de infra-estrutura da IDC Canadá.
Um estudo recente da IDC concluiu que os gestores de negócio detecta o dobro do valor estratégico no cloud computing que os departamentos de TI. E, no que se refere às arquitecturas orientadas para os serviços, as TI irão seguramente discordar dos gestores da empresa e considerá-las “muito estratégicas ” e “o caminho a seguir”, de acordo com a opinião de David Senf.
No papel de moderador de um painel sobre a distância que existe entre os departamentos de TI e os executivos de nível C, organizado pela Cogeco Data Services, David Senf afirmou que este problema de comunicação não é novo e que “já andamos a falar sobre isto há anos”.
Um estudo realizado pela IDC de forma regular compara as respostas dadas a um inquérito pelos gestores de negócio e pelos responsáveis de TI e, quando questionados acerca do período de tempo dentro do qual o departamento de tecnologias normalmente toma decisões e realiza aquisições, os gestores de negócio aponta para um período de dois a três anos, enquanto as TI dizem “um ano no máximo”. À pergunta sobre quais as métricas utilizadas para determinar o sucesso das TI, os gestores dizem que o departamento de TI recorre à análise dos custos de desenvolvimento e infra-estrutura, enquanto as TI dizem que o principal factor de sucesso são “os benefícios que o negócio retira daquilo que fazemos”.
David Senf costuma perguntar regularmente às organizações quantas falhas de segurança já sofreram ao longo dos últimos 12 meses e “o que descobrimos é que existe uma grande diferença entre o que os executivos e os homens das tecnologias pensam. Os departamentos de TI apontam sempre cerca de 10 vezes mais falhas do que os gestores das organizações”.
Stuart Paterson, especialista em armazenamento da Cogeco Data Services, disse neste painel que os problemas de comunicação entre gestores e responsáveis de TI é uma questão de estrutura organizacional. As TI precisam de aprender o negócio para serem capazes de comunicar de forma adequada tudo o que estão a fazer e, ao mesmo tempo, usar esses conhecimentos para criar algo que seja relevante para a companhia e “não apenas algo que é muito interessante apenas do ponto de vista das TI”.
Mas a dificuldade com este processo, acrescenta, é que muitas pessoas fora das TI nunca chegam a perceber qual é o papel deste departamento, até porque este muda muito rapidamente e as próprias pessoas dentro das TI têm dificuldade em sair do seu próprio mundo”.
Paterson sugere, por isso, a criação de um cargo que faça a ponte entre ambas as partes da empresa, “tornando visível à administração das organizações tudo o que as TI fazem pelas suas empresas”.
Robert Smith, consultor em tecnologia da MaRS Discovery District, também presente neste painel, disse por seu turno que as TI precisam de contribuir para o paradigma da inovação dentro das organizações. “Os gestores de nível C têm uma visão da forma como as coisas se vão passar, mas têm que ser capazes de traduzir esta visão para ideias e tecnologias inovadoras”, defende.
O problema, acrescenta, “é que, tradicionalmente, os gestores de negócio não recorrem às TI para encontrar a solução para um problema, nem gostam de pedir conselhos, e, quando o fazem, normalmente já é tarde de mais e as decisões já estão tomadas”.
Paul Barker, editor da revista Cable Networking Systems, confirma a existência de sérios problemas de comunicação entre os departamentos de TI e a administração das empresas, dizendo que “infelizmente, cabe às TI resolver a situação”.
“Se tem um problema, fale com um superior sénior na sua organização, apresentando um plano, faça o seu trabalho de casa e o deles também,” disse Barker. “Se a disconexão continuar, então talvez seja altura de ir trabalhar para outra empresa, onde possa concretizar os planos que tenha,” afirmou.
Mas o ónus é dos executivos, considera Barker. “Acho que os executivos de topo precisam de saber exactamente o que o seus departamentos estão a fazer, e precisam de interagir com eles.
Gary Saarenvirta CEO da Makeplain, disse considerou ser fácil desenvolver sistemas de tecnologia – difícil é conseguir que as pessoas usem de forma colaborativa e articulem os seus objectivos. “Há um exercício de gestão da mudança que tem de acontecer ao longo das organizações”, disse.
“Os homens de negócios são diferentes das pessoas de TI e há uma inabilidade em compreenderem-se… quanto mais idosos os homens de negócio são, maior dificuldade têm no relacionamento com a tecnologia,” diz Saarenvirta.
As TI precisam de articular “o valor específico que uma parte da informação ou parte da tecnologia traz para o negócio” afirmou. Se as TI  puderem explicar as suas soluções em termos de riscos e benefícios, é isso o negócio vai perceber, defende.
Mas para se tornar capaz de explicar os benefícios para o negócio, o departamento de TI precisa de compreender qual é a direcção escolhida pelo negócio, explica Paterson. “As TI não podem disponibilizar a solução porque as TI não conhecem o processo de negócio ” e os líderes seniores precisam de garantir que explicam como é o processo de negócio.
O departamento de TI precisa de ir buscar as suas ideias à cave e colocá-las em cima da mesa discutindo a sua implementação com os executivos de nível C, disse Asif Bhaidu, director de TI da OgilvyOne. Mas até haver uma gestão de projectos adequada, as soluções de TI não serão disponibilizadas de forma bem sucedida. “Uma das coisas que têm falhado e começamos a perceber a gestão de projectos,” explica Bhaidu.
As TI também precisam de ser mais do que um conjunto de engenheiros e técnicos, precisam de compreender o negócio, de trabalhar com a organização ultrapassando as fronteiras do seu departamento, incluindo a promoção do diálogo com os seus pares na indústria, afirma.
Tony Ciciretto, presidente da Cogeco Data Services, considerou que a responsabilidade de aumentar a comunicação entre os executivos de TI e de negócio é de ambos. Mas uma das coisas que as TI podem fazer melhor é certificarem-se de que os seus objectivos estão bem definidos.
Durante muito tempo, as TI apresentam os seus objectivos como aquilo que significa para as TI. “Como as TI correspondem às métricas do negócio é  uma das coisas mais importantes. Assim que o departamento de TI começar a falar a linguagem, obterá a grande aceitação por parte dos executivos,” afir4mou.
As TI são sempre chamadas em momentos de necessidade comprovada, os quais chamam logo a atenção dos executivos de nível C, explica Ciciretto. “O que a equipa de TI precisa, é desenvolver esses momentos de necessidade e de fazer um bom trabalho na articulação o que significam para o negócio,” disse.
“Quando definirem isso, penso que deverão obter a atenção pretendida, por isso penso que tem funcionar num sistema bidereccional. No entanto penso que os departamentos de TI precisam de daro primeiro passo  no sentido de obterem a atenção dos executivos definindo quais os são os eventos mais actractivos e inevitáveis,” disse Ciciretto.




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